Saudações a El Rey!

Congresso UFSJ

A minha quase doutora em sua palestra da Universidade Federal de São João del-Rei.

Ainda lembro a primeira visita a São João del-Rei.

Tentava encontrar pedreiro para arrumar reformar a casa, tentava fechar uma venda que demorava meses, tentava receber comissões de vendas antigas, tentava cobrar clientes que demoravam em pagar, tinha uma boa quantia na conta e era 26 de dezembro de 2010. Tentei tudo o que podia ser feito naquele fim de ano e nada queria funcionar. Irritei-me, peguei o Metrô e fui sair na estação Tietê, rodoviária, o maior terminal rodoviário de São Paulo. Comprei passagem e segui noite adentro até amanhecer em São João del-Rei.

Locomotiva 60

A viagem de Maria Fumaça dura em média 12 minutos, indo de São João del-Rei a Tiradentes e voltando.

Maria Fumaça - locomotiva 68

Maria Fumaça – locomotiva 68

Desta vez a viagem foi bem menos impetuosa.

Após nosso giro inicial juntos por bem dizer 4 estados da Região Sudeste, desta vez a Karina tinha um congresso. Vejam que orgulho, minha doutoranda faria apresentação na UFSJ, Universidade Federal de São João del-Rei, para falar de políticas públicas de educação. Como ela teria a estadia custeada, porque não colocar mais um tantinho e irmos os dois? Malabarismos de quem gosta de viajar.

fusca

Quase uma chapa preta. Vi muitos fuscas nas cidades históricas de Minas Gerais. Parece uma paixão regional. E combinam bem com a região, as matas, as serras, as infinitas igrejas e ladeiras e os casarões seculares. Neste em especial, chama a atenção o detalhe da miniatura no tampão atrás do banco.

Detalhe é que o Congresso acontecia em São João del-Rei, mas nossa pousada está escondidinha em Tiradentes. Nada sério.

Chegamos em 12/10/2014, ficamos até dia 15 – A Karina vinda do Rio e eu de São Paulo. Nem me perguntem da viagem! O povo tocando musiquinha brega e tosca no celular, criança chorando, gente que não para quieta no assento e fica andando pra todo lado e te dando trombada… Viajar tem seu preço e suas penúrias. Já a Karina, não reclamou de nada. Parece que fez boa viagem. Como sempre, deve ter dormido o percurso todo. Nunca vi pessoa pra dormir tão bem em ônibus.

Tiradentes

São João del-Rei é terra de famosos. Um ilustre morador da cidade foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. As estátuas podem ser vistas no Centro histórico da cidade, bem como um coreto, arquitetura de época e as pontes sobre o canal principal.

A chegada é sempre se ajeitar, descobrir onde cada coisa fica, sair da rodoviária, ver como chegar à pousada, vários ônibus chegando juntos, poucos táxis, menos ainda honestos e os espertalhões que querem lucrar sempre na hora da morte. E aqui já vai a primeira dica de viagem: Pergunte o preço antes, nunca pegue Táxi se desconfiar de algo, escolha apenas os veículos licenciados. Quer saber por quê? Chegamos em grupos grandes à cidade, e como fazer para ir até as respectivas pousadas? Como acertar as linhas de ônibus? Pedir informação é mais difícil, porque as pessoas estão habituadas ao cotidiano, sabem ir de casa para o trabalho. Perguntar sobre localidades específicas ou pousadas complica a vida do munícipe. Preparação ajuda, mas não importa quantos mapas do Google você veja, ao chegar lá, sempre tem aquele ponto que não estava no mapa, aquela linha de ônibus que passa perto mas que o Google não indicou, sempre tem o horário melhor e o pior, e mais, faça isso com uma enorme mochila!

Neves

Outro morador ilustre da cidade, o falecido Tancredo Neves, eleito de forma indireta em 1989, não chegou a tomar posse como presidente, em 15/03/1990. No lugar dele, quem recebeu a faixa foi o maranhense José Sarney.

Os grupos se dividiram e fomos de táxi. Um espertalhão queria cobrar R$ 60,00 por pessoa para ir de São João del-Rei a Tiradentes. E queria fazer parecer que estava nos fazendo um enorme favor! Era um safado que usava um carro particular emprestado, sei lá em que condições, querendo furar nossos olhos e ainda fazer cara de bonzinho, de anjinho da salvação. Tá louco?? Ainda não eram nem 20h e o sujeito queria fazer parecer que estávamos perdidos no meio da selva! O táxi que pegamos cobrou R$ 50,00. Estávamos em 3 e dividimos. Estejam avisados!!

