São Francisco do Sul

A bela cidade de São Francisco do Sul também é conhecida como Ilha de São Francisco do Sul, Ilha de São Francisco ou São Chico. Vai da intimidade de cada um. Visitamos esta cidade do Litoral de Santa Catarina e vamos contar o que vimos, com foto e vídeo! Viaje com A Bússola Quebrada até São Francisco do Sul. 

Rodoviária velha de São Francisco do Sul

Rodoviária velha. Desça na Rua Barão do Rio Branco, 286 – Você ficará bem perto do Centro Histórico de São Francisco do Sul.

Saímos de Joinville bem cedinho, debaixo de chuva. Alguns poderiam desanimar com esta previsão. Mas viajar é arte, chuva faz parte. E com muito otimismo, fomos à rodoviária de Joinville para pegar o ônibus.

Graças ao bom planejamento da Karina, as passagens já estavam compradas no dia anterior, logo quando chegamos. Mais uma coisa que aprendi a fazer com ela. Planejamento e antecipação vão bem também nas férias e viagens. Prova disso é nossa Viagem Rumo ao Sul e a viagem do Rafael Scanavacca, em sua ida ao Nepal, que você pode conferir aqui nesta entrevista: Agonia e Êxtase no Nepal.

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Mapa da Ilha de São Francisco do Sul. Veja como é perto de Joinville.

A distância entre Joinville e São Francisco do Sul é bem curta. São apenas 52km. Dá pra fazer de carro em meia hora. Mas, como fomos de ônibus, devemos ter levado uns 40 minutos.

Os moradores da região chamam São Francisco do Sul de “Ilha de São Francisco do Sul”. O que não está errado, afinal uma ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. Mas a verdade é que a “Ilha” é um istmo, que é uma porção de terra que liga duas porções maiores. E fomos lá descobrir que de um lado de São Francisco do Sul está a Baía da Babitonga e do outro, o oceano Atlântico. Acontece de um braço de rio ou parte da Baía da Babitonga separar São Francisco do Sul do restante da porção de terra. Fica o nome de ilha, então.

 E por falar em Baía da Babitonga, fui pesquisar o significado do nome e descobri que Babitonga é dialeto indígena e significa terra em forma de morcego. Alguma coisa na região lembrou aos índios o formato de um morcego, ou uma asa, quem sabe. E ficou este nome único.

Vila-Sao-Francisco

Da Rodoviária velha ao Centro Histórico de São Francisco do Sul dá pra ir andando. Jogue fora a preguiça, caminhar um pouquinho só te fará bem!

A Cidade de São Francisco do Sul

Quando fomos, pagamos pouco mais de R$ 12,00 cada para ir de Joinville a São Francisco do Sul. Duas ou três viações intermunicipais fazem o trajeto. Mas na volta, descobrimos como pagar mais barato e nas Dicas de Viagem contaremos como fazer para economizar mais da metade do valor da passagem.

Chegamos pela Rodoviária Velha, que fica próxima à rodovia Duque de Caxias, bem longe do mar, e descemos na Rua Barão do Rio Branco, 286. Dali, minha curiosidade indicou para um prédio grande no alto do morro. Imaginei que lá teríamos a visão da cidade inteira e poderíamos fazer o filme para este post. A Karina é que não gostou muito da ideia.

O hospital e maternidade que vi logo que chegamos em São Francisco do Sul. Rua Joaquim José da Silveira Jr.

O hospital e maternidade que vi logo que chegamos em São Francisco do Sul. Rua Joaquim José da Silveira Jr.

Descobrimos um hospital e maternidade fechado, subindo a Rua Joaquim José da Silveira Jr. com Rua Olaria. A vista de lá deve ser linda em um dia de sol. Mas a gente faz o melhor com aquilo que tem. E São Francisco do Sul não deixa de ser um espetáculo só porque não tem sol.

Cruzeiro de São Francisco do Sul

Envolto em neblina de chuva, o Cruzeiro de São Francisco do Sul. Eu jamais obrigaria a Karina a andar até lá.

Subimos. Fizemos o vídeo e já apontamos o nariz para as próximas paradas. Siga nosso mapinha de São Francisco do Sul logo depois do vídeo e você chegará ao Centro Histórico pelo caminho mais curto.

