Bento Gonçalves – Vinícola Aurora

Nossas viagens pelo Sul do Brasil estão chegando ao fim. Mas ainda temos algumas paradas em Bento Gonçalves. A cidade é conhecida por suas fazendas de uva e vinícolas e tem um trajeto muito especial conhecido como Via del Vino ou “Caminho do Vinho”. Fomos fazer um brinde para comemorar nossa viagem! Vem brindar com a gente!

O guia de nosso tour pela Vinícola Aurora. Sempre pronto a responder as perguntas mais ébrias sobre vinhos e a forma de produção.

O guia de nosso tour pela Vinícola Aurora. Sempre pronto a responder as perguntas mais ébrias sobre vinhos e a forma de produção.

A Capital brasileira do Vinho, como é conhecida Bento Gonçalves, tem uma respeitável lista de vinícolas produtoras de deliciosos vinhos. As fazendas se espalham por toda a área do município e oferecem ao visitante, além de saborosa embriaguez, ar puro, diversão, cultura, arte, história e comidas típicas.

Como seria impossível visitar todas as fazendas em um único dia, optamos por ficar na cidade mesmo. Entre uma estação de trem e uma igreja bonita soubemos, no Centro de Atendimento ao Turista, o CAT, na entrada da cidade, que a Vinícola Aurora tem um tour de hora em hora para quem quiser visitar as instalações.

Claro que há o momento de degustação dos vinhos, mas este fica para o final do tour.

Claro que há o momento de degustação dos vinhos, mas este fica para o final do tour.

Fomos lá para a Vinícola Aurora saber o que se pode saber sobre a bebida que foi inventada por um deus e dada aos homens para celebrar a vida e a colheita.

Vinícola Aurora

Uma cidade que tem um Caminho do Vinho, tem que ter boas vinícolas. E no centro de Bento Gonçalves estão as instalações da Vinícola Aurora. A única que ainda está dentro do perímetro urbano. As demais, saíram da cidade e estão todas em fazendas do município.

Na hora de começar o tour, o visitante verá, de um lado da rua, veículos da empresa, escritórios, hotel e loja. Do outro, a produção de vários vinhos, barris enormes, vats de alumínio e um trabalho muito bem feito de guia, com atrações diversas para entreter o visitante. A viagem termina na loja da Vinícola Aurora, o que pode ser um problema para alguns.

O complexo da Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves. Administração e fábrica.

O complexo da Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves. Administração e fábrica.

Como a Karina e eu viajávamos de mochila, preferimos não carregar muito peso, mas selecionamos uns presentinhos para família e amigos. Atrás de nós, um outro casal estava fazendo a compra do mês. O carrinho ia cheio de vinhos.

Mas vamos ao tour.

A passagem por debaixo da rua. Há muitas passagens chamativas na fábrica. Uma delas está decorada de garrafas de vinhos premiados.

A passagem por debaixo da rua. Há muitas passagens chamativas na fábrica. Uma delas está decorada de garrafas de vinhos premiados.

A primeira parada é no escritório. De lá, sala de espera e juntar-se ao grupo para conhecer as instalações do outro lado da rua. O divertido é que quando você sai, nota que passou por baixo da rua, do asfalto e foi parar na fabricação.

Nosso guia há de perdoar minha indelicadeza, mas não anotei seu nome.

Os barris que as pessoas sempre lembram quando o tema é vinho. Mogno, carvalho, jacarandá, são algumas das madeiras usadas no processo de envelhecimento do vinho.

Os barris que as pessoas sempre lembram quando o tema é vinho. Mogno, carvalho, jacarandá, são algumas das madeiras usadas no processo de envelhecimento do vinho.

Primeira parada, vamos ver os famosos barris de vinho. Enormes, pesados, maciços. Uns feitos de carvalho, outros de madeiras diferentes, dependendo do tipo de vinho que se quer envelhecer.

Claro que nosso guia explicou com muita propriedade cada aspecto do processo de fabricação do vinho, e poderíamos escrever um post inteiro sobre vinhos. Aliás, olha uma boa ideia aí!

Uma galeria com produtos da Vinícola Aurora. Tem até suco de uva!

Uma galeria com produtos da Vinícola Aurora. Tem até suco de uva!

