Jundiaí

Jundiaí – E o Museu do Trem.

Lembrando de minhas aulas de história da 5ª série, fomos conhecer a famosa Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, ver placas comemorativas e moedas com o perfil do Imperador Dom Pedro II. Vamos conhecer a rota do café do interior paulista até o Porto de Santos e o Museu do Trem de Jundiaí.
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Estação de Trem de Jundiaí – Fim da linha 7 Rubi da CPTM.

Fomos visitar Jundiaí, a cidade que ligou o interior paulista aos portos do litoral em tempos de epidemias.

Em outro post, falamos sobre Paranapiacaba, vila inglesa construída no limite da Serra do Mar. Esta linha de trem é a famosa Santos-Jundiaí, que servia para transporte de cargas, especialmente grãos de café, nos bons tempos em que o Brasil era o maior exportador do mundo neste produto, e transportava também passageiros do interior do estado aos portos paulistas.

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Placa comemorativa do Centenário da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

Jundiaí também é terra de italianos, que imigraram para a região no século 19 e foram aproveitados como mão de obra, ainda mais quando a lei proibiu o trabalho escravo de índios e em seguida de negros.

Foi nessa época que epidemias de febre amarela assolaram o interior paulista. Para evitar que a doença chegasse à capital, as pessoas tinham sua locomoção controlada. O trem fazia desvios, não entrava nas cidades grandes. Mas o café precisava continuar seu caminho. A solução foi construir um entreposto em Jundiaí. Longe de São Paulo, longe da febre amarela do interior, mas ligando as fazendas cafeeiras ao porto. Daí nasce a linha Santos-Jundiaí.

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O transporte de passageiros para em Jundiaí, mas o transporte de cargas continua.

Esta linha hoje é conhecida como linha 7 Rubi da CPTM, tendo inclusive um trem expresso para turismo, funcionando aos finais de semana.

A cidade de Jundiaí está a menos de 60 quilômetros de São Paulo, e de trem, o visitante chega lá em pouco mais de uma hora. Por ter tantos italianos e clima apropriado, a cidade é já conhecida por seus vinhedos, adegas e a produção de vinho de mesa. Com tanta uva na cidade, claro que como atração turística tem que ter a Festa da uva, além de muitas adegas, artesanato e artesãos, ecoturismo, vários museus e uma pinacoteca, seis parques, o Teatro Polytheama, a Ponte Torta e o Complexo FEPASA, com o Museu da Companhia Paulista, que fomos visitar.

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Em Jundiaí havia uma verdadeira vila ferroviária, com muitas casas servindo de escritório.

Jundiaí tem ainda o Parque da Cidade, que entre outras atrações, oferece ao morador e ao visitante Auditório para reuniões e eventos, Academia ao ar livre, Centro Náutico e Jardim Japonês – afinal, é comum nas regiões agrícola de São Paulo, forte presença nipônica, e isso também ocorre em Jundiaí.

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Central de comando de tráfego de trens. Em meio a casas abandonadas e trilhos quase cobertos pela vegetação.

Mas nosso tema principal é o Museu do Trem, bem próximo da Estação de Trem de Jundiaí.

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Jundiaí é um grande terminal ferroviário.

A Estação tem em sua decoração uma moeda comemorativa com o perfil de Dom Pedro II, placas de sua inauguração, arquitetura colonial e está perto do Museu do Trem uns 2km e do Mercado Municipal, a pouco mais de 1 quilômetro.

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Moeda com a efígie de Dom Pedro II na estação de trem de Jundiaí.

Seguimos em linha reta, passando armazéns e galpões dos tempos áureos do café. Atravessamos as casinhas da via férrea, os muros e os trilhos cobertos por vegetação. Continuamos pela Av. União dos Ferroviários até chegar em um espaço bem aproveitado, com escola,  faculdade, Poupa Tempo e o Museu da Ferrovia.

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Armazéns ao longo da Av. dos Ferroviários – Aqui eram estocadas as sacas de café e mais centenas de produtos.

Museu do Trem de Jundiaí

Chegando ao museu, temos três partes para ver. O pátio tem muitos modelos de trens do século 20, uns com cara de mais velhos, outros com aparências geométricas, trens bem grandes e trens maiores ainda. E até um trem que parece ter um focinho de porco.

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Parte Um: Trens expostos ao ar livre. Aqui, uma locomotiva com cara de triste e focinho de porco.

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Esta é uma locomotiva GE (General Electric) modelo V8, da década de 1940 – O maquinista saía pela frente, bem embaixo dos dois faróis que dão o aspecto de focinho de porco.

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Fachada do Museu do Trem – Siga pela Av. dos Ferroviários.

Neste pátio, há um sino, que era de uma antiga locomotiva, apelidada de Baratinha. A máquina foi desmontada, mas o sino está lá para quem quiser tocar. Segundo a faixa, se você tocar duas vezes o sino, receberá boas vibrações para o ano que vai começar. Os mais sensíveis podem achar o som um pouco estridente.

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O sino da Baratinha e as antigas locomotivas no pátio do Museu do Trem.

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Olha A Bússola Quebrada aí esperando as boas vibrações do ‘Sino da Baratinha’.

