Paranaguá – Centro Histórico

Paranaguá é uma cidade cheia de atrativos. E a festa e a alegria estavam nos acompanhando em nossa viagem ao Sul do Brasil. Comemorações de aniversários, festas, eventos e descobertas. Viaje com a gente e descubra mais sobre Paranaguá.

Ainda margeando o rio Itiberê, seguimos pela Rua da Praia até chegarmos ao Centro Histórico de Paranaguá. Um conjunto de vários casarões tombados como patrimônio histórico, com construções do tempo do Brasil Colônia, mas de maioria do período posterior, Brasil Império. Os casarões estão sendo aos poucos restaurados. Claro que ainda há muito a fazer. Armazéns que servem de bares e botequins com pouca infraestrutura e muitas casas que estão precisando de cuidados, mas a cidade está preservando seus monumentos e logo mais o Centro Histórico estará completamente reformado e pronto para receber visitantes.

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Paranaguá é também terra de pescadores, então, vai bem uma homenagem a Iemanjá.

Mesmo hoje o conjunto arquitetônico chama muito a atenção dos visitantes.

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Centro Histórico de Paranaguá – Rua Benjamin Constant.

Fazem parte do Centro Histórico de Paranaguá o Mercado Municipal Antigo. Também conhecido como Mercado do Café. Pequeno, charmoso, todo em tijolinho. E bem ao lado dele o ainda menor prédio do Mercado do Artesanato. Impossível não querer fazer uma foto ao lado desta construção.

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Peixes, restaurante, comidas e até café no Mercado do Café de Paranaguá.

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Mercado de Artesanato de Paranaguá.

Um pouco acima, subindo a rua, o visitante verá um toldo escrito “Varejão Frutas Verduras“. A mesma arquitetura dos prédios do mercado, com a data no alto marcando 1916 como ano de construção.

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Varejão de frutas e verduras – prédio de 1916.

Na época era comum colocar datas nos edifícios e casas. Mesmo aqui em São Paulo, em um bairro tradicional ou outro, tive a oportunidade de notar esta prática. São poucos estes prédios. Seja a cidade que for, mas o observador mais atento rapidamente nota os padrões da época.

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Bares e reformas. Paranaguá quer crescer, mas preservar sua história.

Um pouco após este conjunto de prédios, o visitante verá o cais de embarque para a Ilha dos Valadares, passeios de barco para vários roteiros e inclusive a Ilha do Mel, ponto turístico muito conhecido em Paranaguá, mas que teremos que visitar numa outra ocasião. Como eu disse, um dia só é pouco para ver tudo que Paranaguá oferece ao visitante.

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Embarque para Ilha de Valadares, e Ilha do Mel, ou faça um passeio pelo rio Itiberê.

A Guerra dos Pássaros

Enquanto eu fotografava paisagens, pessoas e arquitetura, um ruído chamou minha atenção e de vários pescadores e trabalhadores à volta. Virei-me e notei no poste que agora estava à minha frente, dois ninhos de João de Barro.

No ninho de cima, apenas a casa vazia. No ninho de baixo, um pássaro, que penso ser a fêmea, olhava a cena com expressão de quem nada entendia. No chão, abaixo dos ninhos dois “João de Barro“, que entendi serem os machos, digladiavam-se pela companhia da fêmea.

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Vi algo caindo da árvore. Virei-me para ver melhor e olhe o que vi.

Dizer que a luta era justa é no mínimo uma mentira cruel. Um dos machos perseguia o outro fosse na terra, fosse no ar. Um, tentava desesperadamente fugir à surra que levava. O outro, parecia ter a força que só o ódio proporciona.

A cena se explicava com poucas palavras. Se pude notar bem, o recém chegado construiu seu ninho sobre a casa de moradores antigos. E claro, precisava de uma fêmea. E foi cortejar mulher casada. O marido não gostou nem um pouco do assanhamento do novato e resolveu lavar sua honra com sangue.

Ouvi os homens que agora se preparavam para o almoço gritarem coisas como “Separa, separa!” Um idoso a meu lado disse que era assim mesmo. João de Barro quando pega para matar só para depois de realizado o intento.

Seja como for, pude ver bem a ira do João de Barro e você que lê A Bússola Quebrada pode ver isso também nestas fotos.

 O Snoopy de Paranaguá

Seguimos nosso caminho pela Rua Benjamin Constant e nos deparamos com outro crime no reino animal. Um pequeno filhote, se não me engano, um beagle, estava preso a um prédio antigo. Uma folha de papelão servia de chão, cama, casa, cobertor e prisão para o filhotinho de poucas semanas que estava preso ao prédio por um barbante de nylon.

