Tiradentes

Vila de São José do Rio das Mortes. A pequena cidade que hoje tem o nome de Tiradentes é dinâmica, histórica e um dos lugares mais bonitos de Minas Gerais. Serras, casarões, Inconfidência e uma aventura para olhos, corações e paladar, com bons restaurantes. Saiba tudo sobre Tiradentes.

Vista geral de Tiradentes

A cidade, o centro histórico, a igreja e a quase inexpugnável serra de São José, cercando a cidade.

A Karina está lá em Lisboa, ou pelo menos estava no último post, e agora está aqui do meu lado em Tiradentes, Minas Gerais. Parece até novela. Abre uma porta e estamos do outro lado do mundo. E o melhor é que todos falam português. Maldade minha, claro.

Rua típica

Ruas estreitas, cheias de comércio e artesanato. O Centro Histórico está aproveitado para receber turistas, com museus, restaurantes e lojas.

Hoje é dia de falar de Tiradentes. Cercada por uma enorme e imponente serra, a cidade já foi distrito de São João del-Rei, e pode ser alcançada pela BR 265, segura e rápida, mas que é apenas uma estrada federal. Há coisas para ver e o trecho não dura vinte minutos em dias normais. Claro, pode acontecer algo e a estrada ficar congestionada, mas não é o mais comum. Só que há pouco a dizer deste trecho. É simples. É comum. Falta um pouco de espírito de aventura. Os passeios bacanas mesmo são os outros jeitos de chegar de São João del-Rei a Tiradentes:

Travessas e caminhos

Esta rua liga a Igreja Matriz ao Centro Histórico.

1 – Andando Tem um trecho que dá pra ir por dentro das duas cidades. Ou, cortando pelas estradinhas ora de asfalto, ora de terra. Mas você precisará de um guia da cidade para te indicar o caminho. Claro que você pode pedir informação a todos que encontrar pelo caminho, mas ganhe tempo e veja mais coisas. Tem um trajeto que a caminhada vai ser bem mais legal. Continue lendo.

Via férrea

Cruzamento de estrada, avenida, linha de trem e pedestres, a essa hora, praticando corrida.

2 – Caminho da Serra – O mais difícil. Com um guia contratado em Tiradentes, é possível subir ao topo da serra que envolve a cidade, ir até São João del-Rei ou voltar para a cidade.

paisagem

A serra de São José praticamente cerca toda a cidade.

3 – De carro Vá pela famosa Estrada Real, pavimentada de paralelepípedos, caminho do ouro e das pedras preciosas de Minas Gerais até Paraty e de lá para Portugal. O trecho também é rápido, passa ônibus, tem casinhas lindas, casarões e pousadas, fazendas, a famosa cachoeira da Estrada Real e o marco da estrada, que serve de monumento indicativo. Sobre a cachoeira, vou falar com mais calma logo mais, no próximo post sobre Santa Cruz de Minas, município vizinho onde estão localizadas estas atrações, mas que não é atendido pela BR 265. Vá pela Estrada Real.

Estação de Trem de Tiradentes

Estação de Trem que liga Tiradentes a São João del-Rei. As marcas da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas – ainda estão no prédio, mas hoje a linha é administrada pela Vale – Companhia Vale do Rio Doce.

4 – De ônibus Saindo em horários regulares, as viações Presidente e CIC fazem o percurso entre os três municípios, São João del-Rei, Santa Cruz de Minas e Tiradentes, todos atendidos pela Estrada Real. Um passeio que vale muito fazer. É o preço de uma passagem de ônibus municipal e os pontos de ônibus estão em São João del-Rei ao lado da Rodoviária e ao lado da Estação de Trem turístico, onde tem o Museu do Trem da EFOM – Estrada de Ferro Oeste de Minas, de propriedade da Vale (do Rio Doce).

5 – De Trem A Joia da Coroa! Viajar entre duas cidades numa Maria Fumaça do tempo do Império. Viagem no tempo! O preço pode ser um tantinho alto se você tiver família grande, mas a locomotiva parte lotada todos os finais de semana e feriados em passeios de 12 minutos. A passagem inteira custa R$ 56,00. Há meia-entrada e a possibilidade de apenas fazer o trecho de ida, que fica em R$ 40,00. Isso são preços de outubro de 2014. E quando chegar a Tiradentes, vá sem pressa. Fique, passe uma noite.

