Festa do Lavrador em Barra do Turvo

Indo para o sul de São Paulo a trabalho, acabamos descobrindo uma festa popular que aos poucos, vem se tornando um mega-evento. Conheça da Festa do Lavrador de Barra do Turvo, cidade que está na divisa entre São Paulo e Paraná.

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O chafariz no centro de Barra do Turvo.

Estava eu no sul de São Paulo a trabalho. Muito o que fazer. Passei quase a semana inteira por lá. Estava na cidade de Iporanga, e quem segue A Bússola Quebrada, deve se lembrar que há muito o que fazer por lá.

De fato, a viagem não foi só trabalho duro. Soube que na sexta-feira haveria um evento na Barra do Turvo, cidade 32 quilômetros distante de Iporanga.

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O Centro de eventos, que hoje se tornou arena de rodeio.

As informações eram poucas. Eu sabia apenas que haveria uma festa. E em cidades pequenas, as festas são muito aguardadas. Há poucos eventos, pouca agitação. O tempo vai mais devagar nestas cidades. E claro, as opções de lazer são reduzidas.

Mas este evento prometia ser muito grande. Era a 31ª Festa do Lavrador de Barra do Turvo. E toda a região estava ansiosa para ver a festa acontecer.

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As muitas barracas que tem de tudo um pouco. A Festa do Lavrador é importante para a economia de Barra do Turvo e região.

A Festa do Lavrador começou pequena. Um evento que comemorava o trabalho duro, a colheita de várias culturas, o tempo bom, a chegada da primavera e a esperança de chuvas bem-vindas para as lavouras que iriam começar a dar seus frutos.

Confesso que meu interesse era pouco. No dia seguinte, sábado, voltaria correndo a São Paulo. Ainda havia muito trabalho a fazer, uma reunião de trabalho, e mais trabalho até a noite, quando havia ainda um cliente para atender. Como eu disse, a vida aqui é diferente da vida nas cidades pequenas.

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E onde há rodeio, sempre há as comitivas de cavaleiros.

Com tantos compromissos e tendo que acordar às 6 da manhã, é de se esperar que o entusiasmo de alguém seja pouco para fazer festa. Ainda mais que eu não conhecia a Festa do Lavrador, não sabia nada do assunto. Mas fui pesquisar.

Para dar carona aos amigos da cidade, meu sócio e eu aceitamos ir até Barra do Turvo. Fomos pela estrada escura, de terra, sem sinalização, sem luz e sem acostamento que liga Iporanga a Barra do Turvo. Noite escura de lua crescente. Mas de céu cheio de estrelas.

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E se tem rodeio, tem que ter peão.

Barra do Turvo

Fui pesquisar mais sobre a cidade de Barra do Turvo e descobri que quem lá morava e que fundou a cidade tinha vindo de Iporanga. As cidades parecem irmãs. Barra do Turvo cresceu um pouco mais, tem mais comércio. Mas o turismo fica para a Iporanga.

Sua fundação foi feita por criadores de animais e lavradores, na metade do século 19. Bom motivo para ter uma festa que comemora plantações e criações variadas.

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Brinquedos para as crianças, e também para os adultos.

Passeando pela cidade acabei conversando com muita gente. E ouvi um bocadinho de histórias, afinal, o povo do interior é bom de prosa e gosta de contar uns “causos”.

Foi assim que fiquei sabendo que a Festa do Lavrador tem uma organização bem caprichada e papéis bem definidos. Vamos entender um pouco melhor:

Festa do Lavrador
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A Festa do Lavrador garante quatro dias de diversão para todos.

A Festa do Lavrador agita a cidade de Barra do Turvo como nenhuma outra festa faz.

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O que mais vi foram famílias. O ambiente era de vizinhos e amigos.

Para começar, vi salões de cabeleireiro lotados e com fila de espera. E ao chegar próximo ao centro da cidade, vi as barracas que vendiam roupas, artigos em couro, bijuterias, brinquedos, flores, comidas de todos os lugares, estátuas vivas e claro, um boi mecânico, em que me fizeram subir, por pura maldade.

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Cada um que se segure!!

E subi. E caí. E estava indo bem. Até que colocaram a criatura na velocidade 5. E já não estava fácil antes.

Meu sócio depois me contou que ouviu o controlador do boi mecânico dizer:

– Está na hora de derrubar este peão.

Fiquei imaginando um sorriso maldoso na face do sujeito.

Depois disso, fogos, muita bebida, muita comida e muita gente bonita!

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Melhor eu não largar minha carreira pra me tornar peão.

E as atrações são variadas.

A Festa do Lavrador começa com os concursos de misses que acontecem dois meses antes. Nestes concursos, são escolhidas a Rainha do Lavrador, a Miss Simpatia, e duas Princesas. A corte toda desfila pela cidade e tem funções de representar Barra do Turvo em eventos e comemorações.

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Festa tem que ter queima de fogos!

E tinha bem mais coisa programada.

No total, a Festa do Lavrador durou 4 dias. Começando na quinta-feira, 20, então sexta, 21, que foi quando estive, seguindo pelo sábado 22 e terminando no domingo 23. Sinto gente, não deu tempo de avisar antes. Fica para o ano que vem.

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Estátuas vivas, músicos, artistas, peões. Tem atrações para todos.

E tinha shows para a maioria dos gostos. Para começar, a Festa do Lavrador iniciou com um Show Gospel na abertura, indo de 16h às 20h, na quinta-feira, 20.

A festa continuaria por todos os 4 dias com shows de duplas e cantores sertanejos, uns mais conhecidos, outros menos. A atração principal foi a dupla Edson e Hudson.

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Finalmente fomos ver um pouco do Rodeio.

Na noite de sexta-feira, o que tive tempo de ver foi o rodeio. Odiado por ativistas, foi muito defendido pelos locutores Bruno do Valle e Val Paraíso. Uma das coisas que eles disseram é que os animais não são maltratados por serem caros. São, ao contrário, muito bem cuidados.

Outro argumento rebatido foi o de que os animais montados, como bois bravos e cavalos tinham seus testículos presos, amarrados, para doerem muito e por isso os animais eram bravos e pulavam tanto.

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Esta foto foi feita um instante antes do peão cair. E sim, eu tenho outras de antes e depois da queda.

Sobre isso, os locutores disseram que no caso dos bois, a maioria era de reprodutores, logo, este tratamento causaria dano ao que o animal teria de mais valioso para o dono. E sobre os cavalos, a informação foi que 90% eram na verdade éguas. Talvez isso seja verdade. Já montei cavalos. Poucos, mas vi que os machos costumavam ser mais dóceis. Já as éguas, lembro de uma que tentou me derrubar insistentemente.

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Aqui a segurança do rodeio. Peão caído, logo vem o laçador segurar a montaria. Dá pra perceber que o animal é uma égua?

Sei pouco sobre rodeios. Mas cada um tire suas próprias conclusões.

O pouco que sei é que havia muita gente lá para assistir, as pessoas estavam felizes, o povo precisa de algumas festas, e quem trabalha duro, como criadores e lavradores precisa de uma Festa do Lavrador vez ou outra.

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Este vendedor ambulante falava uma língua africana. Vimos vários como ele. E outros tantos de língua hispânica. A situação em outros países faz o Brasil parecer muito melhor do que percebemos.

Espero voltar em breve a Barra do Turvo. Vi pouco da cidade.

Ah, o mais importante: Na Festa do Lavrador de Barra do Turvo, a entrada é franca.


Dicas de Viagem:

 

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