Petrópolis – As terras altas do Imperador

Uma das ruas do Centro. Petrópolis é uma grande cidade com muito o que ver.

Uma das ruas do Centro. Petrópolis é uma grande cidade com muito o que ver.

Pouco depois do meio de novembro, fui até o Rio para comemorar o aniversário da Karina.

A moça fez mais um aninho de vida e generosamente me presenteou com uma viagem a Petrópolis e Teresópolis, conhecendo rapidamente Itaipava, assim, de passagem, mas deu pra ver bastante da cidade.

A Karina é ótima para organizações. Verifica tudo antecipadamente, planeja, faz roteiros, pesquisa preços e tem TOC.

Chegando à Petrópolis. A serra dos órgãos faz bem aos pulmões e aos olhos. Vista do alto do morro onde está o Trono de Fátima.

Chegando à Petrópolis. A serra dos órgãos faz bem aos pulmões e aos olhos. Vista do alto do morro onde está o Trono de Fátima.

O roteiro era bem simples a princípio:

Ir para Petrópolis, no hotel que a Karina já havia reservado por internet (ah, essas maravilhas modernas) sem fazer uma única ligação telefônica e sem gastar um centavo (Ela fez o mesmo em outras viagens). Conhecer a cidade que era propriedade da família real brasileira na sexta-feira, passar a noite e seguir para Teresópolis no sábado, para conhecer a cervejaria Therezópolis à tarde e participar de uma prova de cervejas artesanais. Só de ouvir isso meus joelhos já se chacoalharam um tantinho.

Praça da Inconfidência e Hotel Grão Pará. Um dos melhores cafés da manhã em hotel que já provamos.

Praça da Inconfidência e Hotel Grão Pará. Um dos melhores cafés da manhã em hotel que já provamos.

Mas Teresópolis fica para outro post. Hoje o tema é Petrópolis, que tem muito o que ver, curiosidades e absurdos típicos do Brasil e mais uma coisa – TAMBÉM TEM UMA CERVEJARIA!!!

Um tema de cada vez.

O absurdo:

O nome deste absurdo é Laudêmio. Trata-se de um imposto pago à Família Real Brasileira por ocasião da venda de imóveis, terrenos, casas, propriedades de terra.

A parte mais absurda é que os tais herdeiros reais não têm nada de “real” numa democracia e vivem de uma fortuna anual de uma taxa de 2,5% do valor do imóvel negociado,  dividida entre os 10 herdeiros, que ano passado, alcançou aproximados R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais).

Fachada do Museu Imperial. Pena não poder fotografar. Há muita coisa para se ver aqui.

Fachada do Museu Imperial. Pena não poder fotografar. Há muita coisa para se ver aqui.

O que ver em Petrópolis.

Vindo da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, o Imperador Dom Pedro II subia a serra dos Órgãos e passava o escaldante verão nacional em Petrópolis. O clima mais fresco era mais suportável ao gosto fresco da família fresca imperial.

Sendo assim, há muito o que ver na cidade.

Liteiras, charretes e desobrigantes no pavilhão das viaturas.

Liteiras, charretes e desobrigantes no pavilhão das viaturas.

Nossa primeira parada foi no Museu Imperial, de belo jardim, estrutura bem conservada, decoração em madeira e rica em detalhes arquitetônicos, conta ainda com charretes e liteiras (sim, LI-TEI-RAS) usadas pelo imperador, armas, quadros, instrumentos musicais únicos no mundo, a pena usada pela Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea e até uma locomotiva.

Locomotiva nº 11 no Pátio Interno (Pavilhão das Viaturas) - 1982

Locomotiva nº 11 no Pátio Interno (Pavilhão das Viaturas) – 1982

Por questões de frescura brasileira, não é permitido fotografar dentro do museu.

Catedral de São Pedro de Alcântara

Em seguida,  conhecemos a Catedral de São Pedro de Alcântara. A semelhança de nomes não é mera coincidência.

Em seguida,  conhecemos a Catedral de São Pedro de Alcântara. A semelhança de nomes não é mera coincidência.

Estes são apenas alguns dos vitrais da Catedral.

Estes são apenas alguns dos vitrais da Catedral.

