Despedida do Sul

Toda viagem deve chegar a seu destino. E nosso destino é continuar viajando. Partimos do Rio Grande do Sul para voltar para casa e começar planos para novas viagens. A vida segue e nosso desejo de ir além apenas aumenta. Veja tudo que vivemos em nossas viagens ao Sul do Brasil.

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Oi, eu serei seu maquinista nessa viagem. Viaje com a gente pelas terras do Sul do Brasil!

A noite ainda tarda preguiçosa a acabar nessa imensidão dos pampas.

Chegamos aqui de madrugada. Partiremos igualmente cedo. Caminhar por entre ruas em estado de reconstrução e ver a cidade que quer refletir o espírito humano, o orgulho, o desejo de voltar a crescer.

Todos queremos dias melhores e a maioria de nós vive para isso, trabalha para isso e se esforça para isso.

Curto caminho até a rodoviária de Porto Alegre. De lá, pegar um táxi vermelho, seguir para o aeroporto.

Todo o trajeto estava programado, planejado e cronometrado. Chegamos ao aeroporto gastando o que imaginamos gastar e com tempo de sobra para o café da manhã.

Nossa Viagem pela Região Sul do Brasil.

Lembro-me das paisagens infinitas e os horizontes cada momento, mais distantes, durante os traslados que fizemos por toda a Região Sul do Brasil, indo de uma ponta a outra dos estados do Paraná, Santa Catarina e finalmente, o Rio Grande do Sul, conhecendo de avião ou principalmente de ônibus as planícies intermináveis e iluminadas por uma luz tal que não vejo aqui. Que não havia visto até então.

Para quem não se lembra, a Karina teria que ir para Porto Alegre participar de um evento na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fizemos um post sobre a universidade. Clique aqui e leia mais.

A UFRGS vista pelo Parque da Harmonia.

A UFRGS vista pelo Parque da Harmonia.

Ela teve uma ótima ideia: Seguiríamos por várias cidades, do Paraná, começando por Curitiba e indo até Porto Alegre, passando por vários lugares.

Para economizar, preparamos o roteiro, a Karina alugou um apartamento via Airbnb e eu consegui umas estadias em hotéis, e em casas de pessoas, via Couchsurfing, que se tornaram amigos a amigas, em vários locais. Quem não nasceu em cima do ouro, precisa saber se virar.

Chafariz no centro do Jardim Botânico do rio de Janeiro.

Chafariz no centro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Acordar cedo e sair do Rio de Janeiro. A chegada a Curitiba se deu ao mesmo tempo que uma chuva de proporções hollywoodianas! Luzes, nuvens, raios, muita água, vento forte e um espetáculo visual para quem sabe apreciar a vida e seu momentos.

O Jardim Botânico de Curitiba. O Chafariz e a estufa.

O Jardim Botânico de Curitiba. O Chafariz e a estufa.

Os dias se seguiram e pudemos ver muito de Curitiba, como seus parques lindos e bem cuidados, como Parque Tanguá e o Jardim Botânico de Curitiba. Vimos maravilhas sobre a cultura da cidade, como a Ópera de Arame e o MON – Museu Oscar Niemeyer.

O MON – Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

O MON – Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

Paranaguá

Em Paranaguá, chegamos cedo, andamos muito por boa parte da cidade, tivemos tempo de conhecer o Centro Histórico, o Aquário, o Museu de Arqueologia e Etnografia da UFPR, e até ver algo das festividades do aniversário da cidade. E que cidade linda é Paranaguá. E ninguém conta isso nos jornais ou na TV. O Brasil é uma terra de maravilhas. Como a gente não fica sabendo disso? Aí está um dos motivos que amamos viajar. Ficamos conhecendo coisas e lugares que ninguém conta, ninguém mostra.

Vista da ponte para a Ilha dos Valadares.

Vista da ponte para a Ilha dos Valadares.

 

Centro histórico de Paranaguá.

Centro histórico de Paranaguá.

Morretes

Uma vez eu disse que minha alegria seria nunca dormir duas vezes na mesma cama. Em nossa viagem pelas distantes terras do Sul, quase realizei este sonho. Ainda que algumas vezes tenhamos dormido no sofá, e até num colchão no chão mesmo, numa bi-cama, eu no módulo do chão e a Karina na cama alta.

Em Morretes dormimos em colchões no chão. E dormimos muito, muito bem. Fomos recebidos na casa de estranhos como quem recebia um amigo próximo ou um parente. Outro motivo bom para viajar – Você reforça sua fé na humanidade por conhecer pessoas tão boas.

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A devastação na serra de Morretes, no mesmo dia do terremoto e tsunami do Japão.

Foi em Morretes que vimos que o Japão e o Brasil estão mais próximos do que qualquer um pode imaginar. Se um grande terremoto acontece no Japão, uma Serra em Morretes desmorona no mesmo dia. Nosso planeta é pequeno. O mal que aflige nosso vizinho, não demora a nos maltratar. Só temos este pequeno globinho azul e precisamos cuidar bem dele. Viajamos até Morretes para ver que do outro lado do mundo, a natureza zangada, avisa a raça humana que é hora de tratar melhor este mundo tão frágil e sozinho no cosmos.

