Roteiro Pequena África

Em abril, o projeto Passados Presentes – Memórias da Escravidão no Brasil, lançou o roteiro Pequena África na cidade do Rio de Janeiro. Nós fomos lá conferir e vamos te contar como é e como foi. Venha com a gente e depois vá lá conferir pessoalmente!

O projeto Passados Presentes é um esforço conjunto de pesquisadores e quilombolas que tem por objetivo reconstruir, preservar e disseminar a cultural e história africana do Brasil, através do que eles chamam de turismo de memória.

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Tem cultura africana em todo lugar!

Do ponto de vista prático da construção da memória social o projeto tem dois focos importantes: valorização da cultura africana, tão importante para entender a formação da cultura brasileira; e um resgate-homenagem que nasce da ideia de que é impossível construir um futuro melhor se não conhecermos nosso passado.

Clique na imagem para aumentar:

Os 4 roteiros

Os 4 roteiros

Roteiro Pequena África

Roteiro Pequena África

Roteiro Quilombo do Bracuí

Roteiro Quilombo do Bracuí

Roteiro Quilombo de São José

Roteiro Quilombo de São José

Roteiro Jongo de Pinheiral

Roteiro Jongo de Pinheiral

 

 

 

 

 

 

 

    O projeto conta com 4 roteiros no Estado do Rio de Janeiro: o quilombo do Bracuí, em Angra dos Reis; o quilombo de São José, em Valença; a cidade de Pinheiral, a capital do Jongo do Sudeste, patrimônio imaterial brasileiro reconhecido pelo IPHAN; e o centro da cidade do Rio de Janeiro, a Pequena África.

Não sabe o que é Jongo? Assista o vídeo abaixo!

A Pequena África

A denominação Pequena África foi cunhada pelo sambista Heitor dos Prazeres no inicio do século XX, para designar a região da zona portuária do Rio de Janeiro, por onde a grande maioria os negros em situação de escravos entravam no país e por isso tinha toda uma estrutura voltada para o descarte dos negros que chegavam mortos ou moribundos, a preparação daqueles que chegavam em boas condições e da venda dos que já estavam prontos. Processo que foi largamente retratado por pintores da época, como Debret e Rugendas.

Largo São Francisco da Prainha

Largo São Francisco da Prainha, onde se situava o mercado de escravos da região do Valongo.

Por outro lado, após a abolição, a região recebeu migrantes ex-escravos que vinham de fazendas tentar a sorte na cidade, muitos deles trabalhando no cais. Portanto, a região concentrou a cultura africana trazida pelos negros da Bahia e do Vale do Paraíba. Não por acaso, a região é o Berço do Samba, uma das maiores representações culturais do país!

Origem do samba carioca

Quem não gosta de samba?

Ainda hoje a região guarda sua herança africana, especialmente com o quilombo da Pedra do Sal e a criação do Instituto Pretos Novos – IPN, que são dois polos importantes de preservação e disseminação da história e cultura pré e pós abolição da escravidão.

O roteiro

O roteiro da Pequena África conta com 19 pontos principais de cultura material e imaterial e outros mais de 50 que podem ser acessados pelo aplicativo do projeto, como o samba, Jongo do Sudeste e a capoeira, concentrados na região do centro da cidade, principalmente na zona portuária.

A entrada mais gracinha do morro da Conceição. Há outras entradas. A Rua da Pedra do Sal deve ser a mais famosa.

A entrada mais gracinha do morro da Conceição. Há outras entradas. A Rua da Pedra do Sal deve ser a mais famosa.

A intenção do pessoal do Passados Presentes era fazer uma apresentação do projeto com as coordenadoras, seguida pela exibição de um curta metragem sobre o processo de criação do projeto e por fim, uma caminhada por uma pequena parte do roteiro. O público foi muito maior do que o esperado, e os organizadores acabaram tento que adaptar. O primeiro grupo fez o roteiro esperado e assistiu uma performance do Grupo de Teatro da Pedra do Sal.

A Rua Sacadura Cabral, antiga Rua da Saúde, mantém até hoje suas fachadas de características portuguesas. Alguns dos prédios são do século XIX.

A Rua Sacadura Cabral, antiga Rua da Saúde, mantém até hoje suas fachadas de características portuguesas. Alguns dos prédios são do século XIX.