Grande, gótica, cheia de mármore e vitrais coloridos. Quem for protestante ou evangélico e por motivos de religião achar que não deve ir, sugiro repensar; o trabalho feito é arte em seu estado mais refinado.

Tenho que admitir que católicos sabem fazer igrejas caprichadas.

Tenho que admitir que católicos sabem fazer igrejas caprichadas.

E continuando pela mesma avenida Ipiranga, que tem a catedral na esquina e virando as costas para o canal de águas, o visitante verá a casa dos sete erros.

Ache os 7 erros.

Ache os 7 erros.

Ainda no quesito religioso, de vários pontos da cidade é possível ver o Trono de Fátima, em local alto, servindo também de mirante para toda a cidade.

Vista do Trono de Fátima, enquanto esperávamos na fila do bar da Bohemia.

Vista do Trono de Fátima, enquanto esperávamos na fila do bar da Bohemia.

Pensei em ir até lá, para fotografar Petrópolis do alto, mas a Karina lembrou de sua tenra infância, e lembrou que mesmo de carro, o local pareceu distante e a subida parecia não acabar nunca. Ela preferiu ficar na tranquilidade da Praça 14 BIS e visitar o Palácio de Cristal a ter que subir tudo aquilo de novo.

Imagem de uma visita anterior da Karina a Petrópolis

Imagem de uma visita anterior da Karina a Petrópolis

Praça 14 Bis

Visite o museu de Santos Dumont e descubra o motivo do nome. Não é o que você pensou.

Visite o museu de Santos Dumont e descubra o motivo do nome. Não é o que você pensou.

A já comentada Praça 14 Bis é seguindo pela avenida Roberto Silveira, mas a outra Praça é mais famosa, a Praça da Liberdade. Lá você estará na esquina do Museu de Cera, do Museu Casa de Santos Dumont e do Relógio de Flores, no jardim da Universidade Católica de Petrópolis.

O mundialmente famoso Relógio de Flores.

O mundialmente famoso Relógio de Flores.

Todas estas atrações ficam na Rua Barão do Amazonas, exceto o Museu Casa de Santos Dumont, que fica na Rua do Encanto, 22.

Santos Dumont morou aqui.

Santos Dumont morou aqui.

Museu de Cera

O Museu de Cera é pequeno, mas é ajeitadinho, viu?

Os pequenos notáveis. Santos Dumont e a lindinha da Karina.

Os pequenos notáveis. Santos Dumont e a lindinha da Karina.

Notei que todas as pessoas que visitaram, gostaram. Fica numa casa logo no começo da Rua Barão do Amazonas. Pequena. Se você não abrir os olhos, perde. Suba para o Relógio de Flores e do seu lado esquerdo você verá o Museu de Cera. Aqui pode fotografar com os personagens.

Vai ser muito, muito legal se você for conhecer o Museu Casa de Santos Dumont. Não vou estragar as surpresas com spoilers, mas a casa é muito bem pensada para ser prática. O material para ser visto é muito bom, incluindo filme, maquetes, tour com guias que gostam do que fazem e muito o que descobrir. Os valores são pequenos. Por ser professor, paguei meia entrada, mas a inteira é R$ 5,00 – claro, quando estivemos lá.

Olha que coincidência!! Batman, Pinguim e Coringa!

Olha que coincidência!! Batman, Pinguim e Coringa!

E agora, a CERVEJARIA BOHEMIA!!

Faça como nós e jante feliz em boa companhia no bar que fica de frente para a rua ou no Restaurante Bohemia, no piso superior da própria fábrica, que não tem apenas a famosa cerveja Bohemia, mas uma variedade de cervejas artesanais para deixar feliz qualquer visitante exigente.

Entrada da fábrica da Bohemia. Decoração muito elegante, sabores extravagantes. Saiba apreciar.

Entrada da fábrica da Bohemia. Decoração muito elegante, sabores extravagantes. Saiba apreciar. 

Você pode apenas comer e beber, ou pode fazer o Tour pela cervejaria. O valor pode ter mudado quando você ler este post, mas quando fomos, era de R$ 24,00 por pessoa. Porém, já estava fora de hora, então, ficamos no restaurante. Você sabe, sexta-feira, o bar estava lotado.

