PETAR

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira ( E Reserva Betari)

Entramos nas mais assustadoras cavernas do PETAR, atravessamos quilombos e barrancos, selvas e rios para chegar aos locais mais distantes, às cavernas desconhecidas, aos mistérios mais profundos da Terra! Bem vindos ao dia mais emocionante de suas vidas!

Subindo o rio Iporanga para visitar uma caverna distante e cheia de maravilhas. Cinegrafista amador – Rafael Casati

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Ponte de madeira (e ferro) para a entrada da Reserva Betari. Quem faz boia-cross tem que ir para a margem neste ponto para ser levado de volta ao começo do percurso.

A ponte da fotografia acima é o ponto de partida de nossa aventura. Serve de acesso ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, o PETAR e também é a passagem para a Reserva Betari. Vamos ver um de cada vez para não confundir. Após essa ponte, há um morro alto e íngreme para subir. Dizem que aqui se separam os meninos dos homens. O que ninguém conta é que idosos e mulheres passam por este lugar todos os dias. É sofrido, mas é a vida que essas pessoas têm.

Nossa viagem começou subindo o rio Iporanga a caminho de uma caverna distante.

Começamos pelo PETAR.

Falar no PETAR é sempre difícil. Apenas para começar já dá algum trabalho. Separar todas as boas ideias que vêm na cabeça, lembrar de tantas aventuras e tantas cavernas fabulosas. E a palavra “fabulosa” acerta bem com o local. A mata é alta, densa, diferente. Resquício de Mata Atlântica. A vegetação apresenta plantas que não são comuns em nenhuma outra parte do mundo. A fauna, aves, mamíferos, répteis, são exóticos. Como este Sairá Sete Cores da imagem abaixo:

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Sairá Sete Cores. Debaixo das asas há ainda mais cores.

PETAR – Parque Estadual Turístico do Vale do Ribeira é uma região serrana que serve de área de preservação ambiental, área de proteção para espécies quase infinitas de plantas e animais e onde pude ver, coisas fantásticas como palmeiras reais, cemitérios indígenas de covas cobertas com conchas, um gavião branco, um falcão caçando sua presa, uma caverna que servia de cemitério de morcegos – acredite, isso existe – o Mirante do parque, paredões de rocha e os tantos Quilombos.

O PETAR é um parque que pode ser visitado com tranquilidade na maioria de suas trilhas, mas as cavernas só podem ser visitadas com guias. Cada guia pode levar até 8 pessoas. E como comentei nos posts sobre Iporanga e Núcleo Santana, no PETAR todo são mais de 300 cavernas catalogadas, mas sempre tem quem jura que sabe de uma que ninguém conhece.

Diferente da Caverna do Diabo, e das cavernas do Núcleo Santana, as cavernas do PETAR não são sinalizadas, não têm facilidades de acesso, recebem poucos visitantes e quem se atreve a ir até estas cavernas deve andar muito, seja de barco, a cavalo ou a pé e percorrer longas e cansativas trilhas, quando houverem trilhas, carregando víveres e equipamentos em mochilas. Meus companheiros e eu já dormimos em algumas cavernas umas tantas vezes. O clima interno é úmido, se você se molhar, a roupa não seca. O chão é frio e às vezes é pedra pura. Nada mau para quem ama entrar no meio do mato, suar, carregar peso, se encher de lama e picadas de mosquitos.

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Esta caverna é proibida. Só posso mostrar até aqui. O resto é a outra saída.

Só para você ter uma ideia, a convidativa imagem acima é da entrada de uma das cavernas, a Casa de Pedra. Ela está proibida por causa de acidentes fatais. Dentro dela há duas cachoeiras, um rio, um poço de profundidade desconhecida que forma um lago que deve ser atravessado obrigatoriamente.

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Saída da Casa de Pedra. A maior entrada de caverna do Brasil. São 250 metros de fenda na rocha e o rio que passa por dentro dela. Para sair, só subindo contra a queda d’água.

Costumamos separar nossas cavernas em grau de dificuldade. E as do PETAR são as mais difíceis. Túneis estreitos, passagens quase impossíveis, rastejar em lama, dentro d’água ou em pedregulhos. E também separamos em cavernas secas e de água. Muitas das cavernas que visitamos têm um rio dentro delas. Caso de uma de minhas favoritas, a Casa de Pedra.