Felizmente, a região está sendo bem sinalizada!

Felizmente, a região está sendo bem sinalizada!

O segundo grupo, do qual participei, fez uma versão mais curta, mas ainda assim, muito interessante, com as coordenadoras como guias, contado sobre os lugares.

Pessoal na Pedra do Sal ouvindo nossas guias.

Pessoal na Pedra do Sal ouvindo nossas guias.

A Pedra do Sal, antes era Pedra da Prainha. Ela era bem comprida e o mar chegava até ela.

A Pedra do Sal, antes era Pedra da Prainha. Ela era bem comprida e o mar chegava até ela.

Nosso curto ‘roteiro-degustação’ saiu do MAR – Museu de Arte do Rio e foi andando pela Rua Sacadura Cabral, onde passamos pelo Mercado de Escravos da Prainha, a Pedra do Sal, até chegarmos ao Cais do Valongo. Onde estávamos diante de dois pontos muito interessantes. O primeiro são as docas André Rebouças. O nome é em homenagem ao primeiro engenheiro negro do Brasil, que foi responsável pelo projeto original das docas. E em frente ao cais, a subida do Morro do Livramento, onde nasceu e se criou um dos maiores escritores brasileiros: Machado de Assis, neto de ex-escravos.

Sítio arqueológico do Cais do Valongo. E o prédio de tijolo, já bastante modificado, são as docas André Rebouças.

Sítio arqueológico do Cais do Valongo. E o prédio de tijolo, já bastante modificado, são as docas André Rebouças.

Pintura “Desembarque” de Rugendas, que retrata a chegada dos escravos no Cais do Valongo.

Pintura “Desembarque” de Rugendas, que retrata a chegada dos escravos no Cais do Valongo.

Quem quisesse continuar o percurso antes do almoço, poderia seguir até o Instituto Pretos Novos, onde se localiza o Cemitério dos Pretos Novos. Eu decidi não ir porque estava morrendo de fome e já conhecia o IPN. Deixei para a próxima vez que for fazer o roteiro mais completo.

Leia aqui sobre a nossa visita ao Instituto Pretos Novos.

A foto não está das melhores, mas essa é a subida do morro do Livramento. Subindo um pouco, atrás do prédio branco é a casa de Machado de Assis.

A foto não está das melhores, mas essa é a subida do morro do Livramento. Subindo um pouco, atrás do prédio branco é a casa de Machado de Assis.

O aplicativo

Parte do projeto é um aplicativo de celular para as pessoas poderem descobrir sobre os lugares de forma autônoma, percorrendo o roteiro sozinhas ou verificando quais pontos estão perto da sua localização.

No aplicativo cada ponto apresenta uma série de fotos históricas e um texto. Alguns pontos já contam com um código QR, para o visitante poder ter um guia particular. O objetivo do projeto é que todos os pontos contem com esse código.

Apresentação do Aplicativo

Apresentação do Aplicativo.

Desde a vez que visitei o Instituto Pretos Novos estava bem empolgada sobre um roteiro sobre a cultura e história afro-brasileira. Agora ele é realidade e eu espero que todos saibam aproveitar bem!


Dicas de viagem:

  • Site oficial do projeto Passados Presentes: www.passadospresentes.com.br
  • O site tem um vídeo muito bacana sobre o projeto. Recomendo fortemente que assistam!
  • Aplicativo Passados Presentes: quem tem um celular com sistema androide pode baixar o aplicativo direto na Play Store. Ele ainda está esperando liberação da apple para ser lançado no sistema IOS.
  • Aqui o link para a íntegra do filme: Passados Presentes – Filme
  • O projeto não prevê visitas guiadas.
  • O roteiro sugere o MAR – Museu de Arte do Rio como ponto inicial, e de lá seguir pela Rua Sacadura Cabral até seu final. Todos os pontos ficam no entorno dessa Rua. E com o auxílio do aplicativo você vai achar todos eles.
  • O MAR fica na Praça Mauá, 5.
  • O IME – Instituto Militar de Engenharia, onde os irmãos Rebouças se formaram, tem um vídeo muito legal para quem quer conhecer mais sobre André Rebouças, um dos mais importantes engenheiros do Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=OJmPEaMNNaM
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