No vídeo, olhamos para todos os lados e seguimos rumo ao porto de São Francisco do Sul.

Quem está vendo nosso percurso no mapa deve ter notado que fomos na contramão. Vantagem de estar a pé. Quem for de carro vai ter que dar mais volta.

Passamos por muitas casas bonitas, grandes, caras no caminho. O que foi nos preparando para um trabalho de preservação do Centro Histórico de São Francisco do Sul.

Porto de São Francisco do Sul

Uma rápida vista do porto de São Francisco do Sul. Os moradores se orgulham de serem o maior porto de contêineres de Santa Catarina e um dos maiores do Brasil.

Casas antigas vazias, mas em obras mostram que há um interesse em preservar a cidade.

Pequenas ruas do Centro Histórico de São Francisco do Sul

As pequenas ruas do Centro Histórico de São Francisco do Sul. O charme de antigamente.

A Baía da Babitonga

Ver casarões antigos com arquitetura de séculos passados à beira mar era o sonho de pirata de qualquer menino. E ver os navios construídos para se parecerem com barcos piratas era uma viver um sonho!

Um dos vários cais de São Francisco do Sul.

Um dos vários cais de São Francisco do Sul.

Quem for passar mais tempo em São Francisco do Sul pode viajar numa veleiro de madeira com bandeira de ossos cruzados e caveira. O tapa-olho é por sua conta.

Viajar pelas águas calmas da Baía da Babitonga e ver a orla preservada de São Francisco do Sul é um programa comum para casais. Bem coisa de Lua de Mel.

Escunas, navios, barcos, iates, veleiros, petroleiros e enormes cargueiros são vista constante em São Francisco do Sul.Escunas, navios, barcos, iates, veleiros, petroleiros e enormes cargueiros são vista constante em São Francisco do Sul.

 

Réplicas de antigos navios fazem parte desta paisagem. Conheça e conte pra gente como foi sua viagem a São Francisco do Sul.

Réplicas de antigos navios fazem parte desta paisagem. Conheça e conte pra gente como foi sua viagem a São Francisco do Sul.

Também vimos muitos pescadores pela orla. Uns com redes, outros com varas, pequenos barcos e botes. E depois visitamos o Museu do Mar, para descobrir que a pesca é parte viva da cultura de São Francisco do Sul.

Pequenos pesqueiros e os restaurantes que se parecem com palafitas. Deu vontade de almoçar de novo só para apreciar o ambiente.

Pequenos pesqueiros e os restaurantes que se parecem com palafitas. Deu vontade de almoçar de novo só para apreciar o ambiente.

História e geografia de São Francisco do Sul

Almoçamos num quilo à beira-mar, um restaurante com grande varanda na Praça Almirante Moraes Rego. Comida bem mais barata que nas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro. E mais saborosa, mais farta. A mesa do buffet era gigante. E claro, nós dois atacamos nos frutos do mar, especialidade da região.

Vista da Rua da Babitonga.

Vista da Rua da Babitonga.

Pesquisando, foi possível descobrir que os moradores de São Francisco do Sul se orgulham de sua zona portuária, de suas 26 ilhas, 13 praias ao redor da ilha principal e de ser a mais antiga cidade de Santa Catarina, tendo datação de uma visita de Binot Palmier, navegador francês que desembarcou em 05 de janeiro de 1504. A cidade é a terceira mais antiga do Brasil.

O povoamento começou pra valer em 1658, com Manoel Lourenço de Andrade, com a família, com negócios de mineração, escravos e ferramentas agrícolas.

Centro Histórico de São Francisco do Sul

Centro Histórico de São Francisco do Sul.

Em 1660 São Francisco do Sul se tornou oficialmente uma vila e em 1847 virou cidade.

Centro Histórico de São Francisco do Sul

Como de costume, passamos para conhecer o Mercado Municipal de São Francisco do Sul. Já fizemos isso em uma dezena de cidades e faremos mais adiante em nossa viagem.

Mercado Municipal de São Francisco do Sul – Volto lá para um café da manhã.

Mercado Municipal de São Francisco do Sul – Volto lá para um café da manhã.

