Instituto Moreira Sales e Museu Casa do Pontal

Aproveitamos o feriado para visitar o Museu Casa do pontal no Recreio dos Bandeirantes e Instituto Moreira Sales na Gávea e ver a exposição fotográfica de William Eggleston – A Cor Americana. Viaje com a gente nestes trabalhos tão bonitos!

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Subindo as escadas há o Mirante. Surpreende a quantidade de prédios que estão sendo construídos no entorno. O Rio de Janeiro continua crescendo.

Páscoa é divertida, Páscoa é feriado religioso, Páscoa é época de dar e ganhar chocolates. Mas a Karina e eu aproveitamos o feriado para também visitar alguns pontos do Rio de Janeiro que nem todos os moradores conhecem, que muitos turistas nem sabem que existe e que eu mesmo amei descobrir. É muita sorte ter por perto uma garota como a Karina, que conhece bem tanta coisa legal. Foi mesmo um feriado que vai ser difícil de esquecer. Mas se caso a memória falhar, fiz muitas, muitas fotos, para lembrar sempre!

Então vamos ao passeio.

Na sexta-feira, 03/04, visitamos o Museu Casa do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, que a Karina visitou quando ainda era uma menina, de uniforme escolar e talvez alguns dentes de leite e nenhum siso ainda.

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Colega de profissão se ofereceu para fazer uma foto nossa.

As peças em exposição contam a história do artesão popular. O mestre de artes desconhecido, o trabalhador braçal do agreste ou mesmo os retirantes maltratados pela seca e pelas amarguras mas resignados e unidos.

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É proibido fotografar dentro do Museu da Casa do Pontal, mas não resisti.

O acervo do Museu Casa do Pontal tem trabalhos em barro, como as esculturas populares nordestinas, peças fantásticas entalhadas em madeira e vindas de Minas Gerais, acervo de oito mil obras de 200 artistas populares brasileiros, num total de mil e quinhentos metros de galeria, indo do culto sagrado de orixás e santos católicos ao profano da piada, da bebida, da diversão de rua, cachaça e sexo.

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Estrada do Pontal, 3.295. Fique atento.

Para chegar, precisa pegar a Estrada do Pontal e ficar atento. Apesar das placas coloridas, o local tem poucas indicações e não fosse a Karina estar bem atenta, teríamos passado. Como de hábito, usamos transporte público, mas descobri que é possível pegar uma van no Leme. Veja mais em nossas Dicas de Viagem.

Ela me contou que há alguns restaurantes muito bons mais adiante, mas não estavam no roteiro desse passeio. Uma das coisas do Rio de Janeiro é essa capacidade de esconder sempre uma surpresa em seus cantinhos menos visíveis. Eu realmente gosto dessa cidade!

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O duo paulistano Os Gêmeos está representado no Museu Casa do Pontal.

Completando o Museu Casa do Pontal, há uma peça de Os Gêmeos, artistas de São Paulo que utilizam grafite, escultura, reaproveitamento de materiais e criatividade para montar algo novo, inesperado.

O visitante mais atento poderá ver peças de todos os tamanhos e cores e até esculturas que se movem ao apertar de um botão. Na roça também tem luz, oras!

Vá cedo depois da praia, vá à tarde, depois da praia, vá cedo, antes da praia, mas vá e veja quanta coisa bacana o povo deste país tem pra mostrar.

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Mapa para o Museu Casa do Pontal.

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Pedra da Gávea fotografada da Rua Marquês de São Vicente.

Instituto Moreira Sales.
O feriado de Páscoa foi seguindo e no domingo, 05/04, fizemos um passeio de bosque e cultura. A Karina me levou à Gávea para ver as exposições do Instituto Moreira Sales.

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Maquete do Instituto Moreira Sales.

Só a casa, aliás, a mansão, com sua arquitetura anos 1950/1960, com modernismo e leveza já valem uma visita. Some-se a isso o projeto de Burle Marx para o bosque com riacho interno e o jardim angular no quintal e o visitante talvez nem se recorde de entrar para ver as exposições. Mas esse foi o motivo de nossa visita, então, vamos ver o que há na casa:

O Instituto Moreira Sales do Rio de Janeiro está com três exposições em cartaz.

A principal é a mostra de William Eggleston, A Cor Americana.

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William Eggleston, A Cor Americana – no Instituto Moreira Sales.

