A Conquista da Vitória (ou quase isso)

– Continuando nossa viagem, após a interrupção da semana passada, quando falamos sobre as exposições em São Paulo –

Após Guarapari, nosso destino era Vitória.

Cidade de rio, porto e ladeiras infinitas, ou quase.

Para mim, era a segunda vez. Para a Karina, tudo era novidade. E como ela não sabia de nada, eu a fiz andar muito, subir e descer ladeiras, perambular por ruas e avenidas.

O plano original era conhecer o que pudéssemos da cidade no dia em que chegamos e seguir de trem para Belo Horizonte. Chegamos exaustos no hotel, e decidimos resolver quando iríamos para Minas Gerais só no dia seguinte. Pela manhã, na estação de trem, pensamos no nosso dilema: queríamos passear por Vitória e ir a Vila Velha (dica dos conselheiros de estrada), ficaríamos então mais um único dia em Vitória? Seria possível fazer tudo isso em tempo tão curto?

Em estada anterior, estive num hotel chamado Cannes Palace.

A fachada não procura ser exuberante. Aliás, nem o prédio chama a atenção. É simples, com ares anos 1960. Aquele estilo moderno que acabou ultrapassado. Os pontos bons são a facilidade de transporte, pelas avenidas principais, estar no centro, ter uma vista bem bacana e a proximidade com o que há de interesse na região.

A estação de trem estava a cinco minutos de ônibus. O Teatro Municipal, a cinco minutos de caminhada, e logo na primeira noite, pudemos ver o canal de carga e descarga do rio Santa Maria.

Rebocador

Vista do Rio Santa Maria e Cariacica

A avenida que segue o rio até a praia é a Av. Marechal Mascarenhas de Moraes, mas o hotel em que ficamos é na Av. Jerônimo Monteiro, 111.

O hotel é tido como um dos mais tradicionais da cidade. E a comida é boa, o chuveiro tem água quente, a cama é confortável, o atendimento é o melhor que eles têm. Fomos muito bem aconselhados para ir a todos os pontos que queríamos, e fosse o gerente, fosse uma atendente, sabiam onde, como e quando deveríamos ir e como fazer para chegar.

Seguimos pela cidade.
Apesar da urgência de sair e comprar as passagens de trem, antes de ir para a estação ao menos para mim, era impossível sair sem parar um minuto ou dois para olhar a vista.

Cargueiro

Cargueiro

Vista da Janela do Hotel. Pedi um andar alto. Ficamos com o 15º andar.

Rebocador e guindaste

Rebocador e guindaste

Vi muitos desses rebocadores durante o dia e a noite. O trabalho não para nunca.

Vitória é uma capital viva, pulsante, cheia de coisas para ver. Mas é curioso notar que esta vista vem da janela do Palácio de Anchieta, sede do governo capixaba. Ou seja, um morro, com casas algumas muito simples, algumas ruas precisando de asfalto.

Se o governador abrir a janela, vai ver as necessidades do estado. Será que ele governa de janelas fechadas?

Palácio Anchieta

Palácio Anchieta

Palácio de Anchieta – Sede do governo do Espírito Santo.

Vista noturna

Vista noturna

Vista noturna do Palácio Anchieta. Vantagem de pegar andar alto.

Petroleiro da Petrobrás

Petroleiro da Petrobrás

Petroleiros, cargueiros de toda sorte e navios para todos os gostos.

A noite cai e o trabalho continua

A noite cai e o trabalho continua

As luzes da cidade, neste caso, são das estivas.

Não consigo decidir se a vista é mais bonita de dia ou de noite.

Não consigo decidir se a vista é mais bonita de dia ou de noite.

É um mundo fantástico este em que vivemos. Cada lugar com suas maravilhas. E Vitória tem muitas maravilhas.

Se vi direito, o forte deste canal é o transporte de carga. Mas lembro de ter visto um navio de passageiros e há uma marina de iates brancos e bonitos seguindo pelo rio Santa Maria, até chegar à foz. Sempre bom lembrar que estávamos ao lado do Palácio Anchieta, sede do governo do estado.

Atrás de nós, a Catedral Metropolitana de Vitória, bem no alto da ladeira. Pode-se subir até lá, entre outras ladeiras, pela escadaria de Maria Ortiz, ponto de interesse da cidade, que faz homenagem à moça que, munida de panelas de água fervente, caçarolas e frigideiras, e tendo por exército mendigos e prostitutas do centro, expulsou a valente invasão holandesa comandada pelo capitão Piet Pietersz Heyn.

