Morretes

Visitamos a terra do barreado e descobrimos segredos e maravilhas em Morretes, cidade que sabe receber o visitante oferecendo boa comida, lugares lindos e de povo muito amistoso. Fizemos novos amigos e já estamos com saudades!

Chegamos a Morretes um pouco tarde. Passava de quatro horas. Apesar do clima quente, era inverno e o sol parecia ter pressa em descansar. Nossa estada foi agendada com o querido amigo José Carlos, via Couchsurfing. Ele e a esposa Beth nos receberiam em casa.

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Praça e rodoviária de Morretes. Lindas flores e muito verde.

Ao chegar na rodoviária, o calor era seco e maltratava. Muita água para rebater. O clima estava fora do normal. Mexemos muito com o planeta. Já estamos pagando por isso.

Quando saímos de Paranaguá, o sol estava forte, quente. Mas a região era mais litorânea que Morretes. Lá estávamos à beira-mar, aqui é pé de serra. Deveria ser mais fresco, mas o que encontramos foi um pouco diferente do esperado.

Com instruções via SMS, nosso anfitrião em Morretes, o José Carlos, foi nos informando como encontrá-lo. E como me impressiona essa novidade de conhecer pessoas, compartilhar, conversar com quem se acaba de conhecer como se fosse um velho amigo. E sim, agora somos muito bons amigos. Conversamos por internet, nos encontramos por SMS. Cara, adoro essa tecnologia de aproximar pessoas!

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Rio Nhundiaquara – parece calmo, mas quando sobre, faz estrago.

O casal ainda tinha alguns trabalhos a fazer, então, deixamos as mochilas e seguimos para passear um pouco por Morretes. O que vimos foi uma estrutura de restaurantes, hotéis de pequeno e médio porte. Sorveterias, lojas de açaí, paletas mexicanas, docerias, lojas e muito artesanato. Morretes faz parte do roteiro do trem turístico da Serra do Mar paranaense, que sai de Curitiba e segue para Morretes, passando pela Estrada da Graciosa.

Rio Nhundiaquara

O nome tem um jeito complicado. É difícil de ler, dá trabalho de pronunciar e quero ver quem repete o nome rápido, três vezes, sem errar.

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O rio Nhundiaquara atravessa Morretes. E a civilização já chegou aqui. Ao menos a parte ruim, formada de pessoas sem trabalho que passam o dia pedindo dinheiro e exagerando em bebida e algum “barato” do mal.

Em dialeto Tupi, “nhundia” significa “peixe” e “quara” pode ser “empoçado” ou “em um buraco”. A palavra “quara” também faz parte de palavras como taquara, que é uma espécie de cesto para apanhar peixes. Parece que nosso peixão caiu numa armadilha neste rio de nome tão único.

Após sair da casa do José Carlos para um passeio, a primeira coisa que vimos foi a Ponte de Ferro, que cruza o rio Nhundiaquara e liga os dois lados de Morretes, sentido centro-bairro.

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A Ponte de Ferro do rio Nhundiaquara, feita originalmente para trens.

O José Carlos contou que um passatempo do povo de Morretes é apostar se o rio Nhundiaquara vai encher e transbordar ou não. Segundo nosso amigo, as apostas começam com um ar misturado de excitação e medo. As pessoas sabem que a cheia do Nhundiaquara vai causar danos a Morretes, ficam apreensivas, mas ao mesmo tempo esperam ansiosas as cheias de primavera e verão só para ver se acertaram. E cantam vitória que acertaram que haveria cheia, o dia da cheia, quanto o Nhundiaquara iria subir, quanto tempo demoraria para baixar, vangloriam-se enquanto calculam e consertam os prejuízos.

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Do outro lado da Ponte de Ferro de Morretes, os hotéis maiores e mais caros.

Estrada de Ferro de Morretes

Ouvindo as histórias que o José Carlos e outros moradores nos contaram, soube que o trem chegava especialmente aos finais de semana, desembarcava algumas centenas de turistas e este turismo movimentava boa parte da economia de Morretes.

Pesquisando um pouquinho mais, descobri que a estrada de ferro que liga Morretes a Paranaguá e outras cidades já foi o meio de transporte mais eficiente que havia. A estrada foi construída no século 19, contrariando as previsões de alguns tantos engenheiros europeus que disseram que o trajeto era impraticável.

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A Estrada de Ferro e o Pátio de manobras de Morretes.

Concluída em 1885 e com 110 quilômetros, a estrada de ferro é um passeio deslumbrante pelas belezas naturais da Serra do Mar do Paraná e um pavor para quem tem medo de altura.

Desta vez, seguimos de ônibus. Para nós dois, o preço sairia alto neste momento. Economia e planejamento eram essenciais para nossa viagem ser bem sucedida.

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Estação ferroviária de Morretes, vista para a linha de trem.