Um evento para deixar orgulhosos os visitantes, porque segundo o Instituto Moreira Sales  – IMS, é uma exposição com 172 obras do fotógrafo. A maior já feita no mundo.

A coleção reúne as famosas refotografias de Eggleston, que vieram do acervo reunido de vários e importantes museus norte-americanos, como o Museu de Arte Moderna de Nova York e o Museum of Fine Arts de Houston.

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Outra situação em que não se pode fotografar as peças. OK, sem spoilers!

William Eggleston é famoso por sua interpretação dos Estados Unidos de luxo e desgaste, retratado em cores vibrantes, resultado da técnica de dye-transfer, em que a  impressão fotográfica é colorida em excesso de tintas num processo químico. Uma técnica já extinta, mas marca registrada do fotógrafo, que utilizava este recurso para contrastar o moderno do sonho americano com a decadência da vida real, com muita ironia e exuberância multicolorida.

A exposição conta ainda com o curta-metragem experimental Stranded in Canton (Encalhado em Cantão).

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O Rio de Janeiro de Marc Ferrez

Segunda Exposição: Rio: Primeiras Poses – Fotos de 1840 a 1930.
Imagine-se no Rio de Janeiro nos anos iniciais da fotografia. O que você registraria com sua câmera?

Nas imagens amareladas, com tons de cobre ou em nuances de cinza, Marc Ferrez e um grande elenco de patriarcas da fotografia imprimem as luzes da Cidade Maravilhosa em imagens que guardam o passado distante. O encanto extra é ver os documentos usados na época, a tecnologia, os poucos recursos, e ver ao mesmo tempo um fotógrafo subir um dos morros do Rio carregando a pesada caixa escura, elegantemente vestido de fraque, cartola e gravata borboleta e com uma barba esculpida de fazer inveja ao próprio Machado de Assis.

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Projeto de Burle Marx no jardim do Instituto Moreira Sales.

Passeie pelos arcos da Lapa, Copacabana e Glória quando estes lugares ainda eram tão recentes quanto o Império do Brasil. Viaje no tempo e volte ao presente vendo o Rio de Janeiro com olhos ainda mais abertos.

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Cuidado. Isso é uma porta que se abre sozinha.

Esta imagem é uma porta que se abre sozinha. A Karina quase foi hospitalizada quando chegou perto demais. Há um sensor. E o susto dela por estar tão perto foi capaz de me fazer chorar. De tanto rir dela.

Terceira Exposição: Um passeio pelo Rio: a cidade nas andanças de Joaquim Manuel de Macedo

Aquarelas, ilustrações, desenhos absurdamente realistas feitos apenas com finos traços de alguma ponta de pena, assim é a exposição das Andanças de Joaquim Macedo, conhecido por seu trabalho como escritor, inclusive é dele a obra A Moreninha, além de textos e crônicas no Jornal do Commercio.

À prosa do escritor se unem gravuras de vários artistas, retratando com delicadeza e cores brandas a vida dura do século dezenove.

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Espelho d’água no Instituto Moreira Sales.

Aproveite pegue alguns cartões postais. Há um mini livro com explicações da mostra de um lado e seis gravuras do outro. Você pode separar, pois são picotados e dividir com os amigos que gostem. Aqui também usamos transporte público. Sem essa de dirigir e passar raiva. Como o próprio Joaquim Manuel de Macedo disse: “Quem passeia não tem pressa, e quem tem pressa não passeia.” Fomos sentados na janelinha apreciando a vista.

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O auditório tem excelente sonoridade. Do lado de fora, a chuva caiu forte. Do lado de dentro, só ouvimos Chorinho.

Chorinho no Forte
Para encerrar o domingo, fomos passear por Copacabana. Eu queria fotografar o Forte. Olhando no celular, a Karina descobriu que havia um show de Chorinho às 19h. Baratinho, R$ 6,00. Claro que fomos. E descobri que preciso voltar ao forte urgentemente! Há muita coisa para ver por lá!

Neste domingo, 12/04 tem mais um show de Chorinho. Chegue 17h para comprar os ingressos. E como bem lembrou a Karina, o ingresso é para entrar no forte, e dá direito a ver as exposições e salvo alguma exceção, os shows.


Dicas de Viagem:

  • Instituto Moreira Sales do Rio de Janeiro:
    Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea – http://www.ims.com.br/ims/
    Horário de visitação: de terça a domingo e feriados, das 11h às 20h.

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