O guia seguiu contando que tudo se aproveita do vinho. O bagaço pode ser reaproveitado para ser ração animal, adubo. O ácido, um efeito colateral da produção de vinho, pode servir para fins industriais e os barris, depois de anos envelhecendo vinho, ficam encharcados por dentro, moles, começam a dar o gosto errado ao produto. Para solucionar isso, na troca de vinho maduro por outro vinho, jovem, que será envelhecido, os tanoeiros raspam a madeira interna do barril até chegar na madeira amarelada natural da maioria das árvores usadas no envelhecimento. Este substrato, que parece sem valor, vai para a indústria farmacêutica ser transformado em antiácido efervescente. O quê, você nunca percebeu que aquele pozinho para enjoo se chamava ENO? Lembra do enólogo, o cara que entende de vinho? É, eu também nunca me toquei. Mas as propriedades do vinho servem inclusive para isso. Viajando e aprendendo!

Uma exposição de quadros com o tema de vinho e vinícolas estava em preparação quando visitamos a fábrica da Vinícola Aurora. Tivemos sorte de ver tudo em primeira-mão!

Uma exposição de quadros com o tema de vinho e vinícolas estava em preparação quando visitamos a fábrica da Vinícola Aurora. Tivemos sorte de ver tudo em primeira-mão!

Uma outra surpresa foi saber que os barris de vinho, tão tradicionais, não são a melhor coisa do mundo para conservar vinho. Tanto que a Vinícola Aurora está trocando a maioria dos barris por grandes vats de alumínio.

Os vats de alumínio, substitutos do barril de madeira.

Os vats de alumínio, substitutos do barril de madeira.

Parecem pouco atraentes, mas segundo o guia, são mais eficientes e conservam melhor as propriedades do vinho. Pela resistência do material, os vats de alumínio também estocam mais liquido do que os barris de madeira poderiam suportar. Mais estoque em menos espaço.

Porém, é bom ficar atento!

Os barris de alumínio são para os vinhos mais industriais, feitos em larga escala. Quanto maior a qualidade do vinho, menor é o tamanho do barril, e o barril ainda precisa ser de madeira para dar gosto ao vinho. Os visitantes ainda verão pequenos barris mais adiante em nosso passeio. São os vinhos mais especiais. O barril pequeno faz o vinho pegar mais o gosto da madeira. E a madeira é sempre bem selecionada para dar o gosto específico que se quer no vinho.

A Vinícola Aurora se orgulha de ter recebido vários prêmios mundiais. E de atender vários países, tanto que no meio do caminho passamos entre enormes barris e o corredor era todo enfeitado de bandeiras dos países para onde a Vinícola Aurora exporta seus produtos.

O corredor das bandeiras. O número exato muda de tempos em tempos, mas são muitos países para exportar.

O corredor das bandeiras. O número exato muda de tempos em tempos, mas são muitos países para exportar.

Alguns dos barris que vimos eram bem menores. O caso é que muitos colecionadores preferem o barril tradicional. E claro, cada tipo de vinho terá seu barril.

O barril pequeno, indispensável para uma produção mais elaborada e artesanal.

O barril pequeno, indispensável para uma produção mais elaborada e artesanal.

O Barril de Baco

O esperto deus da mitologia romana, Baco, era famoso por suas festas e fraudes. Deus da noite, sedutor e grande viajante. Seu mito original era Dionísio, dos gregos, e os romanos acolheram este deus e seus cultos. E os cultos eram as festas de comida, muito vinho e sexo. O cara sabia se divertir!

O Barril estava fechado. Dá para ter uma ideia do motivo.O Barril estava fechado. Dá para ter uma ideia do motivo.

 

O Baco ‘feito’ de ouro. Este site está começando a ficar perigoso para menores de 18 anos.

O Baco ‘feito’ de ouro. Este site está começando a ficar perigoso para menores de 18 anos.

E na adega da Vinícola Aurora estão dois monumentos a Baco. Uma estátua de ouro (tá bom) e uma fonte que jorra vinho, assim como a fonte da Via del Vino, no centro de Bento Gonçalves, que você viu no post anterior.

A fonte que jorra vinho. Luzes coloridas e estátuas que remetem à mitologia para celebrar a fabricação de vinho.

A fonte que jorra vinho. Luzes coloridas e estátuas que remetem à mitologia para celebrar a fabricação de vinho.

 

Uma imagem para dar uma ideia das dimensões do Barril de Baco.

Uma imagem para dar uma ideia das dimensões do Barril de Baco.

E entre as atrações da Vinícola Aurora o visitante poderá ver o barril gigante dos vinhos e dos queijos e carnes, que Baco sabia muito bem como combinar, quadros que remetem às fazendas de uva e ao processo de fabricação do vinho, e ao final do tour, antes da loja da Vinícola Aurora, um espaço para degustação, com transluminados imitando vitrais, como em uma igreja, afinal, um deus, mesmo que pagão, deve ter seu local de culto, e claro, uma exposição dos produtos que a Vinícola Aurora oferece para o Brasil e mundo afora.