Estação de Trem de Tiradentes no começo da noite.

Estação de Trem de Tiradentes no começo da noite.

A cidade é quase que inteiramente cercada por uma serra, chamada de Serra de São José, que foi um dos antigos nomes da cidade. O nome é homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o vulto histórico “Tiradentes”. Outros nomes foram “Arraial Velho de Santo Antônio”, e “Vila de São José do Rio das Mortes”.

Busto de Tiradentes

O herói dos tempos de República – Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

A cidade só recebeu o nome atual após o fim da Monarquia. E como toda boa cidade precisa de um herói, porque não colocar o valente inconfidente que morou no local e onde se reuniram os personagens da Inconfidência?

Karina na janela

Lembra a “moça namoradeira”? Olha aí minha namoradinha.

A maior parte da cidade é em estilo histórico. A serra é onipresente, bem como a igreja Matriz de Santo Antônio. O visitante também fará paradas obrigatórias na praça central da cidade, chamada de Largo das Forras, com passeios de charrete pelo centro histórico, com o condutor acumulando funções de guia e contando histórias sobre casas, museus, igrejas, locais, histórias e lendas.

Charrete

Passeio de charrete pelo centro histórico e com direito a guia turístico. O próprio charreteiro conta tudo o que sabe sobre a cidade.

Quem leu o post sobre São João del-Rei vai lembrar que fomos nesta viagem para um Congresso sobre Educação na cidade, obrigação do doutorado da Karina na Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ, mas que dormimos em Tiradentes, local da pousada.

matriz

Igreja Matriz de Santo Antônio. E lá está a Karina, a toda sorridente senhorinha do castelo.

Chegamos de táxi no domingo à noite, que estava com problemas de refrigeração, superaqueceu e quebrou, nos deixando na mão bem do lado da Igreja Matriz. Fomos nós olhando mapa no celular e tentar achar a pousada “Caminho do Trem”, um pouco longe do Centro Histórico. Joga mochila nas costas e sai andando tentando encontrar a direção correta.

ladeira

Ladeira da Rua da Câmara.

A pousada tem esse nome porque fica perto da estação de trem da Maria Fumaça. É seguir pela Av. Governador Israel Pinheiro. Nada que mate ninguém de andar. Fizemos este caminho a pé várias vezes só para ir até o Largo das Forras para jantar.

entregalhos

Entre os galhos e telhados é possível ver a Igreja Matriz de Santo Antônio

O curioso da pousada é que há quartos na casa e do outro lado da rua, onde também tem uma piscina e estacionamento. O café da manhã deles é uma atração. Muitos pães, doces, salgados, pão de queijo, que é coisa da terrinha, sucos, doces, iogurte, frutas e até um pão francês com mussarela derretida, molho de tomate, no melhor estilo pizza. Dá pra ganhar um peso, porque é tudo sem miséria.

Matriz detalhe

Detalhe das torres da Igreja Matriz de Santo Antônio

Visitamos a Igreja Matriz de Santo Antônio, o Largo das Forras, dois museus na ladeira de frente para a Igreja da Matriz, chamada Rua da Câmara, um deles o IPHAN, nesta rua, número 124, tinha exposição de Aleijadinho e suas obras na cidade, no tem que em que ainda era conhecida como vila de São José do Rio das Mortes. Nome triste, né? O outro era o Museu da Liturgia, na Rua Jogo de Bola, 15. Vimos o busto de Tiradentes e descemos até o chafariz, que data de 1749 e matava a sede de cavalos, gado e tropeiros que seguiam pelas pastagens da região ou percorriam a Estrada Real. O detalhe é que estive em Tiradentes em duas ocasiões. Em 2010/2011, bebi a água gelada que descia de um aqueduto feito para tirar a água de uma nascente no meio da mata e levar até este chafariz. Agora, em outubro de 2014, a estiagem devastadora que por um tempo secou as nascentes do Rio São Francisco atingiu também a região. O clima estava muito seco, e do chafariz não caía uma gota. Seguimos ainda pelo duto, feito de pedras, com elevações para garantir a descida da água e no máximo vimos uma poça em meio às enormes pedras talhadas que compõem o aqueduto.

aqueoduto

Caminho suspenso do Duto feito de pedra para abastecer o Chafariz.

