Museu do Imigrante

Depois de um final de semana bem agitado com a Virada Cultural, escrevo da experiência que tive ao visitar o Museu da imigração, ou Museu do Imigrante, como também é conhecido. Vamos compartilhar com você hoje a celebração da 20ª Festa do Imigrante.

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20ª Festa do Imigrante no Museu do Imigrante

Comida, bebida, risos, música, rostos de todas as partes do mundo, falas estranhas e comidas de que nunca ouvi falar. Hoje fizemos o caminho inverso do viajante. Ao invés de irmos a um local, visitar e conhecer a cultura, o diferente, o novo, veio até nós.

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Escrito no muro – PAZ – A bondade desarma. Esta era a ideia da festa.

Neste final de semana, fui ver algo que muito me interessa. Como bom paulistano, sou descendente de algum povo sofrido que saiu de suas terras para tentar uma vida mais digna no novo continente. Parte de minha família vem da Itália, terra em que no século 19, segundo relatos locais, o trabalhador arava a terra, mas não comia o pão, cultivava a uva mas não comia o vinho, construía a casa mas não tinha onde morar. E a história se repetiu em tantos países quantos no mundo há. E tantos são estes países quantos são os imigrantes que vieram para São Paulo.

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Hoje comemoramos a união dos povos. Sim, é possível.

Na época, eram comuns os grandes êxodos. Os navios vinham trazendo centenas. Cada época com sua respectiva nação. Primeiro o comércio escravocrata, depois os italianos, japoneses, e mais recentemente, chilenos, peruanos, colombianos, angolanos e haitianos.

Cada povo com sua tristeza. Mas o inesperado acontece. E se no passado o imigrante foi maltratado, no presente algo começa a mudar.

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Aqui você pode ter uma ideia das atrações na 20ª Festa do Imigrante.

Em uma postagem anterior, disse que nossos avós viajavam apenas se não havia outro jeito. Viajam por obrigação ou por força maior. Veja aqui o texto: Por que viajamos?

Participando da Festa do Imigrante, no Museu do Imigrante, ou Museu da imigração, como também é conhecido o local, é possível ver algumas das nações que hoje compõem o Brasil.

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E aqui você pode comer até seu estômago falar outras línguas.  

Vi danças típicas de povos andinos, comidas da Alemanha servidas por um cozinheiro negro, russos que falam com e sem sotaque, e todos na mesma pequena terra que é minha cidade. Enche um viajante de orgulho ver tantas pessoas de tantas culturas dividindo o mesmo chão.

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Tem coisas neste país das quais eu realmente me orgulho.

O Museu do Imigrante

O Museu do Imigrante foi criado apenas em 2010, mas a Hospedaria de Imigrantes é de 1887. Recebeu os italianos que eram desembarcados quase como carga no Porto de Santos e subiam a serra para serem recrutados por fazendeiros do interior de São Paulo, na maioria, produtores de café.

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A fachada do Museu do Imigrante. Vejam como o dia estava lindo no primeiro dia de inverno.

O que se seguia era quase uma compra de gado. Um coronel ou barão do café pedia tantos trabalhadores e o lote era fechado e entregue àquele fazendeiro. E todos seguiam para a localidade. Foi assim com os japoneses também. Quase o mesmo tratamento do tempo da escravidão.

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O Museu do Imigrante é muito bem equipado. Uma das guaritas foi transformada em café.

Com o tempo, além dos alojamentos, o prédio foi incorporando serviços de correios, telégrafos, posto policial e foi fortalecido com uma central de serviços médicos, farmácia, laboratório de análises e até assistência odontológica.

Com a necessidade, logo, migrantes de outros estados brasileiros passaram a ser atendidos também na Hospedaria dos Imigrantes, até 1978, ano de seu fechamento, quando um grupo de imigrantes coreano foi atendido no local.

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Trechos de cartas escritas por imigrantes. Quer amar o Brasil? Veja como é a vida lá fora.

Entre as atrações do Museu do Imigrante, há o salão das cartas, com frases de imigrantes, fotos, peças de decoração e material da construção original esperam pelos visitantes com uma maquete do local.

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A Maquete do Museu do imigrante, rica em detalhes.

A Festa do Imigrante

A primeira Festa do Imigrante aconteceu em 1996. Eu tive o prazer de estar presente à 20ª Festa do Imigrante!

O evento muda um pouco a data, mas já vem acontecendo há vinte anos. Nas nossas Dicas de Viagem você pode ver um link com o histórico completo dos anos anteriores.

Vídeo promocional da 20ª Festa do Imigrante no Museu do imigrante.

Este ano, a Festa do imigrante aconteceu junto com a Virada Cultural, mas a Festa do Imigrante não ocorre apenas por 24 horas. As datas foram domingo, 14 de junho, sábado, 20 de junho e domingo, 21 de junho, data de minha visita. Desculpem não avisar antes, mas fui convidado pela família, que resolveu almoçar por lá.

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De um lado as barracas de comidas típicas…

Cheguei vindo pelo Metrô Brás. O funcionário do Metrô, temendo por minha segurança, aconselhou que eu fizesse o caminho pela estação Bresser, a estação anterior, para quem está vindo da Zona Leste de São Paulo.

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… do outro, shows de música e danças folclóricas.

Teimoso como sou, caminhei dois quarteirões e atravessei a linha do trem. A passarela está mal conservada e o estado de limpeza não anima a travessia, mas é respirar fundo e seguir adiante.