Ponte da Cadeia

Ponte da Cadeia – Tem esse nome porque à esquerda está a Câmara Municipal. No subsolo era a cadeia pública. Outro caso curioso de aproveitar edifícios para uma boa piada sobre a honestidade dos políticos. Siga por esta rua e vá até o Del Rey Café provar a comida local e beber muita cerveja Bäcker de vários sabores!   Um morador me contou que o rio, que passa lá embaixo, quase um espelho d’água, costuma encher muito, e houve ocasião em que este morador viu a água encobrir a ponte.   Siga para a direita para as igrejas, o cemitério e o comércio.

Fomos para Tiradentes e de volta no dia seguinte.

Se entendi bem, naquele final de semana a cidade estava lotada. Imaginei que ficaríamos no maior sossego, mas os hotéis estavam todos lotados e os preços subiram. Até onde eu sabia, a Páscoa por lá é a época mais cara. No verão chove muito em Minas Gerais, mas Ano Novo, Natal, meio do ano e outubro e novembro costumam ser mais tranquilos. Claro que a prefeitura de lá é esperta. Havia uma feira de indústria e empreendedorismo, um congresso de criadores de orquídeas, o congresso da UFSJ sobre educação, um outro congresso, e outro… Não tenho certeza, mas se entendi bem, haviam cinco eventos de grande porte ocorrendo todos ao mesmo tempo! Tanto que o Centro Histórico estava tomado de barracas enormes.

Nesta viagem fui armado de minha câmera Canon T3i nova, estava estreando! Mas terei que colocar uma ou outra imagem de uma antiga câmera Sony Alpha 20, para poder falar do Centro Histórico sem as tais barracas gigantes.

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Vista do Mirante

Outra vista da cidade, desta vez para mostrar a Rotunda, local onde o trem entra inteiro, é girado para outra direção e pode ir para uma vaga desta imensa garagem ou seguir rumo para outra direção. Há uma parecida em Tiradentes, ao lado da estação, mas muito menor e não é coberta. Cabendo apenas a locomotiva, que na volta, empurra o trem para São João del-Rei.

Outra vista da cidade, desta vez para mostrar a Rotunda, local onde o trem entra inteiro, é girado para outra direção e pode ir para uma vaga desta imensa garagem ou seguir rumo para outra direção. Há uma parecida em Tiradentes, ao lado da estação, mas muito menor e não é coberta. Cabendo apenas a locomotiva, que na volta, empurra o trem para São João del-Rei.

O primeiro almoço foi lá no Centro Histórico. Recomendo o Rex Restaurante. Quase de frente para a Ponte da Cadeia, a maior da cidade, ligando os dois lados do Centro. Palestras para ver, eventos exigindo atenção, idas e vindas a Tiradentes. Não fizemos apenas turismo, a Karina tinha muito trabalho a fazer.

Mirante ou Cristo de São João del-Rei

Mirante da cidade. Não confundir com o Cruzeiro, que fica do outro lado da cidade, no alto da serra, e pode ser visto daqui. Mirante ou Cristo de São João del-Rei

A arquitetura é barroca no Centro Histórico, período colonial, mas a cidade mistura ares de anos 1950 e 1960, no que imagino, deva ter sido um período próspero. Há indústrias, tecelagens, trânsito, até me alertaram sobre a criminalidade. Não espere um clima bucólico ou vaquinhas pastando tranquilamente. A cidade tem pressa.

hotel

Antigo hotel desativado. É patrimônio histórico pela arquitetura e soube que será reaberto em breve. Centro Histórico.

Após a participação do grupo da Karina na quarta-feira de manhã, teríamos a tarde livre. Toca almoçar. E onde encontrar almoço? Quem conhece a cidade? Eu conhecia.

Fomos ao Restaurante Amarelinho, bem perto da UFSJ e da rodoviária. Numa continuação da Av. Leite de Castro, que para mim, deve ser a avenida principal da cidade, ligando os bairros mais distantes ao Centro Histórico.

municipal

Teatro Municipal. Estava bem movimentado quando fomos.

detalhe

Detalhe do Teatro Municipal – Motivos clássicos.

O que gostei muito de ver nessa avenida é que apesar de trânsito intenso de carros, ônibus, caminhões e fábricas por todos os lados, o canteiro central tem paisagismo, árvores, pista para corrida e caminha, ciclovia, bancas de jornal, barracas vendendo bebida e comida, pontos de táxi cobertos e a vista é um alívio para quem andou muito e está cansado. Mas leve um boné, chapéu, passe protetor. O Sol é forte.

Fábrica

Fábrica em estilo 1950. Curvas pronunciadas, cantos arredondados, uma visão da época do que seria o futuro distante.

Indo para o Centro Histórico, pudemos ver o que mais há em Minas Gerais. Igrejas barrocas. Acho até que tem mais igreja em MG que pão de queijo.

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo – Com botequim na esquina em frente, a rua de comércio que a liga a outras duas igrejas e ao lado, um cemitério diferente do comum.