 

Aqueduto

Sem nenhum material moderno, este caminho percorre mais de 2 quilômetros e abastece o chafariz desde 1749. Nesta visita, o chafariz estava seco, as piscinas para o gado beber estavam secas e o caminho todo não tinha nada além de uma poça de água. A seca está forte em Minas.

Comemos em vários lugares, mas um local que chamou a atenção em especial foi o “Delícias Restaurante” com os colegas da Karina e professoras. Passando por lá, experimente também a Cachaça Jacuba é da região, não é cara e eu devo ter tomado três.

Delícias

Já sabe onde provar a comida típica mineira.

Como jantamos no Largo, não percorremos ruas adjacentes atrás de lugares para comer. Acontece que este restaurante está na rua ao lado da praça e faz frente com a rodoviária. Estava só um pouco afastado e por isso tinha menos visitantes. O cardápio do dia era a típica comida mineira, com muito arroz, carne, tutu de feijão, couve, cachaça e conta que não assustou ninguém. É bom ser curioso na hora de comer. É assim que a gente descobre os lugares bons e baratos.

bonecos

Os viajantes, retirantes, ou apenas cansados e perdidos. Os bonecos na mercearia lembram o passado de Tiradentes, construída por imigrantes, migrantes, viajantes e comerciantes de terras longínquas, entreposto e posto militar avançado para garantir a chegada das riquezas vindas do norte a caminho do mar.

Nos restaurantes do Largo fica a maioria dos restaurantes grandes. habituados a receber turistas, tivemos algumas pequenas surpresas. O que mais é servido é comida italiana. Muitas massas, pizzas, molho. Nada de comida típica, daí que encontrar um mais afastado com comida da região foi bem legal.

Relógio de sol

Relógio de Sol na Igreja Matriz de Santo Antônio

Os pratos são pequenos, em geral individuais e não são baratos. O curioso é que o garçom avisa isso ao visitante. Se perguntado, ele diz a verdade. Em outro, o atendimento era lento, a comida demorava, a conta não vinha. O restaurante servia pizza, a casa estava vazia, mas nada chegava. Até a cerveja demorava. O dono culpou a falta de mão de obra.

pimenta

O comércio em Tiradentes é forte e convidativo. Neste armazém, havia pimentas, queijos, doces, biscoitos, conservas, especiarias e um pouco de artesanato.

Para encerrar o assunto de gastronomia, a comida na Praça é cara, mas as cervejas como Bäcker e 3 Lobos, em vários sabores são baratas. As mesmas cervejas encontro no Rio de Janeiro e São Paulo por até R$ 20,00, lá estava apenas R$ 6,00. Compensa tomar um porre em Tiradentes!

chafariz

O Chafariz de Tiradentes – parada de tropeiros, gado, mercadores, cavaleiros e tráfego de joias e pedras preciosas. A nascente que matou a sede de tantos por quase trezentos anos estava seca.

Visitamos muito o comércio, que é especializado em artesanato, coisa comum na região. Madeira, pedra-sabão, ferro e outros metais, bonecas, tecidos, roupas, cerâmica, lustres e luminárias, tudo é motivo para virar decoração. E também comidas, conservas, doces, cachaças mineiras. Quem não quiser uma refeição, pode explodir com a dieta experimentando salgados e doces pela cidade. Mas tem que ter cachaça!

Karina em Tiradentes

Olha aí meu Docinho, sorrindo para a foto na ladeira de frente para a Igreja Matriz de Santo Antônio – Rua da Câmara.


Dicas de Viagem:

Mas nós descobrimos que dá pra pegar o ônibus da viação Presidente no ponto ao lado da rodoviária e no Museu do Trem. Preço de tarifa de ônibus municipal. É que os ônibus da viação Presidente são proibidos de embarcar passageiros dentro da rodoviária de São João del-Rei. Para desembarcar tem ponto, para embarcar, é proibido.


gramado

Gramado ao redor do Chafariz de 1749. é começo de primavera, mas o tempo está muito seco.

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