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Após essas tábuas, vimos o Snoopy de Paranaguá

O filhotinho, como é comum a qualquer animal preso, parecia querer falar e não parava quieto um instante. Precisava sair daquela condição.

Deixaram o bichinho sem água e com pouca comida. E claro, a Karina me fez percorrer metade do Centro Histórico, para achar um pote para dar água ao bichinho. Demos água a ele direto da garrafa, mas ele precisaria de mais. A Karina se desesperava mais e mais e eu já estava pensando onde eu levaria aquele bichinho, se caberia na mochila, se o pessoal do ônibus me deixaria subir com ele, se os hotéis em que iríamos ficar nos deixariam entrar com animais. Porque na minha cabeça, a Karina iria insistir para eu adotar o pobre abandonado.

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Um pouco mais e o Snoopy teria pedido para que nós o adotássemos.

Para quem não se lembra, Snoopy era o nome do cão da raça beagle dos quadrinhos e desenhos da Turma do Charlie Brown, de Charles Schulz.

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Peanuts, de Charles Schulz.

Felizmente um morador cuidou disso logo e o beagle encontrou um lar melhor que ficar amarrado na calçada. Karina mais aliviada, seguimos nosso caminho.

Rua XV de Novembro

O Centro Comercial da parte histórica de Paranaguá é a Rua XV de Novembro que é a rua de cima à Rua Benjamin Constant. É uma rua estreita, movimentada, de calçamento de pedra, como era comum nos tempos imperiais. Está cheia de carros estacionados ou trafegando. Uma pena, porque há muitos palacetes e prédios antigos no local. Era comum eu lamentar não poder fazer uma foto porque estava passando um caminhão, um carro.

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Todo o trânsito da rua XV de Novembro.

Quem conhece locais preservados sabe que antigamente as ruas não precisavam ser largas. Pouco espaço era suficiente para as charretes e cavalos, pessoas e carrinhos puxados por homens ou animais de carga. À medida que os carros motorizados foram ganhando espaço e status de majestade, as ruas precisaram crescer. Mas em ruas como a XV de Novembro de Paranaguá, as antigas construções hoje abrigam bancos, lojas de redes conhecidas, bares, restaurantes, sorveterias. E claro, há uma preocupação estética em manter a fachada e fazer com que os letreiros, cartazes e faixas se adequem ao ambiente histórico.

Para subir para a XV de Novembro, o visitante pode ir até o final da Rua Benjamin Constant e subir as escadarias da Rua Presciliano Corrêa e ver este mural tão bonito:

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Mural na esquina entre as ruas Benjamin Constant e Presciliano Corrêa.

O Centro e o Coreto

Seguimos para o atual Centro de Paranaguá. Lá vimos os prédios mais novos, muito trânsito, a nova arquitetura, sem muito a oferecer além do que vemos todos os dias. Havia pouco a fazer por lá. Muito comércio, muito mais carros, muito mais movimento e a agitação de uma cidade que cresce.

Por um lado, sem dúvida que estou torcendo para o crescimento, a geração de emprego, o futuro e a melhora nas condições de vida dos cidadãos. Por outro lado, espero mesmo que a cidade seja capaz de manter sua cultura e sua história. E pensando nisso, vimos o Coreto da Praça Fernando Amaro:

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O Coreto da Praça Fernando Amaro está datado de 1914. Imagine quantos casais já se formaram ao redor dele.

O Trem de Paranaguá

Os visitantes de A Bússola Quebrada sabem que o transporte de trem é um dos meus favoritos. É mais barato, alcança longas distâncias, é o principal meio de transporte de médias distâncias nos países desenvolvidos e ainda tem o conceito de pioneirismo, de progresso, de romper as barreiras que ligam dois pontos. Seria a solução perfeita para a logística brasileira. E temos posts exclusivos sobre trens, como nossa viagem no Trem da Vale do Rio Doce, ou o Museu do Trem de São João del Rei, ou ainda nossa visita ao Museu do Trem de Jundiaí.

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Estação antiga de trem de Paranaguá. Logo estará funcionando de novo.

Claro que nós tínhamos que visitar a estação de trem de Paranaguá.

A estação antiga está em reforma, mas o passeio de trem turístico ainda existe e está mais ativo do que nunca. A viagem começa em Curitiba, na estação Rodoferroviária e segue por Morretes e Paranaguá. Além de mais algumas paradas em cidades históricas do Paraná. Outro passeio que ainda vamos fazer. Em breve!

Ainda nem almoçamos e ainda há tanto para ver na cidade! Na semana que vem nos despedimos de Paranaguá. Continue com a gente!


Dicas de viagem:
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