As mulheres surrealistas

Nós fomos visitar essa exposição “Frida Kahlo: conexão entre mulheres surrealistas no México” ainda em São Paulo, em um dia totalmente atípico em que o Tomie Ohtake estava completamente sem fila. Vamos contar o que vimos e um pouco do que descobrimos sobre essas mulheres fascinantes.

Foi um dia corrido. Cheguei em São Paulo no final da tarde direto para ir à exposição. Fiquei com medo de ter uma fila tão grande que eu nem conseguiria entrar. Para nossa surpresa, não tinha fila nenhuma, na verdade estava até bem vazio. Um milagre de feriado!

O Tomie Ohtake fica em uma região muito interessante. A alguns minutos do metrô Faria Lima,  e em sua volta bares e restaurantes com comida e cerveja boa.

E se quiser aproveitar mais um pouco, depois do pôr-do-sol nos finais de semana, o Largo da Batata (onde fica uma das saídas do metrô) fica cheio de gente jovem descolada (como você pode ver, já não sou nem jovem e muito menos descolada) e volta e meia tem algumas atividades culturais por lá.

A exposição

Frida Kahlo é um nome conhecido e reconhecido internacionalmente, mas a exposição não é apenas sobre ela, é sobre mulheres artistas – pintoras, escultoras, fotógrafas, escritoras – que fizeram parte do chamado movimento surrealista mexicano.

Frida Kahlo é a chamariz, mas vou ser honesta, ela não era minha favorita. Eu já gostava muito da Remedios Varo e passei a amar Alice Rahon e Leonora Carrington. Como quase todo mundo fui na exposição por causa da Frida e não sabia o que esperar sobre as outras artistas. Foi uma surpresa feliz!

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“As duas Fridas” de Frida Kahlo.

Frida Kahlo não é só a chamariz da exposição, pois ela teve um papel fundamental de articulação nessa rede de mulheres talentosas e incríveis, que  até hoje são sub-reconhecidas, ficando à sombra de seus maridos – que não serão citados aqui.

Acho que Frida Kahlo dispensa apresentações. Mas se você for visitas a exposição, acho que vai ficar tão fascinada quanto eu ao descobrir artistas fantásticas das quais nunca ouviu falar.

Um pouco sobre essas mulheres

Algumas dessas mulheres eram mexicanas de nascimento, outras foram para o México fugindo da guerra na Europa e fizeram do país seu lar, outras passaram por lá e foram influenciadas por esse forte movimento.

A exposição conta com obras de 14 artistas, além de Frida Kahlo. Vou falar um pouquinho das mais representativas (e que mais me encantaram).

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“Auto-retrato” de María Izquierdo.

María Izquierdo foi a primeira pintora mexicana a expor nos EUA. Estudante destacada na Escola Nacional de Belas Artes do México, sendo elogiada pelos maiores pintores de sua época.  Suas obras são marcadas pela cultura mexicana.

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“Alguns sobem, outros descem” de Lola Alvarez Bravo.

Lola Alvarez Bravo uma das mais importantes fotógrafas mexicanas. Foi em sua galeria que Frida Kahlo expôs pela primeira vez. Lola também foi uma das principais fotógrafas entre seus amigos artistas, como Frida Kahlo e María Izquierdo.

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“Auto-retrato” de Rosa Rolanda.

Rosa Rolanda uma mexicana que nasceu americana. Já na segunda década do século passado, Rosa (ou Rose, ou outros nomes e sobrenomes) era uma famosa atriz e dançarina da Broadway. Foi morar no México por causa de seu marido. Entre seus muitos interesses e talentos, também foi pintora, sendo influenciada pelo surrealismo mexicano, e fotógrafa.

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“Arquitetura Vegetal” de Remedios Varo.

Remedios Varo era uma pintora espanhola, que durante a guerra civil exilou-se em Paris, onde foi fortemente influenciada pelo surrealismo. Lá conheceu Frida Kahlo, e durante a invasão alemã em Paris, foi para o México em exílio. Ficou por lá durante todo o resto de sua vida.

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“Como faz o pequeno crocodilo” de Leonora Carrington. Posteriormente, Leonora fez dessa pintura uma escultura. E eu recomendo fortemente, que procurem sobre as esculturas dela!

Leonora Carrington uma inglesa de alma errante, era pintora, escritora e escultora surrealista. Assim, como Remedios Varo, exilou-se no México durante a segunda guerra mundial e ficou lá até o fim de sua vida. Vida aliás, cheia de aventuras pelo mundo, virou um livro que tem o seu nome: “Leonora”.

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“Ode à necrofilia” de Kati Horna. Devo admitir que as fotos dela me assustam um pouco.

Kati Horna uma hungára que começou sua carreira em fotojornalismo em Paris. Foi para a Espanha durante a Guerra Civil e se dedicou a retratar a vida cotidiana das pessoas comuns em meio à guerra. Seu trabalho é reconhecido como um dos mais importantes do período. Kati Horna, com maestria, transitou entre o realismo e o surrealismo.

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“O Malabarista” de Alice Rahon. Fabiano adorou essas esculturas.

Alice Rahon era uma poeta surrealista francesa, e depois de se mudar para o México, iniciou-se na pintura e artes plásticas surrealistas. Sua vida, cheia de dor e superação, lembra muito a de Frida Kahlo, não à toa, as duas se tornaram grandes amigas.

A exposição na Caixa Cultural do Rio de Janeiro

exposição caixa cultural

Foi com grande surpresa e frustração que soube que a visitação na Caixa Cultural só pode ser feita com a aquisição antecipada da senha, pela internet ou no local.

Não acho que seja ruim o sistema antecipado. Mas acho bastante complicado considerando que a visita é gratuita. Não posso dizer que gosto de ficar horas em uma fila – já fiquei mais de 6 horas para entrar em uma exposição no CCBB-Rio – mas também não gosto de ter que programar uma vista com tanta antecedência – mais de um mês. Tem coisas que devem manter uma certa espontaneidade, e oportunidade.

Se eu pudesse dar uma sugestão para a Caixa Cultural, é que deixasse alguns dias na semana sem ingressos prévios ou mesmo que combinasse a liberação das senhas antecipadas com senhas diárias.


 

Dicas de Viagem:

Caixa Cultural do Rio: Aqui você encontra o link para conseguir o ingresso, entre outras informações. Lembrando que a entrada é gratuita.

http://www.caixacultural.com.br/sitepages/noticia-detalhe.aspx?origem=list&id=29.

A exposição fica até o dia 27 de março de 2016 no Rio de Janeiro. Depois, em abril, a exposição segue para a Caixa Cultural de Brasília.

Site sobre mulheres do surrealismo (em inglês): http://faculty.hope.edu/andre/index.html

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