No caminho, passamos por quilombos inteiros e quilombolas ou descendentes vivendo em casas rústicas de sapé, tábuas de madeira, troncos finos e vez ou outra alguma alvenaria, mas estas são raridade.

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Em nossas andanças vimos muitos quilombolas. Foto: Heber Souza

E ainda no meio do parque existem populações quilombolas, que têm pouco contato com a cidade próxima. Ao subir o rio Iporanga em um pequeno barco a motor, passamos por um desses quilombos.

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Este é um quilombo dos vários que existem no PETAR. A cidade mais próxima está a uns 30km.

Concentrando numa viagem recente, subimos o rio Iporanga de barco para visitar uma caverna muito distante, fantástica em todos os sentidos, enorme por dentro, mas muito bem escondida na encosta de um morro e de entrada bem pequena. Quem não souber bem o que é uma caverna, vai passar sem notar.

Trecho por rio, trecho por trilhas. Seguindo por terra, ainda tive a oportunidade de ver pela primeira vez uma nascente de rio. Normalmente as nascentes fazem um borbulhar subindo do fundo de um pequeno poço, formando uma lagoa rasa e pequena. Esta nascente saía do chão, com o rio como se saísse da terra e seguisse seu caminho. O curioso é que não se vê um buraco ou pequenas aberturas, apenas as ondinhas que a água faz ao sair da terra. Estávamos pisando em cima da nascente e o chão era firme.

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Em um dos salões da caverna majestosa que fomos visitar, vimos estalactites como estas. Brancas, finas ou largas, agulhas presas ao teto. E todo o ambiente é branco, revestido por uma espécie de rocha que imita cristal.

Subimos tarde para a caverna e meu medo se confirmou. Atravessamos um rio dentro da caverna e saímos encharcados e gelados de volta pela trilha. Como era noite, nada do sol para nos aquecer. Felizmente, um dos aventureiros preferiu ficar na fazenda onde acampamos e preparou uma fogueira e chá. Salvos!

Experimente dormir onde não há sol, com as roupas molhadas e frias. Por sorte, um morador local nos recebeu em seu sítio e um dos nossos  ficou por lá para fazer fogueira. Tivemos fogo ao chegar. Secamos o que pudemos de roupa e dormimos sobre a madeira do piso.

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O sítio onde ficamos. O local e suas cores, as árvores envolvendo toda a clareira e a falta de sol transformação aquele lugar distante em algo que só se vê em contos de fadas.

Dormimos no que chamei de Sítio Encantado. Tudo ali tinha um ar de irreal. A umidade do ar era tanta que a lente de minha câmera embaçou e passou a fazer imagens borradas. Para não estragar, deixei a câmera próxima do fogo por uns instantes e guardei. A exuberância da região dificilmente é superada. Atreva-se fazer uma trilha e você poderá confirmar pessoalmente.

Outro dia, outra caverna.

Na mesma viagem estivemos em várias cavernas diferentes. Cada uma com sua novidade. Sempre aproveitamos para fazer muitas visitas em poucos dias. Sai mais em conta.

Outra maravilha que vimos em nossas visitas:

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Chamo esta formação de Chorão. A água escorre ao redor da rocha fazendo sulcos e pinga no rio que corre dentro da caverna.

Falar em cavernas, tudo é superlativo. A beleza, os tamanhos, o comprimento, a escuridão e a quantidade de vida dentro delas. Sim, vida! Morcegos, insetos, artrópodes, aracnídeos, cobras, peixes completamente cegos, algas e micro-organismos. Há todo um ecossistema delicado e frágil dentro de cavernas, portanto, ao entrar, seja cuidadoso e respeite.

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Está escuro, a água está gelada, o chão escorrega, há insetos e morcegos. E eu estou adorando isso!

Numa parte igualmente distante de Iporanga, fomos até a caverna Marreca.

O diferente desta caverna é que antes de se tornar um patrimônio da região, os locais entendiam que aquilo era apenas um buraco e jogavam lixo dentro. Típico de ser humano. Sujando tudo que toca. Encontramos lâmpadas, panelas, utensílios domésticos na entrada, lixo orgânico. Nem queira saber. Apenas cuidado onde pisa.

