Páscoa em Santana de Parnaíba.

Cidade pequena, mas orgulhosa de seu histórico com os bandeirantes, Santana de Parnaíba vem crescendo, cria monumentos e ainda mantém o Centro Histórico preservado.

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Monumento no trevo de entrada em Santana de Paraíba. Estátuas de animais, índios, negros e fundadores retratados em bronze com perfeição e detalhes.

Que tal passar em Santana de Parnaíba nessa Páscoa? A cidade está a apenas 56km de São Paulo e tem muita história e muitas estórias boas para contar aos visitantes. Karina e eu estivemos lá e vamos contar um pouquinho do que vimos.

Sabe aquele passeio que você faz mesmo com pouco dinheiro? Este tipo de viagem curta pode ser muito divertido e sempre faz muito bem.

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Santana de Parnaíba é orgulhosa de sua origem. O Monumento aos Bandeirantes retrata a bravura e o espírito de conquista superando todas as dificuldades.

Em nossa visita a Santana de Parnaíba, resolvemos ir de trem. Nada de preocupação com trânsito, direção ou Lei Seca.

Ônibus até o Metrô de São Paulo, trocamos para o trem na estação Barra Funda, fomos conversando, olhando pela janela, vendo o que tinha de novidade, descemos em Pirapora e de lá, ônibus até Santana de Parnaíba. Descemos um ponto após o Monumento aos Bandeirantes, na entrada da cidade. Há quem reclame do tempo, da falta de comodidade, mas levamos menos de duas horas e fomos olhando pela janela, rindo e fotografando sempre que possível. Faz isso de carro, quero ver. Sem contar o custo. Imagino que gastamos seis vezes menos que se de carro e nem precisamos procurar lugar pra estacionar. Só com estacionamento já gastaríamos o dobro do que gastamos.

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O índio de bronze é apenas uma das 23 estátuas do Monumento de Santana de Parnaíba.

Mais que uma cidade satélite, Santana de Parnaíba  mostra uma economia bem desenvolvida e aptidão para o turismo. Tanto que há na entrada da cidade, um monumento dedicado às bandeiras e aos bandeirantes, motivo de orgulho da cidade. Nas imagens, podemos ver a perfeição das 23 esculturas em bronze representando atos heroicos dos desbravadores do Brasil, índios, escravos, animais e os fundadores de Santana de Parnaíba, paisagismo e arquitetura em pedra numa peça de 6 metros de altura, por 20 de cumprimento por 60 de largura, com dois pórticos e conjunto de águas.

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Bandeirantes, índios, negros, escravidão, fé, coragem e violência. Mas o monumento de Santana de Parnaíba também tem espaço para alegrias e ternura, além das representações perfeitas de animais da região.

E isso tudo, apenas no trevo de entrada da cidade, chegando pela Estrada dos Romeiros. O trânsito é pesado e há muitas obras no entorno. Como eu disse, a cidade está se desenvolvendo.

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Sempre que vejo um sítio histórico fico imaginado, “Quem vivia aqui?”, “O que havia nesta casa?”

Dois quarteirões subindo a ladeira, o visitante passa pela rua XV de Novembro, importante e conhecida rua de todas as cidades brasileiras. Ali começa o Centro Histórico. Siga pela esquerda e veja ateliês de artistas e artesãos locais ou vire à esquerda para ver as casinhas do século XIX ou anteriores e continue andando até a Praça da Matriz, o coreto, os bares e restaurantes, a prefeitura e o museu Anhanguera.

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Prefeitura de Santana de Parnaíba, em frente à Igreja de Sant’Ana.

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Museu Anhanguera, ao lado da Prefeitura de Santana de Parnaíba.

Em dias de festa, a cidade capricha na infraestrutura e atende com banheiros químicos, policiamento, funcionários da prefeitura, limpeza e Guarda Civil Metropolitana. A estrutura vai bem para o Carnaval de Rua da cidade, que atrai gente de toda a região e cidades vizinhas, shows como festivais de bandas, eventos no aniversário da cidade e o que imagino seja a festa mais conhecida de Santana de Parnaíba, o espetáculo de Páscoa, o Drama da Paixão de Cristo.

Paixão de Cristo – A Páscoa dos Cristãos
Encenado às margens do rio Tietê, na barragem Edgar de Souza, em um espaço de 15 mil m², mais de 120 atores, 800 figurantes, fogos e luzes, o espetáculo narra o trecho dos últimos dias de Jesus entre os homens, a crucificação e posterior ressurreição.

Mesmo aqueles sem nenhuma religião devem apreciar o trabalho bem feito.

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Cena da Última Ceia – A Páscoa em Santana de Parnaíba.

Fundação de Santana de Parnaíba
Segundo a história oficial do município, Santana de Parnaíba foi fundada por uma mulher (duro golpe nos machistas), Suzana Dias, e seu filho, a partir de um comércio e estalagem que atendia os bandeirantes e tropeiros, que, vindos do litoral, faziam parada na localidade e de lá seguiam para a caça às esmeraldas e às riquezas do continente recém descoberto.