Nas Dicas de Viagem colocamos um link explicando melhor o Passeio de Trem de Curitiba pela Serra do Mar ligando Morretes a Paranaguá e você poderá pesquisar preços e condições e fazer essa viagem, que ainda não fizemos, e contar para nós o que descobriu por lá!

A Estação de Trem

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Estação ferroviária de Morretes, vista para a cidade.

Quando soube de tudo isso sobre a linha de trem turística, claro que quis conhecer a Estação de Trem de Morretes. E gostei do que vi. Mais que a estação, que está conservada o mais fielmente possível à época em que Dom Pedro II esteve lá para a inauguração, há também o pátio de manobras da ALL, empresa de logística que utiliza muitos trens.

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Trens lembram viagens. Adoramos viajar!

Meu espírito de maquinista de trenzinho infantil berrou alto para ir até lá e fotografar tudo que pudesse. Toca arrastar a pobre da Karina para andar na linha. Do trem.

Você que acompanha A Bússola Quebrada vai lembrar que já estivemos num terminal de trens em Jundiaí/SP e já viajamos e um percurso bem famoso no Trem da Vale. E que também já estivemos em cidades ferroviárias, como em Paranapiacaba.

E fomos nós lá, passeando pela linha do trem e fotografando o pôr do sol entre as locomotivas e vagões. Alguns, em pleno funcionamento, outros estavam ali para depósito. E claro, acabamos conversando com as crianças que voltavam da escola, que orgulhosas disseram que a ALL pagava a Morretes para estacionar as máquinas por lá.

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Os cidadãos de Morretes se mostraram orgulhosos de sua via férrea.

A Cidade

O povoado de Morretes foi fundado oficialmente em 1721. Dessa vez não pegamos nenhum aniversário, mas se me lembro bem, tinha festa de santo programada para o final de semana seguinte. Parece que chegamos um pouco cedo.

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Sorveteria de Morretes. E as lindas casas de arquitetura de época.

Nossas primeiras paradas foram olhar um pouco do comércio. Tudo muito arrumadinho. Coisa que me admirou muito em todas as cidades do sul que visitamos. Ruas limpas, povo bem vestido, gente bonita e lojas bem cuidadas. Ok, Morretes é uma cidade turística. Precisa disso. E o povo leva a sério o trabalho de receber bem o turista.

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Loja em Morretes. Estão mesmo liquidando!

Só que vamos ter que voltar a Morretes para provar o tão falado barreado, prato típico da cidade, muito comentado e recomendado pelos moradores. Inclusive vimos muitas placas de restaurantes oferecendo o dito prato para uma pessoa, para duas pessoas, para quantas pessoas fossem, e cada qual defendia ter o melhor barreado de Morretes. Está na lista de afazeres.

Outro motivo de orgulho para os moradores de Morretes é seu Theatro Municipal, ou Theatro Tosco, como foi inaugurado, em 1845 e hoje é Cine Teatro Morretes.

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Cine Teatro Morretes.

O nome Theatro Tosco é por sua primeira construção, em madeira bruta, com pouco refinamento, assentos rústicos e quase nenhum acabamento geral. O antigo teatro deu lugar agora a um pequeno prédio em alvenaria.

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Placa comemorativa lembrando o Theatro Tosco de Morretes.

A noite caiu em Morretes e nos preparamos para o dia seguinte. Haveria muito a fazer. O José Carlos falou sobre um amigo que mora no alto da serra, num lugar mágico, em uma casa encantada. E claro que fez uma propaganda tão bacana do lugar, que ficamos ansiosos para descobrir o que havia por lá.

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Praças arborizadas e casas com arquitetura do tempo do Império.

Mas antes de me despedir, falta agradecer novamente o José Carlos e a Beth, que nos receberam como família, abriram a casa para nós e o José Carlos ainda fez um delicioso cozido de legumes e frango que, segundo ele, foi o prato que ele usou para conquistar a Beth.

Cheio de truques sujos hein, José Carlos!?

Amigos, fica aqui uma importante lição: Mais que uma boa conversa, para casar bem, o homem precisa saber cozinhar.

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Cai a noite em Morretes. Durante a semana é bem tranquilo. O movimento mesmo é com os turistas no final de semana.

Semana que vem vamos mostrar umas coisas assustadoras no segundo post sobre Morretes. E também vamos mostrar que viver em harmonia com a natureza é necessário, bonito e gratificante. Acompanhe a gente na nossa próxima viagem!


Dicas de Viagem

Quer saber mais sobre Morretes, hotéis, turismo e restaurantes? Aqui tem dicas boas: http://www.morretes.com.br/

Passeio de Trem Curitiba – Serra do Mar – Morretes – Paranaguá – http://www.guiaturismocuritiba.com/2011/01/passeio-de-trem-curitiba-serra-do-mar.html

Precisa de mais informações? Veja o site da Prefeitura de Morretes – www.morretes.pr.gov.br/

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