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a mantenedora do cemitério e a dois quarteirões do Mercado Municipal.

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Detalhe da entrada do Cemitério Municipal, para assustar os menos aventureiros.

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O interior do cemitério, com suas gavetas para ossos, algumas criptas, poucos túmulos no solo e o aproveitamento do espaço.

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Mercado Municipal. Para encher os olhos e a barriga.

Além das igrejas, o visitante pode ir de São João del-Rei a Tiradentes de Maria Fumaça. A estação de trem fica no Centro Histórico e as partidas são aos finais de semana e feriados. Na estação também há o Museu do Trem EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, com fotos, vagões, maquetes, máquinas da época, utensílios diversos, vagões e locomotivas. A visita é gratuita e o museu é mantido pela Vale (Companhia Vale do Rio Doce). O preço é que fica um pouco salgado. A inteira, salvo engano meu, está em R$ 40,00. Você pode fazer apenas uma viagem de ida, mas o preço é quase o mesmo de ir e voltar. Veja como funciona melhor para você.

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Ponto de ônibus central, ao lado da estação de trem e do Museu do Trem da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas. Aqui passa ônibus para Tiradentes via Estrada Real. Faça o percurso, vale muito à pena!

Rocket Maquete

Uma das atrações do Museu do Trem é a miniatura de uma das primeiras locomotivas – o Rocket a vapor, de 1829, corria à impressionante velocidade de 29km/h e precisava parar a cada 56km para abastecer de água.

telefone

O antigo telefone de parede do final do século XIX e começo do século XX está exposto no Museu do Trem.

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Finalmente, um vagão de passageiros e uma representação das antigas linhas de trem.

Além de igrejas, a cidade é rica em hospedagem. Hotéis para todos os bolsos, pousadas, bares, restaurantes, lojas para todo o gosto. Visitamos um pouco de tudo. E quem gosta de andar, ou não tem problemas com isso, vai poder rodar a parte histórica e se deliciar com tudo que tem lá. A dica aqui é fugir da avenida principal e se enfiar nas ruazinhas paralelas. Achei bares pequenos e típicos em esquinas a dois quarteirões do comércio e do Centro. Em geral perto das igrejas. Engraçada essa relação. Onde tem igreja, ter um bar do lado.

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Igreja de Nossa Senhora do Pilar. Dentro dela, a decoração é toda feita de ouro. É uma das três mais ricas em ouro no mundo. Fotografe sem flash.

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Igreja de Nossa Senhora do Rosário. O largo em volta tem casas episcopais, assistência social da igreja e lojas. Do lado esquerdo há uma que vende doces típicos de toda a região. Um perigo para muitos.

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Igreja de São Francisco de Assis, santo corriqueiro em Minas Gerais. Está do outro lado do Centro Histórico, atravessando a Ponte da Cadeia, ao final da Avenida Tiradentes.

São João del-Rei, que já se escreveu São João Del-Rey, terra natal de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e de Tancredo Neves, ex-presidente do Brasil.

Semana que vem eu conto sobre Tiradentes. Hoje, vejam só essas imagens e me digam se não dá vontade de arrumar as malas.

UFSJ

Karina, no pátio da UFSJ se reunindo com o grupo para passar o último ensaio antes da apresentação no congresso.


Dicas de Viagem:

  • Cuidado na rodoviária, existem os bons taxistas e existem os picaretas cobrando três vezes mais. Fique atento.
  • Lugares legais pra comer:

Rex Restaurante – Almoço a quilo bem gostoso e com muito peixe – http://goo.gl/H2YVTO Avenida Hermilio Alves 146 centro, ao lado do Teatro Municipal. (32) 3371.1449.

Restaurante Bar – Del Rey Café – Av. Tiradentes, 553, esquina com Ministro Gabriel Passos, Centro, São João Del Rei – MG – http://goo.gl/Uaghdo –  (32) 3371-1368 ao lado da Câmara Municipal de São João del-Rei. Onde fui formalmente apresentado a vários sabores da cerveja Bäcker. O happy hour é bem movimentado.

Amarelinho – Quilo e churrasco, pertinho da UFSJ e da rodoviária – Av. Leite Castro, 786. http://goo.gl/bYNnT3

  •  Estação de Trem e Museu do Trem – Centro Histórico – Av. Hermilio Alves, 366, São João Del Rei – (32) 3371-2888 – O Museu é gratuito e livre para entrar a qualquer momento aos finais de semana e feriados. A viagem de ida e volta ou apenas ida para Tiradentes é cobrada e os preços variam a partir de R$ 40,00 adulto, sem carteira de estudante. Abre às 10:00h.
  • Um morador me alertou sobre ir sozinho ao mirante. Estive lá em outra oportunidade e não tive problemas, mas é sempre bom ir em grupo. A vista é muito bonita.

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