Palácio de Cristal

Era dia da Consciência Negra e a cidade estava muito iluminada, toda em festa, eventos por toda parte. Antes de dormir, fomos ao Palácio de Cristal ver a festa que estava sendo anunciada o dia todo.

O Palácio de Cristal era uma estufa, hoje é local de eventos. É quente lá dentro.

O Palácio de Cristal era uma estufa, hoje é local de eventos. É quente lá dentro.

Passamos por lá antes, durante a tarde, mas o movimento aconteceu ao anoitecer. Também havia muito movimento na Praça 14 BIS e em outros pontos da cidade. Engana-se quem pensa que Petrópolis é pequena.

Noite de shows. A cidade estava mesmo agitada.

Noite de shows. A cidade estava mesmo agitada.

Hora de ir embora, pegamos o ônibus ao lado da Universidade Católica de Petrópolis e um morador, vendo que eu fotografava as casas em estilo de época, comentou que passa por aquele lugar todos os dias e já nem nota mais a beleza da cidade. Algo que me entristece no povo brasileiro. Não importa o lugar, somos cegos ao que temos e só enxergamos a grama do quintal do vizinho.

Passeio de charrete e Câmara Municipal. Tanto para ver em tão pouco tempo.

Passeio de charrete e Câmara Municipal. Tanto para ver em tão pouco tempo.

Seguimos de ônibus para o Quitandinha.

O Palácio Quitandinha foi construído em 1941 para ser o maior hotel e cassino da América do Sul. Lugar cheio de história para contar, com salas de decoração variada, teatro, pista de patinação, pista de boliche, jardim de inverno, a piscina mais funda que já vi e arquitetura de deixar qualquer um com olhos arregalados.

O impressionante e superlativo Quitandinha. A Karina insistiu muito em vir aqui. Ainda bem!

O impressionante e superlativo Quitandinha. A Karina insistiu muito em vir aqui. Ainda bem!

Para visitar, você tem que pegar uma entrada. É grátis em dias normais, mas há eventos e shows. Quando fomos, havia cartazes para vários eventos, incluindo apresentações de Ivan Lins. Visitamos tudo, cansamos de andar, fomos ao lago e jardins, descobrimos que além de SESC o prédio também é moradia (imagina morar num lugar desses!!!) e cansados e felizes, fomos para o ponto de ônibus pegar nosso transporte para a rodoviária.

De fora já impressiona. Espere até ver por dentro.

De fora já impressiona. Espere até ver por dentro.

Esperamos um pouco. Aos sábados a oferta de transporte diminui. Ficamos esperando mais de  meia hora, mas estava dentro da previsão das pessoas com quem falamos. Daria até para almoçar na rodoviária com o tempo de sobra que teríamos.

Um demônio cruza o nosso caminho

Foi nessa hora que, quando estávamos só a Karina e eu num ponto, um velhinho, todo querendo ser simpático, sentou-se no banco, como quem vai esperar o ônibus também. Como todo idoso, foi logo puxando conversa.

– Para onde vocês vão?

– Para a rodoviária.

– E vão de ônibus? Ah não! Hoje o ônibus vai passar só lá para as três e meia. Eu não aguentaria ficar esperando tanto.

Dito isto, levantou-se e partiu.

O sentimento de tristeza e desesperança invadiu nossos corações. Perderíamos o intermunicipal, a visita a Teresópolis, o Tour pela cervejaria! Não!!

Pegamos as mochilas e saímos andando. Tristes e irados. E começamos a descer a rua para chegar a outra avenida mais movimentada e de lá pegar um táxi. Poucas linhas de ônibus atendem o Quitandinha e só uma vai até a rodoviária.

Mas, nem andamos dez metros e eis que vira a curva o ônibus que queríamos.

– Volta pro ponto!! – Gritei para Karina enquanto sinalizava para o motorista parar.

Subimos e nos ajeitamos. Passado o susto, fui amaldiçoando o fantasma agourento. Velho desgraçado que apareceu apenas para desviar do caminho os penitentes peregrinos!

Chegamos à rodoviária, mesmo com a tentativa do velho Exú de dar um perdido em nós. Comemos e embarcamos tranquilos para a próxima parada, que em outro post eu conto.

Boa viagem!


Dicas de Viagem:


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