A história por si só daria um filme. Uma pena que o Brasil não tenha heróis. Precisamos de alguns para ajudar a criar um senso de patriotismo e de nação que não temos.

Ladeira Maria Ortiz

Ladeira Maria Ortiz

As escadarias do Centro emprestam um charme extra a Vitória.

Teatro Munucipal

Teatro Municipal

Teatro Municipal de Vitória, na Praça Costa Pereira.

O dia foi especialmente ensolarado. Compramos as passagens de trem para o dia seguinte, visitamos a cidade de ônibus, por que não? Almoçamos tarde, fomos os últimos clientes de um restaurante próximo à Praça Costa Pereira, orgulhoso de seus frutos do mar, aliás, paixão capixaba, fizemos compras num mercado próximo para a viagem de trem, e antes de encerrar o dia, encontramos um calçadão nas ruelas entre o hotel e a catedral com cadeiras coloridas, cerveja barata e um telão.

Quem sabe um dos jogos da Copa?

Cinema na praça.

Num dos botequins da Rua Sete de Setembro, cadeiras de plástico, amarelas e vermelhas, mesas plásticas brancas, estudantes de cinema, curtas metragens, ONGs de preservação do meio ambiente, escolas que visitavam parques e aprendiam sobre fauna e flora, Projeto TAMAR e apoio do poder público. Cerveja barata, caipirinha honesta, garçom jovem, de calça jeans e camiseta, mas muito solícito e em seguida uma banda chilena, com integrantes de várias idades, começando perto dos vinte anos e seguindo após os quarenta, viajando pelas Américas graças ao dinheiro de shows improvisados nas ruas das cidades por onde iam. Lembrei de ter visto algo assim em Anchieta, e outra mais cedo, em frente ao Teatro Municipal. E tocavam bem. Rock anos 1980 e 1990.

Ditadura no Brasil - Momento vergonhoso de nossa história

Ditadura no Brasil – Momento vergonhoso de nossa história

Monumento em Homenagem aos Desaparecidos que lutaram contra a Ditadura Militar.

Outra coisa importante de nossa história recente, e para não esquecer jamais, é este monumento em homenagem aos desaparecidos da Ditadura Militar. A obra está na Praça Costa Pereira, local de cultura, em frente ao Teatro Municipal. Ao fundo, a Escadaria da Ladeira São Diogo.

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana de Vitória.

Nossa visita a Vitória não acabou ainda. Passamos um dia conhecendo o Mosteiro da Penha, em Vila Velha. Mas vamos contar na próxima postagem.


Dicas de Viagem

• Atenção ao pegar ônibus. A maioria tem preço comum ao resto do Brasil, algo em R$ 3,00. Mas os com refrigeração são mais caros, podendo chegar a R$ 10,00.

• Quem vai de um terminal de ônibus urbano a outro pode fazer troca de veículo sem pagar outra passagem. Fizemos isso saindo do Centro, indo até o terminal urbano de Cariacica e de lá para Vila Velha pagando apenas uma passagem. Esta integração acontece em várias linhas.

A volta para Vitória aconteceu do mesmo jeito. Pegamos 3 ônibus, mas só pagamos duas passagens. Uma das trocas de ônibus foi feita dentro do Terminal Urbano.
Só não pode sair do Terminal, ok?

• Ao invés de ir ao Shopping, pare dois quarteirões antes e visite a feira de artesanato e comidas típicas. Basta seguir pela Av. Marechal Mascarenhas Moraes.
Siga um pouco mais pela orla e vá ver a estátua de Iemanjá, logo após a ponte que conduz ao centro comercial de jurídico de Vitória.

• Hotel Cannes Palace – Telefone: (27)3232-7200
Av. Jerônimo Monteiro, 111
Centro
29010-001
Vitória – ES / Brasil
E-mail: hotelcannes@terra.com.br
http://www.hotelcannes.com.br/

• Sobre o Cinema na Praça:
Evento Cine Juventude:
Primeira Semana Municipal da Juventude de Vitória
http://universo.ufes.br/blog/2014/07/primeira-semana-municipal-da-juventude-de-vitoria/

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