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A ponte de ferro, antiga passagem de trem em Morretes, ligando o centro aos bairros.

Antonina

Era época de festas. Novamente, chegamos na hora certa de cortar o bolo. Antonina também comemorava seu aniversário bem quando passamos. Uma pena não ficar mais tempo.

A cidade era de pescadores, de mar, de costumes, de caminhos de trem. Há inclusive um trecho muito bacana a percorrer de trem entre Morretes e Antonina.

Estação de trem em Antonina. Hoje, centro cultural em desenvolvimento.

Estação de trem em Antonina. Hoje, centro cultural em desenvolvimento.

O que vimos foi uma cidade que se prepara para receber cada vez melhor os turistas, as visitas, o futuro.

A cidade tem pontos bem definidos para visitar. A parte turística, a arquitetura de época, o Mercado Municipal, os esportes náuticos, os passeios de barco, a história.

E sempre aquela vontade de não voltar mais, de viver por lá, de ficar, de esquecer a vida de antes e viver uma nova vida em um novo lugar. Viajar é viver várias vidas.

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Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, de 1715, em Antonina, Paraná.

Joinville

Mesmo com todo o planejamento, aqui cometi um erro. Tantas datas, acabou que errei a data de chegada e reservei a chegada para o dia anterior a nossa chegada em Joinville. Paguei uma diária a mais. Uma dica? Revise seu planejamento de viagem.

O Barco do Príncipe e a prefeitura de Joinville.

A Barca do Príncipe e a prefeitura de Joinville.

Joinville é uma potência econômica. A cidade mais populosa de Santa Catarina. A presença alemã na cidade é evidente. Os hotéis, a cultura, as pessoas, os preços. De todas as cidades que visitamos, Joinville foi a mais cara. O bom gosto custa caro.

Outro aprendizado em Joinville, algo para ser notado e novamente sobre a fragilidade humana:

A rodoviária da cidade estava repleta de andinos. Bolivianos, creio. Sem ter para onde ir, e fugindo das condições em seu país, acampavam com as posses que puderam adquirir e foram capazes de carregar e se abrigaram nas colunas da rodoviária.

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Crianças imigrantes bolivianas à noite na rodoviária de Joinville.

A pele escura contrastando com a pele clara dos descendentes de alemães. Os olhos redondos, amendoados, em contraste com o azul dos moradores da cidade. A pobreza extrema e a falta de lar destoando da riqueza de uma forte Joinville e de pessoas em suas casas.

Visitamos o Centro de Joinville, comemos e bebemos cervejas regionais no Mercado Municipal, conhecemos pessoas maravilhosas, mas a imagem daquelas pessoas, com sua aparência de índios e as crianças correndo e brincando por entre tantos na rodoviária acabou marcando minhas memórias.

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Imigrantes bolivianos na rodoviária de Joinville.

Viajar também serve para isso. Conhecer melhor o outro e sentir suas alegrias e dissabores. Viajar é viver a vida do outro.

São Francisco do Sul

Sereias, bruxas, navios de carga, caravelas de turistas e navios cargueiros na vista para o mar em São Francisco do Sul.

Sereias, bruxas, navios de carga, caravelas de turistas e navios cargueiros na vista para o mar em São Francisco do Sul.

Entre uma rua e outra de Joinville, fomos a São Francisco do Sul. Cidade litorânea encantadora, muito próxima de Joinville. A Ilha de São Francisco do Sul, ou Ilha de São Francisco, ou algo semelhante a isso, está cercada de rios e da Baía da Babitonga. Assim como Paranaguá, é uma cidade portuária.

Quem nunca quis navegar num navio pirata?

Quem nunca quis navegar num navio pirata?

Aqui vimos mais do que eu podia imaginar. O Museu Nacional do Mar, feito em vários armazéns ao longo do cais, os barcos de turismo com aparência de caravelas, história da cidade e de como eram os barcos e de como se faz uma canoa, contos assombrosos de embarcações de bruxas, lendas e assombrações da terra e do mar. E comida boa, barata, com uma vista magnífica.

A embarcação assombrada. A jangada das bruxas faz parte dos contos e lendas da região.

A embarcação assombrada. A jangada das bruxas faz parte dos contos e lendas da região.

Florianópolis

Chegar foi fácil. Um tantinho de estrada, paisagens para ver, a Karina dormindo, para variar. Sair é que foi mais difícil.

O céu estrelado, a pousada elegante, bem arrumada e muito bonita, as praias da Joaquina, Brava e tantas outras, a Barra da Lagoa e um peixe delicioso, a Vila de Pescadores saída de um sonho e até um alinhamento planetário entre a Lua, Vênus e Marte.

