Apiaí

Município no extremo do Sul do estado de São Paulo, Apiaí se orgulha de ser uma das maiores cidade do Vale do Ribeira, clama para si o título de Portal da Mata Atlântica e de cidade central do PETAR. Um dos títulos que a cidade se deu é – Apiaí, capital do Alto do Vale do Ribeira.

Aos viajantes e navegadores que acompanham A Bússola Quebrada, comentei dessa cidade em posts anteriores, quando falei de Iporanga, e do PETAR. Acontece que Apiaí e Iporanga tem uma antiga rivalidade.

Mapa da Rota da Cerâmica – Ênfase na Casa do Artesão de Apiaí

Mapa da Rota da Cerâmica – Ênfase na Casa do Artesão de Apiaí

Enquanto Iporanga é a Capital das Cavernas e tem dentro do município o Núcleo Santana, Apiaí é talvez a maior cidade do Vale do Ribeira e em sua área está localizado o Núcleo Caboclos, ambas áreas de grande concentração de cavernas. Porém, o Núcleo Santana é bem mais trabalhado para receber turistas e a cidade de Iporanga, apesar de pequena e pouco desenvolvida economicamente, é sem dúvidas a que recebe mais turistas e tem mais infraestrutura de hotéis e pousadas.

Nós, como viajantes, vamos deixar que as duas resolvam suas diferenças na arena, de futebol, batendo uma bola pra ver que leva a melhor.

Estrada BR-165 entre Apiaí e Iporanga. Já teve um espírito de porco para sujar a placa. Cuidado na estrada.

Estrada BR-165 entre Apiaí e Iporanga. Já teve um espírito de porco para sujar a placa. Cuidado na estrada.

Acontece que numa viagem recente a trabalho, estivemos em Apiaí, distante 320 quilômetros de São Paulo, e pudemos ver, apesar do tempo chuvoso, o que a cidade tem a mostrar ao visitante. Os pontos turísticos são vários. A começar pela área rural do município, com cachoeiras e cavernas.

O visitante que for conhecer Apiaí pode chegar cruzando a serra, pela rodovia SP-165. Mas fique atento, o trecho de asfalto está bem ruim e o caminho é no alto da serra.

Rua 1° de maio, centro de Apiaí. Tempo chuvoso.

Rua 1° de maio, centro de Apiaí. Tempo chuvoso.

Já no caminho para Apiaí o visitante verá placas para a Cachoeira do Véu da Noiva – vamos combinar que não é assim um nome muito original – e a placa para a Cachoeira Arapongas, que, segundo o que está escrito, fica a apenas 1 quilômetro da estrada. Em dia de sol, dá pra curtir bastante, mas como no dia da minha visita a chuva estava inclemente, não vi muita vantagem em sair do carro para ver água cair. Uma outra vez, quem sabe.

O trecho entre Apiaí e Iporanga é de 43 quilômetros. A maior parte é de subida. Nada de muita inclinação, mas Apiaí está bem no alto da serra, no PETAR, a mais de mil metros de altitude. A diferença de temperatura e clima entre as duas cidades é facilmente percebida.

No mesmo dia em Iporanga. Sol e dia claro.

No mesmo dia em Iporanga. Sol e dia claro.

Turismo em Apiaí

Quem chega a Apiaí já vê na entrada da cidade uma escultura de um grande pote de barro, redondo, com uma torre no alto e três pernas. O visitante poderá ver versões menores deste jarro na Casa do Artesão de Apiaí.

As ruas mais movimentadas do centro de Apiaí são a 1° de maio e a 21 de abril.

Calçadão da rua 1° de maio. Centro comercial de Apiaí.

Calçadão da rua 1° de maio. Centro comercial de Apiaí.

Na 1° de maio o visitante encontra comércio, especialmente lojas de roupas, acessórios, mercados, lanchonetes e bancos. Já na 21 de abril, paralela à 1° de maio, o visitante verá o Centro Cultural de Apiaí, que, segundo um amigo, tem toda aparência de ter sido o cinema da cidade. E parece mesmo. Guardei uma imagem para pesquisar melhor numa próxima visita.

