Caverna do Diabo

Cartaz na entrada do parque da Caverna do Diabo.

Cartaz na entrada do parque da Caverna do Diabo.

Nome assustador e medieval, remonta ao tempo da descoberta da caverna pelos negros fugidos da escravidão nas fazendas de cana de açúcar. A Caverna do Diabo foi refúgio e quilombo por anos.

Neste post vamos contar muitos spoilers da Caverna do Diabo, vamos ver coisas que você só veria se estivesse lá pessoalmente. Mas quer saber o por quê do nome? Então é melhor você ir até a Caverna do Diabo para descobrir pessoalmente! Hahahaahahah (Risada diabólica).

Nossa viagem começa seguindo pela famosa – tortuosa e complicada – BR 116, a Regis Bittencourt. Já chamada de rodovia da morte, hoje está sendo duplicada, mas vá com calma e bem atento. Acidentes com caminhões ainda são frequentes, especialmente após a passagem da Serra do Cafezal, quando a pista fica reta, longa e tranquila e o caminhoneiro cansado relaxa e acaba dormindo ao volante. Vi muitos caminhões caídos na vala entre as pistas de subida e descida, bem onde há menos riscos de acidentes e o caminho fica mais bonito.

Passeio-família. Calçados confortáveis, lanternas, olhos bem abertos e vá ver que bonito!

Passeio-família. Calçados confortáveis, lanternas, olhos bem abertos e vá ver que bonito!

Siga até o município de Jacupiranga. Prepare-se. Há sempre muito para ver nessas cidades pequenas. Há guias, lembranças para comprar e todos saberão dizer como pegar a vicinal que leva até Eldorado, município em que está de fato a Caverna do Diabo. Você verá clubes, lojas e estátuas falando da caverna como se ela fosse ali mesmo.

Chegando em Eldorado, entre, conheça a cidade. Há um minishopping, muitas lanchonetes, restaurantes e uma lojinha de doces que é um problema para quem está de regime. Se não quiser comer tudo bem, há um restaurante no parque da Caverna do Diabo e você sempre poderá voltar e comer na cidade, se não gostar dos preços no parque. Mas não são nada que seja absurdo.

Acho que é uma figueira-brava. A árvore é enorme e suas raízes são longas e igualmente grandes.

Acho que é uma figueira-brava. A árvore é enorme e suas raízes são longas e igualmente grandes.

O passeio começa bem. Natureza, muito verde, árvores enormes com raízes aparentes, só para lembrar o meu pouco conhecimento em botânica. Flores, cipós, samambaias, arbustos rasteiros e o canto dos pássaros. Riacho de águas claras, reluzentes como vidro polido e uma simpática ponte de concreto para dar ao visitante o ar que meu pedacinho do paraíso.

Chegamos de manhã. Esperamos um pouco pelo guia, que estava lá dentro com um grupo – Na Caverna do Diabo você só entra com um guia – nada que incomodasse. O trajeto dentro da caverna é bem mais longo que a espera.

Entrada da Caverna do Diabo. Vá sem medo. O diabo está enjaulado e bem trancado.

Entrada da Caverna do Diabo. Vá sem medo. O diabo está enjaulado e bem trancado.

A “porta” da Caverna do Diabo é pequena, mas seu interior é enorme. Fomos recepcionados um imenso salão, e depois outro. E depois escadas, passarelas e pequenas passagens. A caverna tem subidas e descidas constantes. O clima interno é frio. lanternas são essenciais, capacetes fazem parte do equipamento obrigatório e um lindo rio nos acompanha com seu som de águas da cachoeira ecoando pela entrada e ainda por um bom tempo até sumir por entre as enormes rochas.

Salão de entrada. Rio, cachoeira, friozinho e muito o que se maravilhar.

Salão de entrada. Rio, cachoeira, friozinho e muito o que se maravilhar.

O percurso permitido hoje é de apenas 700 metros. Digo apenas porque há rumores de que a Caverna do Diabo tem extensão total de mais de doze quilômetros terra a dentro. Um aventureiro levaria dias para alcançar seu final. O final da caverna, não do aventureiro.

Cores, texturas, formas. O mundo subterrâneo é cheio de surpresas.

Cores, texturas, formas. O mundo subterrâneo é cheio de surpresas.

Apesar do tamanho absurdo, a Caverna do Diabo não é a maior caverna de São Paulo. É talvez a segunda maior mapeada do estado. A maior, ao menos oficialmente, é Santana, que visitei também e que vou contar a visita logo mais. Acompanhe nos próximos posts.

O trecho seguinte aos dois salões é o mais rico em formações naturais. Pedras formadas por deposição de partículas que vêm com a água criam grande bolas cristaloides, não chegam a alcançar o teto da caverna, mas sua surpresa vem com a luz. Coloque sua lanterna sobre uma delas e você verá a pedra brilhar como um farol de carro.

A paisagem interna muda constantemente. Olhos bem abertos!

A paisagem interna muda constantemente. Olhos bem abertos!

Em seguida, o visitante se depara com as famosas estalactites, que são as rochas pontudas que se formam no teto das cavernas e aos poucos vão chegando até o chão. São formadas pela água que escorre sem pressa durante milhões de anos. A contraparte das estalactites são as estalagmites. Estas, saem do chão e com a deposição de resíduos trazidos pela água, vão subindo durante alguns milênios até encontrarem com as pontudas do teto, formando uma coluna, que cresce com o tempo.

As temidas e pontudas estalactites. Não se preocupe, não bata nelas e elas não caem em você.

As temidas e pontudas estalactites. Não se preocupe, não bata nelas e elas não caem em você.