Nosso navegar tranquilo pela Barra da Lagoa, em Florianópolis.

Nosso navegar tranquilo pela Barra da Lagoa, em Florianópolis.

Dunas para esportes, passeio de barco em águas claras, dias de sol e pessoas de todos os cantos do mundo. Outro bom motivo para viajar é encontrar outros viajantes, descobrir que existem ainda mais lugares do que você pode imaginar. É receber, a o mesmo tempo, as experiências deles, os lugares, as viagens, enquanto você ainda está descobrindo um novo lugar. Sua mente se expande. Sua alma volta mais leve para casa.

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Alinhamento planetário entre a Lua, Vênus e Marte.

E das belezas de Florianópolis, seguimos para o Rio Grande do Sul.

Porto Alegre

A chegada debaixo de chuva não nos desanimou. E como chovia!

Aproveitamos para reservar passagens para nossas próximas paradas: Gramado e Bento Gonçalves.

O Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.

O Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.

Em Porto Alegre, vimos a cheia do Rio Guaíba, parques como o Harmonia, centros culturais como o Gasômetro e Museu Júlio de Castilhos, e para mim foi novidade conhecer a UFRGS. A Karina já conhecia.

Porto Alegre e as imediações tinha sofrido muito com as chuvas. O inverno estava muito mais quente do que deveria, algumas cidades em volta estavam alagadas. Pude ver isso em nossas idas à Região Serrana.

estatua gaucho oriental parque harmonia

A estátua do gaúcho oriental, no Parque da Harmonia, em Porto Alegre.

Também visitamos bares, como a Toca da Coruja, o centro, e fomos nos enturmar com o povo gaúcho. Duvido que alguém tenha nos confundido com os filhos da terra.

Gramado

A cidade que poderia ser uma caixinha de música está sempre esperando o visitante de braços abertos.

O restaurante em estilo que também é a Torre da Rapunzel, no Lago Negro, em Gramado.

O restaurante em estilo que também é a Torre da Rapunzel, no Lago Negro, em Gramado.

Tudo lá é pensando para atrair turistas. A cidade é enfeitada, tem cores e formas incomuns em nosso país, tem o Festival de Cinema, um bar e restaurante que é a Torre da Rapunzel, o Lago Negro, o Mini Mundo, o Museu do Chocolate, atrações para adultos e crianças, lojas e até o Papai Noel em julho! Vá até lá viva um pouco estas alegrias.

A fonte de chocolate no Museu do Chocolate de Gramado.

A fonte de chocolate no Museu do Chocolate de Gramado.

Quando for a Gramado, não se preocupe em não gastar. Apenas faça um planejamento permitindo-se gastar um pouco mais. Há mesmo muita coisa para ver e conhecer. Pense em ir a Gramado em um feriado prolongado, reserve três dias. Se for com crianças, seja firme. Muito chocolate não será bom para elas. E Gramado é a terra do chocolate.

Bento Gonçalves

Se Gramado é a capital do chocolate, Bento Gonçalves deve ser a capital do vinho do Brasil.

Estamos indo para o centro de Bento Gonçalves. A Vinícola da foto está agora numa fazenda fora da cidade.

Estamos indo para o centro de Bento Gonçalves. A Vinícola da foto está agora numa fazenda fora da cidade.

Em Bento Gonçalves tivemos algumas alegrias como conhecer um pouco da história da colonização da cidade, ver uma região se desenvolver através de suas construções, saber mais sobre costumes e até tivemos a alegria de visitar a Vinícola Aurora, última das vinícolas a permanecer na cidade. As outras todas se mudaram para as fazendas.

E sabe o que mais? Não importa quantas vezes você visite uma cidade ou um lugar que tenha gostado, sempre há mais a conhecer, a ver, a descobrir.

A Via del Vino. Daqui você pode seguir para as fazendas de uva de Bento Gonçalves.

A Via del Vino. Daqui você pode seguir para as fazendas de uva de Bento Gonçalves.

E pude ver isso inclusive com o Rio de Janeiro, quando, antes de começarmos nossa viagem, a Karina me levou para conhecer o Sítio Burle Marx.

O paisagismo do Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, com suas infinitas flores.

O paisagismo do Sítio Burle Marx, no Rio de Janeiro, com suas infinitas flores.

E aqui estou eu voltando ao ponto de partida. Viajar é um eterno começo. É começar a viver quando o dia a dia começa a tirar lentamente sua alegria de viver.

Foram ótimos dias. E se você não tem uma Karina em sua vida, viaje com a gente aqui em A Bússola Quebrada. Damos muitas dicas!

A casa de Burle Marx é espetacular. Mas precisa agendar visita.

A casa de Burle Marx é espetacular. Mas precisa agendar visita.

Boa viagem!


Dicas de Viagem:

Saiba todos os detalhes das cidades que visitamos clicando nos links abaixo. As cidades estão em ordem de visita e damos mais dicas sobre meios de transporte, horários de ônibus e sites para você programar sua viagem.

 

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