Para começar nossa caminhada, tivemos que descer os 15 metros que separam a abertura da caverna para a boca do buraco. Os menos sortudos desceram pela beirada do barranco. Mas este felizardo que vos fala recebeu o convite de descer por corda, fazendo rapel, e claro, topei na hora!

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Olha lá em cima e veja quem está descendo! Se bem me lembro, este não sou eu.

A caverna Marreca tem coisas bem chamativas. Um castelo feito de estalagmites, que saem do chão e vão se encontrar com as estalactites lá do teto. Tem também a Esfinge. Uma enorme rocha que no escuro, com a pouca luz do flash ou das lanternas causa a impressão de ser um enorme rosto de um Faraó.

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Olhando de frente nem parece tanto. Mas de lado é um rosto perfeito.

E a caverna Marreca continua. Não sabemos qual é o final dela. Mas seguimos por um túnel enorme de rochas desmoronadas até chegamos num abismo que calculamos ter uns 50 metros de queda. Não descemos. Estávamos sem cordas tão grandes. O caminho era voltar.

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Consegue ver as luzes lá embaixo? São os colegas distantes. Imagine o tamanho da descida.

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À esquerda: Formação de estalactites. Milhares de anos para chegar ao que vemos à direita.

Consegue ver a pequena gota na imagem da esquerda? É assim que se formam estalactites, do alto para baixo e as estalagmites, do piso das cavernas, subindo de encontro ao teto.

Minhas visitas ao PETAR foram mesmo muitas. E numa dessas visitas, fui conhecer um outro parque muito bonito. Deixa eu contar para vocês.

Ainda há mais para ver na região. Vamos ver agora o que há de bom na Reserva Betari.

Reserva Betari

E como prometi, vamos falar um pouco sobre outra atração de Iporanga que é a Reserva Betari. Neste vídeo, o cinegrafista parte do Parque Betari e segue para a estrada, indo para o centro de Iporanga. Pode ir em frente que a ponte é firme.

E dentro da Reserva Betari há um trabalho de preservação de espécies nativas, sejam vida animal ou vegetal. Um trabalho muito bonito de preservação, proteção, replantio, estudos e conscientização. Veja alguns exemplos:

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Fauna e flora protegidas na Reserva Betari. Flores, insetos, árvores raras, salamandras e uma ligeira tartaruga-tigre. Acredite, dentro d’água ela é bem mais rápida que qualquer um de nós.

O Parque Betari é área de proteção ambiental administrado pelo IPBio – Instituto de Pesquisas da Biodiversidade. São 60 hectares de Mata Atlântica preservada, com espécies nativas, como pássaros, artrópodes, anfíbios, répteis, macacos e outros mamíferos, aves e as famosas cobra-coral e tartaruga-tigre, além de lagartos, salamandras e espécies da flora preservada.

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O Pântano e seu ilustre morador, o Sapo-boi, na Reserva Betari.

A sede em Iporanga conta ainda com:

  • Laboratório;
  • Estufa de plantas e anfíbios;
  • Begoniarium;
  • Aquário;
  • Restaurante;
  • Casa do Pesquisador.
Sede Reserva Betari

Sede da Reserva Betari. Passei aqui a primeira vez e perguntei ao caseiro se tinha uma dose de cachaça pra espantar o frio.

Aqui é possível ver que há pessoas empenhadas em preservar a natureza, deixar um planeta lindo e vivo para os que virão. Trabalhos assim realmente me animam e enchem de esperança de um futuro melhor.

E para finalizar este post, a foto dos 5 aventureiros do PETAR.

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O sexto elemento, com a câmera, é o Tiço, nosso guia nas cavernas.


Dicas de Viagem:

  • Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar)
    Estrada para Apiaí, Km 17
    Tel: 3552-1875
Como chegar:
  • Saindo de São Paulo, siga pela BR 116, passando a Serra do Cafezal, que está sendo duplicada. São no total 324 km com acesso pela SP-270 (até Itapetininga) e SP-250, passando por Eldorado.
  • Saindo de Curitiba: 291 km – acesso pela BR-116.

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