Grafiteiros de todas as épocas

É feriado do Dia do Trabalho e vamos sair para conhecer São Paulo. Exposição de graffiti no Parque do Ibirapuera, Picasso e os Modernistas Espanhóis no CCBB-SP, a vista privilegiada da cidade de São Paulo e muitas festividades, começando no 1º de maio. Viajamos na arte e nas ruas!

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Vista noturna da Cobertura do Hotel Unique, o nome do bar é Skye – Ao fundo, o skyline da Av. Paulista.

Feriado em São Paulo, Dia do Trabalho, e a Karina viajou do Rio só para me ver. Mentira, ela também veio ver as amigas. Aliás, uma delas está indo viajar para a Espanha. Parece que vai para ficar.  E aproveitamos a curiosidade dessa amiga e mais outras para visitar o Hotel Unique em São Paulo, que tem um bar com piscina na cobertura e oferece uma vista de São Paulo que pouca gente vai ter.

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O Hotel Unique foi construído em forma de navio. Foto: Site do Hotel Unique.

Graffiti no Pavilhão das Culturas Brasileiras

Antes de irmos ao hotel, mais cedo, em pleno dia 1° de maio, fomos ao Parque do Ibirapuera ver o que há de bom em grafite. Ou, no original, graffiti.

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As obras começam do lado de fora. Nada mais apropriado para um graffiti que estar no muro de um prédio.

O Graffiti é plural de graffito, que vem do latim. Já é usado desde os tempos do Império romano. A origem é escrever seu nome em alguma superfície que não tenha sido criada para essa finalidade. Algo como assinar um trabalho artístico, ou apenas rabiscar o nome em um muro ou prédio.

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Símbolos nacionais e protestos. O graffiti é a arte que une as artes, a cidade e o povo.

O Graffiti moderno começou mais para os anos 1950, em Nova York, com gangues delimitando seus territórios. Foi evoluindo até ganhar o status de Street Art. E hoje temos muitos expoentes dessa arte tão dinâmica, como Banksy, grafiteiro de rosto oculto mas conhecido internacionalmente, os Gêmeos, aqui no Brasil, o Kobra, que tem material muito legal em várias avenidas, como a Vinte e Três de Maio.

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E por falar em protesto, a imagem é referência.

Os materiais usados na confecção dos trabalhos vão além de apenas pintar em painéis. Os artistas urbanos que estão participando vêm de vários países, são mais de 60 e usam tecido ao invés de muro, placas de madeira, lonas, muros de tijolos, papel, o chão e também esculturas como bonecos espalhados pelo Pavilhão. Dentro e fora do prédio.

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Um ônibus todo decorado. Graffiti em metal.

Uma dessas esculturas que mais me chamou a atenção é a de uma boneca em tamanho quase natural, muito bonita, sem pernas e um pouco sinistra, pendurada girado de um lado para outro.

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A doce e sinistra boneca suspensa.

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O boneco solitário na escadaria do Pavilhão das Culturas Brasileiras.

A Karina gostou de uns bonecos que me lembraram personagens de filme. Quem já viu a animação “9 a Salvação”?

Aliás, outra coisa do Graffiti atual é este flerte com todas as outras artes, atualidades, cultura e história. Tudo o que acontece no mundo vai muito rapidamente para as telas urbanas, algumas vezes, ganhando espaço permanente nas cidades.

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A Karina gostou muito deste.

Esta mostra segue até dia 19 de maio. É bom correr.

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Arte e protesto, arte e cultura. Este agradou nós dois. Alguma dúvida de que graffiti é arte de verdade?

Picasso e a Modernidade Espanhola.

Domingo, dia 3 de maio, fomos a outra exposição bem legal.

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Picasso e a Modernidade Espanhola no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.

Desta vez, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, ou, CCBB-SP.

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Olha a representante mais bonita da Bússola Quebrada!

A parte triste é que, apesar de levar a câmera, aliás, como sempre, não pude fotografar dentro da exposição por motivos de direitos autorais. E aqui fica a antiga reclamação à cabeça dos curadores brasileiros – Caras, ninguém vai entrar com câmera para fotografar o quadro e depois vender pôster ou livro de arte. Isso está na internet, está à venda baratinho. O sujeito que for fazer pirataria vai preferir CD de funk ou alguma outra coisa de giro mais rápido. Parem com essa coisa de não poder fotografar por causa de direitos autorais. Eu vou lá, faço fotos e publico aqui para todo mundo ver. A maioria dos museus do mundo deixa fotografar à vontade, no máximo pedem apenas para não usar tripé ou flash para não incomodar os demais visitantes. Chega dessas restrições, ok? Isso não tem mais sentido.

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Filme sobre a exposição, incluindo imagem do quadro Guernica – Fiquem tranquilos senhores curadores, não vou fazer pôster dessa obra e vender sem pedir vossa autorização.

Como a câmera estava proibida e tive que deixar no guarda-volumes, fiz algumas imagens com o celular. Nada de ilegal. Fotografei apenas o que não tinha placa nem ninguém pra dar bronca por causa de um simples clique. Assim mesmo, desculpem a pouca qualidade.

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Telões no hall de entrada do CCBB-SP. Essas modernidades…

Voltando ao tema mais legal, como a exposição sobre Picasso e os modernistas está no prédio todo, o visitante sobe direto ao quarto andar e depois vai descendo, até o sub-solo, onde também há muito para ver. Cuidado para não sair antes de ver o acervo completo.

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Você pode descer no Metrô São Bento ou Praça da Sé. A distância é pequena até o CCBB-SP.

Estão lá quadros de Picasso que eu só tinha visto em livros ou internet, obras de Salvador Dalí, Miró e muitos outros. A mostra tem origem na coleção “Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía”.

Esperava poder ver de perto Guernica, mas foi apenas mais uma ilusão. Um quadro tão famoso e caro dificilmente sairia da coleção particular onde está. O que pudemos ver foram os estudos para compor o quadro, desenhos em papel pardo, telas de preparação e depois um filme sobre todo o conjunto da exposição e uma tela interativa que mostrava os estudos de Guernica dentro do quadro completo. A tecnologia quebrando o galho de quem gosta mesmo de arte.

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Aponte com a lanterna e veja os estudos feitos por Picasso para criar o quadro Guernica.

E para quem reclama de esperar na fila, fomos, ficamos não mais que uma hora e ainda teve sessão de flamenco com canto e dança, o que deixou o pessoal na fila bem mais feliz.

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Fachada do CCBB, Van ligando grátis o Metrô ao CCBB-SP, instrumentos das apresentações de Dança Flamenca e uma visão do Centro de São Paulo. É tudo muito bem feito. Não tem desculpa para não visitar.

A temporada é curta. Este é mais um lugar que você precisará ser ligeiro para poder ver. A exposição encerra em São Paulo em 08/06 e parte para o Rio de Janeiro.


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