Algumas estalagmites são rombudas, de ponta bem redonda. Está vendo a menorzinha no lado direito? Apoie sua lanterna acessa nela e veja o que acontece.

Algumas estalagmites são rombudas, de ponta bem redonda. Está vendo a menorzinha no lado direito? Apoie sua lanterna acessa nela e veja o que acontece.

Veja uma coluna em formação. É o que acontece quando a estalactite do teto encontra a estalagmite do chão.

Veja uma coluna em formação. É o que acontece quando a estalactite do teto encontra a estalagmite do chão.

Seguindo pelo trajeto, vamos ver o motivo do nome Caverna do Diabo. Mas eu não vou contar! Conto um pouco do que há pelo caminho, como a estátua da Virgem Maria, prostrada eternamente em meditação.

Consegue ver a figura esculpida na rocha durante milhões de anos? Foi chamada de Virgem Maria pela semelhança com uma mulher de véu, com mãos juntas, com em oração.

Consegue ver a figura esculpida na rocha durante milhões de anos? Foi chamada de Virgem Maria pela semelhança com uma mulher de véu, com mãos juntas, com em oração.

Não é de fato uma estátua, mas a forma da rocha trás a inevitável comparação.

Mais um pouco à frente, vemos São Jorge montado em seu cavalo, provavelmente pelejando com o tinhoso da Caverna do Diabo para não deixar que ele saia de sua prisão para atormentar as pessoas. Outro caso de semelhança curiosa.

A imagem é pequena, mas São Jorge Guerreiro, montado em seu cavalo branco prendem o coisa ruim dentro da Caverna do Diabo. De lá ele não sai!

A imagem é pequena, mas São Jorge Guerreiro, montado em seu cavalo branco prendem o coisa ruim dentro da Caverna do Diabo. De lá ele não sai!

Mais à frente, túneis, passarelas seguras de concreto e apoios de corrimão feitos de aço inoxidável, para não enferrujarem em local de tanta umidade e o visitante verá a Catedral do Centro da Terra – conjunto de formações rochosas que remetem a mais esta cena religiosa.

A Catedral do Centro da Terra - no alto do morro, dentro da Caverna do Diabo.

A Catedral do Centro da Terra – no alto do morro, dentro da Caverna do Diabo.

No caminho dos mais intrépidos, o Monstro da Caverna! Com olhos, boca, nariz, cabeça pontuda e pele rugosa. Tudo o que um monstro crescido deve ser.

Monstro da caverna. Deve ser da espécie do Jabba - the Hut, de Guerra nas Estrelas.

Monstro da caverna. Deve ser da espécie do Jabba – the Hut, de Guerra nas Estrelas.

E mais adiante, A jaula do coisa-ruim que mora na Caverna do Diabo. Entre, fique à vontade.

Está preso, está amarrado!

Está preso, está amarrado!

Claro que jaula é só um nome. A pessoa pode circular ao redor e por dentro. Cuidado onde toca e onde pisa. O ambiente da caverna é frágil.

Passarelas bem construídas e com corrimão de aço protegem o visitante. Mas cuidado! O piso úmido e barrento é escorregadio.

Passarelas bem construídas e com corrimão de aço protegem o visitante. Mas cuidado! O piso úmido e barrento é escorregadio.

Por favor não escorregue especialmente neste trecho. Você está prestes a descobrir o motivo do nome Caverna do Diabo, mas a altura aqui passa de cinco metros.

Por favor não escorregue especialmente neste trecho. Você está prestes a descobrir o motivo do nome Caverna do Diabo, mas a altura aqui passa de cinco metros.

Ao sair, apoie-se bem no corrimão. Cuidado onde pisa.

Atenção na saída, guarde lembranças, aprecie. O lugar é mesmo muito bonito.

Atenção na saída, guarde lembranças, aprecie. O lugar é mesmo muito bonito.

Ao entrar em cavernas, lembre-se desta regra:

Tire apenas fotografias, deixe apenas suas pegadas, mate apenas o tempo e leve apenas suas memórias.

Você não deve levar “lembrancinhas” de uma caverna. Lembre-se de que o que está lá demorou milhões de anos para existir. Deixe tudo no lugar para que outros possam ver.

Sem pressa no passeio, ouça o guia. Ele tem histórias e curiosidades bem legais para te contar se você tiver a gentileza de deixar que o guia faça seu trabalho.

Vá com calma na saída. O caminho é plano, mas deixe seus olhos se acostumarem de novo com a luz.


Dicas de Viagem:

  •  Revise os freios e vá com calma. A viagem é longa.
  •  Sentiu sono? Café ou maçã têm o mesmo efeito, sabia? Tome um café antes, coma uma maçã no caminho e aproveite a paisagem, que é muito bonita.
  •  Entre em Jacupiranga e siga por uma estrada vicinal até Eldorado.
  •  A caverna está próxima a comunidades quilombolas. No caminho há uma escola grande e recente. Dirija com cuidado, há crianças atravessando a pista para estudar e inclusive aos finais de semana. As pessoas vão às igrejas.
  •  Use calçados confortáveis e aderentes. Quem escorregar, leva lama para o assento do carro.
  •  Não esqueça das lanternas. Você pode alugar material no local. Economize uns trocados e leve de casa.
  •  Quem tiver dificuldades respiratórias pode gostar de usar um lenço tampando nariz e boca, ou uma máscara médica. O ar está cheio de partículas suspensas.
  •  Se você tiver medo de morcegos, relaxe. O controle de zoonoses fez um excelente trabalho e ao menos na Caverna do Diabo não vimos nenhum morceguinho.
  •  Quer saber mais? Veja aqui: http://www.cavernadodiabo.com.br/

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