Mas como o almoço tinha sido há pouco, não havia muita vontade de provar alguma iguaria local.

Dá pra ver a Igreja matriz de São Francisco do Sul ali em cima? Suba a viela.

Dá pra ver a Igreja matriz de São Francisco do Sul ali em cima? Suba a viela.

Fomos passear pelo Centro Histórico de São Francisco do Sul, ver as casas, subir até a igreja, acompanhar a calma do mar e pensar em coisas como o quanto é bom sair um pouco dos grandes centros urbanos e da vontade que pelo menos eu tive de mudar de cidade, sair da minha e ficar em qualquer outra do percurso. Coisas de viajantes.

Na praça da igreja, encontramos a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça e soubemos que fica de frente para a prefeitura da cidade. E fomos descobrir uma igreja caprichada, com muita área verde ao redor, e uma praça bem cuidada.

Igreja Matriz de São Francisco do Sul - Nossa Senhora da Graça.

Igreja Matriz de São Francisco do Sul – Nossa Senhora da Graça.

A contrapartida é o prédio da prefeitura de São Francisco do Sul. Um prédio mais recente, talvez anos 1920 ou 1930. Esquina da Rua Dr. Hercílio Luz com Praça Getúlio Vargas. Curioso a igreja estar numa praça com nome de político.

Prefeitura de São Francisco do Sul.

Prefeitura de São Francisco do Sul.

Na placa em madeira, o símbolo e o lema de São Francisco do SulIn Littore. Pro Brasilia. Vigil. – A pontuação ajuda a entender: No Litoral. Para o Brasil. Vigilante. Aqui é fácil ver que a cidade de São Francisco do Sul se colocou a missão de vigiar e proteger o litoral brasileiro.

Dentro da Prefeitura, o lema de São Francisco do Sul.

Dentro da Prefeitura, o lema de São Francisco do Sul.

Museu do Mar

Seguindo pequenas ruas, vendo charmosas lojas, acabou que comprei meu chapéu de papel para minha cabeça de papelão. Pequenas lembranças de viagem.

A frase lapidar de Luís de Camões combina perfeitamente com o Museu do Mar de São Francisco do Sul

A frase lapidar de Luís de Camões combina perfeitamente com o Museu do Mar de São Francisco do Sul.

Caminhamos mais um pouco pelo trapiche da Rua da Babitonga. Deu até tempo de passar numa sorveteria artesanal e seguimos para o Museu do Mar. Dois enormes prédios, originalmente armazéns do porto de São Francisco do Sul, transformados em uma imensa casa de cultura para lembrar a história que ajudou a construir São Francisco do Sul. E esta história está ligada ao mar.

Siga a rua. A entrada para o Museu do Mar é no armazém esquerdo. O Tour pelo Museu começa à esquerda e segue para o armazém da direita. Vale muito a pena conhecer.

Siga a rua. A entrada para o Museu do Mar é no armazém esquerdo. O Tour pelo Museu começa à esquerda e segue para o armazém da direita. Vale muito a pena conhecer.

Ali vimos as embarcações típicas brasileiras. Os navios que estiveram na costa brasileira, as caravelas, os veleiros, jangadas, barcos pesqueiros e as canoas. Uma curiosidade sobre este último, é que no Museu do Mar tivemos a oportunidade de ver um documentário sobre Mestre Sebastião – O último mestre canoeiro. Curioso foi que um tempo depois, em uma de minhas idas a Iporanga, os guias de caverna me contaram de uma conversa que tiveram com Mestre Sebastião, e de como era comum este famoso canoeiro atender pedidos do pessoal do Vale do Ribeira.

Acostumado a maquetes? Vá ver o tamanho dessas peças.

Acostumado a maquetes? Vá ver o tamanho dessas peças.

Acontece que canoa, jangada, barco, são coisas diferentes. E a diferença é na forma de fazer.

Um barco é uma junção de tábuas. Uma jangada pode ser apenas um monte de toras presas umas às outras, mas uma canoa é uma arte que está praticamente perdida, porque para fazer uma canoa de verdade, corta-se uma grande e larga árvore inteira, o que já vem sendo proibido pelos órgãos de proteção ambiental.