A parte dois do Museu do Trem está fechada ao público. Mas pela janela pude ver locomotivas, vagões, máquinas bem mais velhas do que as que estão do lado de fora. Claro que fiquei me coçando de vontade de pular o muro e ver essas máquinas de perto. Ela pareciam estar em reforma. Vamos esperar que possamos ver estas máquinas logo mais.

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A locomotiva ‘Baratinha’, modelo elétrico GE B-B, dos anos 1920. (GE – General Electric).

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Imagina a pancada que deve ter sido.

A parte três do Museu é bem completa. São fotografias das linhas férreas, desenhos de antigas locomotivas, manequins vestidos com o uniforme da época mais glamorosa das linhas férreas, uma infinidade de peças de época, como artigos de chá, louças, peça de metal para restaurante e cozinha, afinal, os vagões restaurante eram padrão na época, máquinas diversas, balanças, equipamento de linha, como sinalização luminosa, placas comemorativas, uniformes de trabalhadores e até uma reprodução de da sala de controle de tráfego e de um escritório da companhia ferroviária de fins do século 19 e começo do século 20.

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Maquete de Maria-Fumaça de 1926 – Em cima está escrito Companhia Paulista – Em baixo, ‘Officinas de Jundiahí’ – Sem estragar a surpresa. Tem muito mais para ver no Museu do Trem de Jundiaí.

O melhor de tudo é que o visitante é recebido por uma maquete rica em detalhes de uma locomotiva movida a vapor, com todos os detalhes, de uma legítima Maria-Fumaça de 1926, CP – da Companhia Paulista. E claro, depois há maquetes de estações, pátios ferroviários e todo o centro nervoso da Estação Ferroviária de Jundiaí.

E o mais incrível é que este tesouro todo é gratuito para quem quiser ver.

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Polska – Locomotiva classe Thomas Rogers de 1855 – Desenho em um quadro no Museu do Trem de Jundiaí.

Depois de vermos tudo, depois de fazer o sino tocar forte, fotografar e cansar as pernas de tanto andar, nada mais justo que almoçar em Jundiaí, afinal, viajar e não comer a comida local é um crime contra o povo da região e uma vergonha para qualquer viajante.

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Imagino que as meninas adorariam viajar numa locomotiva como esta, com inscrição Egypt, 1862. Outro desenho no Museu do Trem.

Fomos ao Mercado Municipal de Jundiaí.

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Fachada do Mercado Municipal de Jundiaí, na Av. dos Ferroviários.

Entre lojas e lanchonetes, comemos pastéis de tamanho e peso e bebemos cerveja artesanal de Jundiaí, que descobrimos na loja Maxi Mix Armazém. Acho que o dono é árabe. Primeiro por causa do camelo na fachada da loja, depois, porque vimos uma Mesquita bem bonita em Jundiaí, e depois, porque a loja diz ser especialista em produtos árabes. Fiquei desconfiado.

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Dentro do Mercado Municipal de Jundiaí, a loja Maxi Mix Armazém.

No Mercado Municipal de Jundiaí, o visitante pode muito bem pegar um pastel numa loja e cerveja artesanal na outra, como fizemos, Karina e eu, comprando o almoço no Pier III e levando até a Maxi Mix Armazém, onde bebemos cerveja Bier Nards, orgulhosa de ter nascido em Jundiaí e com vários sabores diferentes, como escura, clara, pale ale, trigo, e mais algumas. Claro que comemos porções de queijo e salame também, afinal, precisávamos acompanhar as cervejas. A loja que fomos tem muitos importados e bebidas para vários gostos.

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Alguns dos rótulos da Bier Nards, cerveja nascida e criada em Jundiaí.

Voltando para a estação e trem de Jundiaí, para voltarmos para casa, ainda vimos o Clube do Jeep Jundiaí e o Clube do Carro Antigo Jundiaí, ambos no mesmo imóvel. Estavam fechados no dia, mas quero fazer contato para uma visita em dia de evento e ver o que eles têm por lá. Que tal um post sobre carros antigos?

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Jeep Clube e Clube do Carro Antigo

Quase chegando na estação, descobrimos uma autêntica mesquita em terras brasileiras.

Um prédio de construção moderna, mas mantendo os padrões estéticos das terras do Oriente Médio. No posto de semana passada, comentamos rapidamente sobre a Mesquita de Jundiaí  e agora posso mostrar algumas imagens do prédio.

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A Mesquita está próxima a uma igreja católica e ao lado de uma igreja evangélica. Uma das coisas que temos de melhor no Brasil é que sabemos conviver com as diferentes crenças.

A Karina é carioca, não tem obrigação de saber, mas confesso que fiquei pensando que conheço pouco de meu estado e de tantas coisas que há para descobrir tão pertinho de casa.

Ainda não visitamos o centro histórico de Jundiaí, mas logo mais vamos voltar. E então eu conto para vocês!

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Locomotiva no pátio do Museu do Trem de Jundiaí.

Boa viagem e até a próxima semana!


Dicas de Viagem:

  • Como chegar – Corredor Norte-Sul da Rodovia dos Bandeirantes;

– BR 050
– Trem, linha 7 Rubi da CPTM;
– Os algumas linhas de ônibus saindo da Zona Sul de São Paulo.

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