O Centro Cultural de Apiaí. Parece mesmo com um cinema. Com as características das primeiras décadas do século 20.

O Centro Cultural de Apiaí. Parece mesmo com um cinema. Com as características das primeiras décadas do século 20.

A curiosidade aqui fica com o calçadão ao final da 1° de maio, com muitas lojas e o Hotel Apiaí, em arquitetura dos anos 1930, na época em que se queria ser moderno, estilizando os traços do que um dia foi clássico.

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Além do Hotel Apiaí, pudemos ver algumas pensões e pousadas, mas as características do Hotel Apiaí me chamaram a atenção. Antigo, parecendo não receber muita gente, com um aspecto de ser para uma população de mais baixa renda e de não oferecer muitos confortos para turistas. Posso estar enganado e os orgulhosos moradores de Apiaí me perdoem se fui precipitado no julgamento, mas o que vi atraiu minha curiosidade, não meu desejo em me hospedar. E como já devo ter dito anteriormente, até a turismóloga responsável pela Casa do Artesão de Apiaí foi obrigada a confirmar que faltam opções de hospedagem em Apiaí para os turistas.

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O Hotel Apiaí, na rua 1° de maio. Já deve ter sido muito imponente antes. Parece guardar boas lembranças de outros tempos mais dourados que os cinzentos dias de hoje.

 

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Casa do Artesão de Apiaí

 

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Esculturas da Casa do Artesão de Apiaí.

Seguindo pela rua 21 de abril o visitante tem a Casa do Artesão de Apiaí.

Rendas, tecelagens, esculturas, cerâmicas e fotografia de artesãos e artesãs da região do Vale do Ribeira. A Casa do Artesão de Apiaí é sede da Associação Alto Vale do Ribeira.

Casa do Artesão de Apiaí.

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O coreto para fotos de casais na Casa do Artesão de Apiaí.

Logo na entrada da Casa do Artesão de Apiaí o visitante encontra um coreto preservado, bonito para uma foto de namorados e um relógio de sol, que deve funcionar bem em dias de sol. O que não era bem o caso nesta visita. O clima em Apiaí costuma ser nublado pela proximidade com o alto da serra.

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Relógio de Sol na praça em frente à Casa do Artesão de Apiaí. Esperando o sol bater para funcionar corretamente.

 

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Peças imitando animais na Casa do Artesão de Apiaí.

A Casa do Artesão de Apiaí, por outro lado, tem brilho próprio.

As cerâmicas são em origens variadas, desde temas indígenas até os mais realistas. Como a presença de quilombos é comum na região, o artesanato acabou se tornando fonte de renda para muita gente da região.

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A entrada para a Sala das Mestras na Casa do Artesão de Apiaí.

 

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Cestos, balaios, artesanato em vários materiais, todos podem ser vistos na Casa do Artesão de Apiaí.

Os estilos se misturam e a Casa do Artesão de Apiaí dá igual importância a homens e mulheres. O melhor exemplo disso é a Sala das Mestras. Espaço reservado para artesãs, mestras em suas artes. Como o tempo estava chuvoso, a maior parte de nossa estada foi dentro da Casa do Artesão de Apiaí, onde pudemos ver esculturas cuidadosamente esculpidas em madeira, pedra e barro, a sala das tecelagens e rendas, cerâmica modelada e tudo muito bem explicado e enriquecido com painéis de textos e fotos.

casa-do-artesao-de-apiai-ceramica-artesanato-esculturas-exposicaoJarros, vasos, a representação humana através de diferentes mãos. Há muito mais para se ver na Casa do Artesão de Apiaí.

 

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A Casa do Artesão de Apiaí ainda é enriquecida com quadros explicativos, fotos e vasto material. Faça uma visite e pergunte às pessoas da administração. Nós fomos muito bem recebidos.

Em outra sala da Casa do Artesão de Apiaí o visitante verá o Museu da Cerâmica, com fotos e informações sobre a arte ceramista na região do Vale do Ribeira.