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Veja na programação quem se apresentou em cada dia.

Dentro da festa, pavilhões de comida, barracas brancas e com poucas bandeiras davam um ar simples ao evento, mas os cheiros e sabores eram exóticos, fortes, apetitosos!

No palco, grupos folclóricos se revezavam. Líbano, Chile, Coreia, Rússia.

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Pessoas do todas as partes do mundo. Precisamos de mais festas assim. Na foto do meio, sem barba, o Daniel, filho da Dona Vera.

Aulas de artesanato e escolas de arte em várias salas do Museu da Imigração. Oficinas de culinária de vários países para quem quisesse aprender no local a fazer as delícias que foram servidas nas barracas, e até uma aula ao ar livre de dança típica russa, em frente ao Museu, mostrando a corte da conquista. Como os homens cortejam as mulheres. A professora russa com seu forte sotaque andava com a elegância e o orgulho que apenas aqueles que amam sua profissão conseguem passar aos impressionados observadores.

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A professora e seu charmoso sotaque ficaram de fora desta foto. Sinto.

No total, foram 41 expositores para alimentação, 30 para artesanato e 41 grupos para dança artística.

E claro, as crianças também tiveram as classes de pintura e desenho.

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Para as crianças, coloridas salas pra pintura e desenho.

E por falar em artesanato, fui ao salão onde estavam os expositores e vi Lituânia, Croácia e três Rússias, além de outros países.

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Dona Vera e suas encantadoras Matrioskas douradas. Lembra do Daniel? Esta senhora sorridente é a mãe dele.

O triste detalhe é que uma senhorinha me pediu para mostrar que uma das barracas da Rússia colocou uma foto de Vladimir Putin, ditador russo no canto de sua instalação. O fato deixou todos à volta indignados.

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A Bússola Quebrada é contra.

Não podemos concordar que povos sejam oprimidos por monstros e que exércitos pratiquem crimes contra populações civis. Lamentamos não poder fazer mais e esperamos que o mundo possa se unir e derrubar criminosos como este.

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Artesanato da Lituânia

Fato curioso é que Vladimir Putin esteja na capa da Revista Time. John Lennon nunca foi capa da Time; Mark Chapman, seu assassino, foi. Mahatma Gandhi nunca foi capa da Time. Vladimir Putin foi. Uma pena que um órgão de imprensa respeitado mundialmente se preste a dar destaque ao criminoso e não ao pacifista.

Mas vamos falar de coisa boa. Abaixo, um pouco do artesanato lituano. Dona Janete, simpática artesã, contou-me o segredo de seus ovos decorados, das alegrias de sua família, e de como ama seu trabalho.

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Os ovos de madeira, os ovos verdadeiros, pintados à mão e com cera e artesanato da Lituânia.

Passeio de Maria-Fumaça
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Entre apitos e jatos de vapor,chacoalhando e soltando fuligem, vem checando a Maria-Fumaça, apelido que os antigos deram às Locomotivas a vapor.

Para quem gosta de uma viagem no tempo, a linha de trem passa ao lado do Museu do Imigrante, afinal, era de trem que os imigrantes vinham de Santos, passando por Paranapiacaba e seguindo para a estação final em Jundiaí. E no século 19 este transporte era feito de Locomotiva a vapor, a famosa Maria-Fumaça.

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Roupas de época, fotos antigas, serviços de fotografia com estilo do século 19 para o visitante.

E uma boa Festa do Imigrante tem que ter passeio de Maria-Fumaça!

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A locomotiva número 5. Está em ótima forma para a idade.

Atravessando a rua, o visitante pode fazer o passeio de locomotiva a vapor todos os finais de semana, com partidas de hora em hora. Os funcionários vestem-se com uniformes semelhantes aos da época e o passeio, apesar de curto, deixa muita gente feliz ao ver a imensa máquina funcionando, soltando vapor pelas laterais e fumaça pelos ares. E claro, tem o apito da locomotiva!

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Em quê será que está pensando este menino? Será que sonha com o passado ou com um futuro melhor para todos?

A noite chega. Solstício de inverno. E uma bela festa para marcar a nova estação.

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Anoitece no Museu da Imigração. Quero voltar em breve!


Dicas de Viagem:
  • Para chegar ao Museu da imigração, vá de Metrô. É mais rápido, você não vai pagar estacionamento – Rua Visconde de Parnaíba, 1316 São Paulo-SP
  • Se descer na estação Brás, vá para a Rua Cel. Mursa e siga pela rua Domingos Paiva por dois quarteirões até a passarela sobre a linha do trem. Respire fundo e cuidado onde pisa. Atravesse rápido e tudo ficará bem. Você chegou!
  • Se for pela estação Bresser-Móoca saia para o lado da Av. Radial Leste e você já estará na Rua Visconde de Parnaíba. É só seguir as placas.
  • Se for de carro, siga pela Av. Alcântara Machado (conhecida como Radial Leste). Entre pela rua do Hipódromo e siga até a Rua Visconde de Parnaíba. Num instante você chega.
  • Museu da Imigraçãowww.museudaimigracao.org.br
  • Festa do Imigrantehttp://museudaimigracao.org.br/festa-do-imigrante/
  • Veja a programação de como foi a 20ª Feira do Imigrante e programe sua visita para o ano que vem – http://museudaimigracao.org.br/wp-content/uploads/2015/02/Programacao_20-FESTA-DO-IMIGRANTE_SITE.pdf

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