Uma réplica de um galeão espanhol de três mastros, do século 18 e a Karina ao lado para dar uma ideia do tamanho dessa maquete.

Uma réplica de um galeão espanhol de três mastros, do século 18 e a Karina ao lado para dar uma ideia do tamanho dessa maquete.

O tronco da árvore é esculpido e cortado de modo que do tronco todo só se aproveite uma parte. O resto vira pedaços que muitas vezes são desprezados. O oco da canoa é o tronco cortado de uma árvore grande e velha. É um trabalho artesanal, bonito de se ver, mas que desperdiça material demais. E o tempo passou para este tipo de embarcação, aprendida talvez com os índios.

O Museu do Mar também tem barcos modernos e réplicas de grandes navios da antiguidade. E uma das atrações mais divertidas do Museu do Mar são as réplicas de barcos pesqueiros, em tamanho natural, com bonecos de pescadores.

A embarcação bruxólica – Algumas peças do Museu do Mar garantiram risos para mim e sustos para a Karina, que já não estava tão entusiasmada assim em continuar o tour.

A embarcação bruxólica – Algumas peças do Museu do Mar garantiram risos para mim e sustos para a Karina, que já não estava tão entusiasmada assim em continuar o tour.

As lendas do mar ficam bem representadas no Museu do Mar. A Karina teve sua cota de sustos ao ver as embarcações bruxulescas ou bruxólicas representadas em tamanho natural de pequenos barcos assombrados, recontando as lendas de feiticeiras que atraíam os marinheiros. As placas em cada peça do museu contam as histórias que o povo foi cochichando de uma geração para outra. E muitas vezes, o texto usa as palavras que o povo domina. A Karina adorou a palavra ‘bruxólica’ para denominar um barco sobrenatural, cheio de bruxas.

Após este passeio no Museu do Mar, seguimos um pouco adiante, para ver mais da Babitonga.

A sereia no porto. Seres místicos e muitas lendas em São Francisco do Sul.

A sereia no porto. Seres místicos e muitas lendas em São Francisco do Sul.

E o povo da região gosta mesmo de criaturas míticas. A sereia protege o porto, representações de aves trazem boa sorte, cristais e medalhões são comuns nas lojinhas do trapiche.

E as barracas de artesanato no porto de São Francisco do Sul.

E as barracas de artesanato no porto de São Francisco do Sul.

A visita a São Francisco do Sul deve ter um ar de tranquilidade com as crenças locais. O povo fala muito em sorte e mitos.

Hora da volta, economizamos um dinheirinho e eu, olhando contente e querendo voltar a São Francisco do Sul para ficar mais que apenas um dia. Faltou ver tanta coisa, faltou andar de barco à vela, fazer os esportes radicais, mergulhar no mar com arpão e pescar o peixe em seu habitat, visitar o Museu de São Francisco do Sul, do outro lado da cidade.

Esculturas enfeitam o já muito bonito porto de São Francisco do Sul.

Esculturas enfeitam o já muito bonito porto de São Francisco do Sul.

Foi bom não ter feito tudo que podia ser feito. Melhor que viajar uma vez a lugar incrível é poder voltar e descobrir mais e mais coisas legais.

Pode nos esperar, São Francisco do Sul. Logo mais voltaremos!

See you Soon, São Francisco do Sul!

See you Soon, São Francisco do Sul!


Dicas de Viagem:

  • Quer voltar a Joinville pagando apenas R$ 5,00? Vá até um ponto de ônibus na Rua Joaquim José da Silveira Jr. sentido R. Marcílio Dias é o ponto de ônibus para a volta. Um ônibus municipal faz o mesmo trajeto que o intermunicipal e passa mais vezes para atender os trabalhadores que vão de uma cidade a outra. O ponto fica próximo ao São Francisco Shopping.
  • Para ir ao Centro Histórico de São Francisco do Sul siga pela Rua Almirante Guilhen. É só cruzar o morro e do alto você já verá o mar e os prédios antigos.
  • Se quiser continuar viagem para outros lugares e estados, vá par ao outro lado da ilha e pegue um ônibus intermunicipal ou interestadual na Rodoviária Enseada – Av Atlântica, 2003 – s-1 
    Enseada – São Francisco do Sul

 

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