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Rústico, bonito, bem acabado, delicado, pequeno ou grande. Aqui todo este material está à venda e para exposição, para valorizar a cultura local. A Casa do Artesão de Apiaí tem múltiplas funções.

Soube que agora no final de janeiro e começo de fevereiro acontece uma festa de artesanato em Apiaí. Boa hora para conhecer a cidade.

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Visite A Casa do Artesão de Apiaí com tempo. Há muito para ver.

 

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Mais que somente cerâmica, a Casa do Artesão de Apiaí oferece artesanato e cultura.

Centro Histórico de Apiaí

O nome Apiaí é de um dialeto Guarani, significando “rio dos meninos”, ou “rio dos homens”, dependendo do sentido geral da frase.

O conjunto histórico e arquitetônico de Apiaí abrange, além do centro, comentado aqui com as ruas e avenidas mais movimentadas, uma área mais afastada e com vários prédios públicos chamada de Praça dos Monumentos.

Outra coisa que chama muito a atenção no Centro de Apiaí é a enorme fábrica de cimento da Intercement, que pode ser vista de vários pontos de Apiaí.

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A enorme fábrica da Intercement em Apiaí. A foto não é minha, é do Wikipedia – “Intercement Apiaí” por Evandroapiai – Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Intercement_Apia%C3%AD.JPG#/media/File:Intercement_Apia%C3%AD.JPG- 

A Praça dos Monumentos.

Este é o conjunto arquitetônico de maior relevância em Apiaí.

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Igreja Matriz de Apiaí – Igreja de Santo Antônio, de 1736, na Praça dos Monumentos.

Na Praça dos Monumentos funciona o Fórum de Apiaí, com uma entrada que me pareceu pouco prática. Uma rampa para acessibilidade, o que é bem legal, mas com uma grade que praticamente esconde a fachada do prédio. A mim pareceu calçada demais, grade demais. Para um cadeirante, é ótimo. O esforço é mínimo, mas a quantidade de metal fere a vista do prédio público, que não deve servir apenas de local de trabalho. Uma das funções da arquitetura pública é embelezar a cidade. E o Fórum de Apiaí ficou escondido atrás de tanto ferro.

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O Fórum de Apiaí atende toda a macrorregião do Vale do Ribeira.

Como a Praça dos Monumentos está num dos pontos mais altos de Apiaí, o visitante verá as colinas ao redor da cidade, os campos distantes, com plantações e milhares de árvores, a serra ao redor e o Morro do Ouro, com seu mirante. Garantia de vertigem para os mais sensíveis!

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Você moraria numa vizinhança assim? Esta é apenas uma pequena vista das maravilhas ao redor de Apiaí.

Está na Praça dos Monumentos de Apiaí a Igreja Matriz de Santo Antônio, que foi oficialmente inaugurada em 06 de julho de 1736, tendo como fato muito chamativo, que além da inauguração de primeira igreja de Apiaí, o Padre João Monteiro batizou a filha de um casal de escravos “pertencente” ao fundador da cidade, Capitão Francisco Xavier da Rocha.

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Na Praça dos Monumentos de Apiaí, a Igreja Matriz de Santo Antônio.

Vamos lembrar que era época da escravidão e ciclo do ouro, e que por isso mesmo a região é cheia de quilombos de pessoas que fugiram da escravidão.

O “V” dos Pracinhas de Apiaí.

O “V” dos Pracinhas de Apiaí.

Outro monumento da praça é um grande “V” pintado de verde e amarelo, com uma serpente sobre a parte amarela, em homenagem aos quatro pracinhas de Apiaí que foram para a Segunda Guerra Mundial e morreram nos campos da Itália. Se entendi bem, entre eles havia uma mulher. Mais uma informação para pesquisar. Seria uma enfermeira? Uma oficial da inteligência? As placas continham pouca informação, então, quem souber mais, por favor conte.

Detalhe do Monumento aos Pracinhas da Segunda Guerra. A serpente fumando cachimbo.