Como numa igreja, com seus vitrais, estes transluminados contam a história das vinícolas, da plantação à fabricação do vinho.

Como numa igreja, com seus vitrais, estes transluminados contam a história das vinícolas, da plantação à fabricação do vinho.

Comemorar a vida e obra de Baco, comprinhas e seguir a viagem.

As etapas do processo de fabricação dos vinhos, testes de qualidade e a nossa degustação.

As etapas do processo de fabricação dos vinhos, testes de qualidade e a nossa degustação.

Memorial dos Imigrantes Italianos

Bom lugar para parar depois de tanto vinho (ah vai, dois copinhos de café, ou três…) e encontramos um Monumento à Imigração Italiana.

Estatuas Imigrantes Italianos

O conjunto de estátuas em formato épico e heroico serve de Monumento à Imigração Italiana.

Combinadas ao efeito de luzes e cores no céu, toda a estrutura assume um aspecto épico, heroico. Era quase uma da tarde e o céu ameaçava chuva. Como você, leitor ou leitora, deve ter visto no post final sobre Gramado, o céu na região serrana do Rio Grande do Sul muda de humores a todo momento. A chuva transformou-se em sol forte logo depois, mas deu tempo de fazer algumas imagens.

Memorial Imigrantes Italianos

E o show de luzes do céu conferiu um aspecto ainda mais dramático ao Monumento à Imigração Italiana.

Igreja de São Bento

Igreja Sao Bento

A Igreja de São Bento, na Cidade Alta. Parece ou não um barril de vinho?

Bem em frente ao Memorial dos Imigrantes Italianos, está a Igreja de São Bento. Novamente, como era sábado e ainda muito cedo para uma missa, a igreja estava fechada. Mas o formato da igreja lembra o pórtico de entrada de Bento Gonçalves. Aquela forma sugestiva de barril de vinho.

Tudo bem, o vinho está presente nas festividades católicas.

Casa das Artes

Seguimos andando pela Cidade Alta. Dá para ver muito de Bento Gonçalves na Cidade Alta. O Centro, a prefeitura, praças e um mar de prédios. A cidade tem uma economia forte, mas pouco prédios de época.

Parece que estava acontecendo uma mudança de acervo e a Casa das Artes estava fechada.

Parece que estava acontecendo uma mudança de acervo e a Casa das Artes estava fechada.

Nossa intenção era achar um lugar bem legal para comer. Estávamos em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. E eu queria mesmo um churrasco à moda gaúcha. Acabamos passando pela Casa das Artes. Que estava fechada. Parece que era uma reforma. Seguimos à procura por um bom churrasquinho.

Museu do Imigrante

Passamos em frente ao Museu do Imigrante, muito próximo da Casa das Artes. Mas também estava fechado. Parece que ainda estava em construção, ou estava numa reforme mais caprichada. Outros dois itens a entrar para a lista dos afazeres na próxima viagem.

O Museu do Imigrante estava em reforma. Mais uma coisa para a lista do que vamos fazer na próxima visita.

O Museu do Imigrante estava em reforma. Mais uma coisa para a lista do que vamos fazer na próxima visita.

Nossa busca por comida e bebida seguiu por metade de Bento Gonçalves. O café da manhã foi numa padaria da cidade. Ainda bem que foi caprichado, porque já era quase duas da tarde e tudo que víamos eram lindas casas, ruas limpas, árvores, prédios, e no máximo um supermercado. E todos os restaurantes já estavam fechados.

Descobrimos da pior maneira que para comer em Bento Gonçalves num sábado, você tem que fazer isso cedo, ou no começo da noite, ou seguir para a estrada, logo na entrada da cidade, ao lado do CAT e do pórtico em forma de barril de vinho. Lá você pode comer a qualquer hora do dia, mas na cidade, os bons lugares fecham cedo.

Acabou que tivemos que comer alguma coisa que era redonda e tinha queijo, que alguém achou que poderia chamar de pizza, numa lanchonete bem sem graça ao lado da rodoviária, pouco antes de voltarmos para Porto Alegre. Total decepção.

Comer cedo em Bento Gonçalves. Está na lista.

Saindo pelo pórtico de Bento Gonçalves. Será que não tem uma vaga em alguma vinícola?

Saindo pelo pórtico de Bento Gonçalves. Será que não tem uma vaga em alguma vinícola?


Dicas de Viagem:

 

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