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Busto em homenagem a Suzana Dias, fundadora de Santana de Parnaíba.

O busto de Suzana Dias está em frente à Igreja Matriz, dedicada a (pausa dramática) Sant’Ana, ou Santa Ana, que segundo o cânon católico, é santa por ser a mãe de Maria, sendo avó de Jesus. A pronúncia popular criou a palavra Santana.

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Igreja Matriz de Santana de Parnaíba – Paróquia de Santa Ana – ou, Sant’Ana, como o povo passou a pronunciar.

A Atual edificação da igreja matriz é de 1882, mas a Paróquia de Sant’Ana já foi igreja de Santo Antônio, quando erguida a primeira vez em 1560. Nessa época, não mais que uma casinha de pau a pique, muito humilde, coberta por folhagens.

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Edificação atual da Igreja Matriz de Santana de Parnaíba, de 1882.

A segunda capela foi erguida em 1580 e chamada de Sant’Ana. Anos depois, em 1610, a terceira capela foi erguida. Esta elevada a matriz em 1625. A atual é tombada pelo CONDEPHAAT.

Centro Histórico
Do trevo de entrada de Santana de Parnaíba para o centro histórico da cidade, o visitante tem que subir alguns quarteirões. Mas nada que desanime. E para quem precisar, por onde andamos, vimos muitas rampas para cadeirantes. Como eu disse, a cidade sabe ser receptiva, inclusive pensando em acessibilidade.

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Há poucas ladeiras no centro histórico. A cidade de Santana de Parnaíba é plana em sua maior parte.

Visitar o centro de Santana de Parnaíba é uma viagem no tempo. As casas centenárias, os casarões restaurados e a arquitetura, com jeito de antigamente são um museu de alguns quarteirões para o visitante ver e se encantar. Além das casas, prestando atenção, você verá placas dos tempos dos avós, objetos de decoração que não são fabricados há décadas, pequenos detalhes aqui e ali nas construções e em algumas ruas, calçamento em pedra talhada, que é diferente de tijolinho ou paralelepípedo, estes, mais recentes.

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Riqueza nos detalhes das casas. Uma época em que arte e bom gosto eram para todos.

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Madames e cavalheiros não batiam na porta. Era chique que se usasse este artifício. A batida seria ouvida e o visitante não esfolaria os dedos.

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Bater palmas? Seja chique, use a campainha.

Carnaval em Santana de Parnaíba
Sim, estivemos em Santana de Parnaíba durante o Carnaval. Quer saber mais? Veja aqui nossa viagem – https://abussolaquebrada.wordpress.com/2015/02/18/viajamos-no-carnaval/

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Carnaval de rua em Santana de Parnaíba.

O Carnaval em Santana de Parnaíba é bem movimentado. O público vem de longe. A cidade lota. O Centro Histórico fica sem carros e há programação especial, incluindo as festas para crianças no Cine Teatro Coronel Raymundo.

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Fotografei o pessoal aqui e tentei enviar a foto por e-mail, mas deu erro. Desculpem aí, amigos. A foto ficou ótima.

O mais divertido é que se trata de um carnaval de rua e o palco fica atrás da Igreja Matriz. E na praça ao lado, o visitante que cansou de pular pode comer e beber nos restaurantes e lanchonetes da praça e da rua Bartolomeu Bueno da Silva. Aliás, foi lá que a Karina e eu paramos para almoçar e provar o chopp. Procure pelo Restaurante Trem de Minas.

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Detalhe da varanda do Restaurante e Chopperia Trem de Minas. Será que a gente ganha uma almoço grátis pela propaganda?

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E a vista da varanda do restaurante, de fundos e longe do barulho da rua.


Dicas de Viagem

  • Caminho de carro: Siga pela SP 312 Estrada dos Romeiros, saindo pela Anhanguera.
  • Ou, se preferir, siga aBR-116 e BR-374/SP-280 até a Estrada dos Romeiros, em  Pegue a saída 26B via BR-374/SP-280. Siga a Estrada dos Romeiros até R. Prof. Edgar de Moraes, em Santana de Parnaíba. Você chegou!
  • Se for de transporte público, use o trem saindo da estação Barra Funda do Metrô. Pegue a linha Turquesa, desça na estação Barueri e pegue o ônibus para Pirapora, número 424, a 50 metros da estação de trem, virando à esquerda e esquerda de novo. É o último de 4 pontos de parada. Nosso percurso deu quase duas horas.
  • Você também pode pegar ônibus no alto da Lapa. O ponto final fica a 4 quarteirões da estação Lapa.
  • Para comer, vá ao Trem de Minas. restaurante a quilo, com sacada. Chopp gelado, comida gostosa e atendimento com sorriso, sem esfolar o bolso do visitante. Rua Bartolomeu Bueno da Silva, 32 – Centro. E não nos pagaram nada para fazer a propaganda.

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Agora com licença que o dia foi longo e eu vou tirar uma soneca.

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