Detalhe do Monumento aos Pracinhas da Segunda Guerra. A serpente fumando cachimbo.

Seguindo mais para o Centro de Apiaí e virando as costas para a Igreja Matriz de Santo Antônio, o visitante verá uma escultura de pedra em forma de Lua Crescente. É a homenagem de Apiaí à Conquista da Lua, em 20 de julho de 1969. Uma pena que na placa, ao invés do nome dos astronautas ou da nave Apollo 11 esteja o nome do prefeito da época. Pela lei brasileira, esta atitude de promover um político não seria permitida atualmente.

A Conquista da Lua, na Praça dos Monumentos de Apiaí.

A Conquista da Lua, na Praça dos Monumentos de Apiaí.

E para finalizar o complexo arquitetônico da Praça dos Monumentos, o visitante verá a sede da Secretaria de Segurança Pública de Apiaí, um modesto, mas bonito prédio do começo do século 20.

Sede da Secretaria de Segurança Pública de Apiaí.

Sede da Secretaria de Segurança Pública de Apiaí.

Morro do Ouro

A história que ouvi sobre o Morro do Ouro, visível praticamente de qualquer lugar em Apiaí é de que toda a sua extensão e altura é repleta de túneis de mineração de ouro. E foi no ciclo do ouro que Apiaí mais se desenvolveu. O local agora é o Parque Municipal do Morro do Ouro, com estrutura para receber o turista, com sede em forma circular, ruas pavimentadas para chegar ao topo do morro, trilhas, mirante e muitas lendas e fatos. O difícil vai ser separar os dois. A maior parte do tempo em que estivemos lá, ou choveu ou a névoa da serra cobriu o mirante, a chaminé de garimpo e a torre de rádio e sinal de celular. Vou ficar devendo também uma boa foto.

Conheça a Casa do Artesão de Apiaí e veja pessoalmente a arte ceramista da região do Alto do Ribeira.

Conheça a Casa do Artesão de Apiaí e veja pessoalmente a arte ceramista da região do Alto do Ribeira.

Onde comer

Uma dica final para quem visitar Apiaí é fugir das lanchonetes da rua 1° de maio e ir para a entrada da cidade.

Comemos em um PF (prato feito), baratinho e bem gostoso em frente ao posto de gasolina na 1° de maio – não confundir com o restaurante Pilão, que parece ser bom, mas não comemos lá, então, sua conta e risco.


Dicas de Viagem:

  • Praça dos Monumentos – Praça Francisco Xavier da Rocha, 213 – Centro – Apiaí, SP.
  • Paróquia Santo Antônio – Igreja Matriz de Apiaí – Praça Francisco Xavier da Rocha, 213 – Centro – Apiaí, SP.
  • Para chegar a Apiaí, escolha seu caminho:
  • De São Paulo são 323 km com acesso pela SP-250 e SP-280.
    Saindo de Curitiba é mais perto. São 174 km com acesso pela BR-476.
    Vindo de Iporanga, o visitante pega a SP-165. Apenas 43km, mas a estrada inspira cuidados.
    Informações turísticas podem ser conseguidas na Rodovia SP-250, Km 320.
    Casa do Artesão de Apiaí – Praça Jonas Dias Batista, 9.
  • Site da Prefeitura de Apiaíwww.apiai.sp.gov.br/ – Mas cuidado! Meu antivírus disse que há um pishing na página e não quis abrir a maioria dos links.
  • Para saber mais sobre a cerâmica de Apiaíhttp://www.ceramicadeapiai.com.br/
  • E aqui você encontra mais informações sobre a Casa do Artesão de Apiaí  http://www.ceramicaaltovaledoribeira.com.br/
  • Quer saber mais sobre o Parque Municipal do Morro do Ouro? Veja aqui: http://www.morrodoouro.eco.br/
  • E como sempre, pesquisei um pouco na Wikipédia sobre Apiaí, inclusive a foto da Intercement veio deste link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Apia%C3%AD – Tudo que eu fiz foi tratar um pouco a imagem para dar mais visibilidade.
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