Descobrindo o metrô de Londres

Experiência diária de qualquer habitante de Londres, o Metrô faz parte de toda boa história que se passa na cidade, é local de artes, espaço para música, meio de transporte eficiente e local para ver o que há de mais diferente na capital da Inglaterra. Venha se aventurar conosco no submundo do transporte público.

Ao chegar em Londres, capital da Inglaterra, deparei-me com uma infinidade de diferenças e novidades. Essa é a parte que todo mundo espera ver em uma viagem a um local novo, diferente, nunca antes visitado. A experiência de ser um alien, um externo, um diferente numa terra totalmente estranha.

Claro que lembrei daquela antiga canção do Sting – English Man in New York:

E este era o caso. costumes diferentes, roupas diferentes, pessoas idem e o clima era realmente o extremo oposto daquilo que eu estava vivendo  há meses.

Saí da ensolarada São Paulo sentindo o calor desértico de um verão fora de hora batendo secos 34 graus e cheguei em uma Londres coberta por uma espessa camada de nuvens cinzentas em vários tons , e leves, como se fossem não de chuva mas de vapor. A temperatura alcançou os prosaicos 3 graus acima de um redondo zero.

Achei mesmo que fosse sentir um pouco de frio só para salvar minha vida com todo aquele microondas de minha terra querida, mas não tive ainda a oportunidade de bater os dentes.

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Mapa do Metrô de Londres. Você vai usar bastante.

Acontece que viemos em três para Londres. Eu, meu irmão e a esposa dele. E ela sente um baita frio como toda boa mulher. O que ela faz? Manda aumentar o aquecedor o tempo todo e o frio que eu queria sentir vai embora numa nuvem de mormaço e aquecimento tubular. Da próxima vez eu viajo com um esquimó.

A Chegada em Londres

O primeiro contato com terra firme da Inglaterra aconteceu no aeroporto de Heathrow. Nada de mais. Pouso tranquilo, tocamos no solo com jeitinho e delicadeza. Bem diferente dos pousos “pancada e brecada” tão comuns em Congonhas.

A descida em Heathrow foi bem tranquila. Esperava ver um pesado fog, uma neblina intensa, mas tudo que vi foram alguns minutos sem visão nenhuma no meio do limbo das nuvens. Nada que se compare a nossa chegada em Curitiba, quando o piloto voou por instrumentos por dez minutos e nós, passageiros, ficamos olhando o branco acinzentado por uma meia eternidade. Até em matéria de tempo ruim a gente supera o primeiro mundo. Isso que é ser bom em algo, ainda que seja algo ruim.

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As quilométricas escadas rolantes do Metrô de Londres. Fique atento, algumas estações têm 3 ou 4 pavimentos de “Tube” e em todas elas passam trens para todos os lados.

O passo seguinte foi achar a saída do Heathrow e seguir destino rumo ao Metrô de Londres. A boa notícia é a que dá mais raiva. Em São Paulo, as nossas “autoridades” estão há anos falando de fazer um Metrô que chegue ao aeroporto de Guarulhos. E nada foi feito ainda. Aqui, o aeroporto tem estação de Metrô e você pode comprar um cartão que vale para ônibus, Metrô, trem, e até em algumas balsas.

O sistema de trens e Metrô é bem usado na Europa. Quem viu os posts sobre o Porto e Vila Nova de Gaia acompanhou a viagem da Karina por um pouco do transporte público de Portugal.

E no Brasil, os governantes não conseguem fazer um cartão que funcione de um ônibus para outro.

Estou exagerando nas comparações?

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O Cartão Oyster nos custou uma pequena fortuna logo na chegada. O transporte de Londres é bom, mas não é barato.

OK, o tal Cartão Oyster não é barato. Para ficar um mês, toca desembolsar algo perto de R$ 855,00 no cash. Sim, é mais que um salário mínimo brasileiro só de condução. O transporte é bom, é limpo, é arrumado, os trens do Metrô servem a cidade toda, mas custam bem caro. An arm and a leg, como eles dizem aqui. Ou seja, você talvez precise deixar alguns órgãos vitais para se locomover em Londres.

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Mais um caso de arte nos Tubes de Londres. O Undreground, ou Metrô, sempre tem algo mais que propaganda para mostrar.

O passo seguinte é encontrar o lugar certo para ficar. Diferente dos Metrôs brasileiros, que percorrem retas, o Metrô de Londres tem impressionantes 272 estações, que sobreviveram aos bombardeios de duas guerras mundiais e ainda devem ter coisa de uns 150 anos. Algo assim. Mais que isso? Várias linhas passam na mesma estação, não apenas em uma estação, mas em várias estações, e você precisa ficar atento para saber para onde aquele Metrô está indo.

Nada tão incomum. Quem acompanha A Bússola Quebrada sabe que a Karina esteve em Versailles e falou muito bem do Trem de lá. Pode ser caro, mas vai bem longe e cumpre o papel de ‘meio de transporte’.

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As estações de Londres têm um charme único. Cada uma com sua própria ‘personalidade’.

Quer mais informação? Os ingleses dizem Metrô, dizem Underground e dizem Tube. E tudo é o mesmo trem que passa por debaixo da terra. E se for trem que vai ainda mais longe, serve inclusive para viagens, se liga ao Metrô em várias estações e tem intervalos mais longos, então você deve chamar de Overground.

Não vou ofender ninguém citando aqui um monte de estações de uma só vez. Basta dizer que em Londres eles organizam a distância por zonas. Você pode viajar com seu cartão Oyster para qualquer lugar, desde que pague o preço. Acontece que você terá que pagar por quilometragem.

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Cores, formas, labirintos e muita agitação. Use o Underground.

Explico melhor: Londres é dividida em 9 zonas de acordo com o afastamento do centro. Zona 1 é central e é bem grande. Zona 6 já é subúrbio extremo e já é zona rural. Tem ônibus para lá, mas você terá que usar vários meios diferentes. As zonas mais comuns são as zonas 1, 2 e 3. Nelas você será descontado de seus créditos no cartão Oyster apenas o preço normal. Mas, se você for passar nas demais zonas, os preços aumentam. O que significa que além do preço que pagamos, que eu disse antes, é bom colocar um dinheiro extra, para visitar as outras zonas que não as 1, 2 e 3. Na hora de colocar o dinheiro no cartão Oyster, você deve escolher uma função específica para separar créditos para as demais zonas. O cartão tira o dinheiro certo do lugar certo. Sabe cartão inteligente? E como o transporte público calcula o preço? Você passa o cartão Oyster na entrada e na saída do Metrô.

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Esteja atento à paisagem subterrânea. O Metrô de Londres é uma viagem que você precisa fazer.

Passou o cartão para entrar? OK, você ainda não foi cobrado. Seus créditos no cartão serão realmente descontados quando você deixar o Metrô e for sair para a rua. Você deverá passar seu cartão de novo numa catraca e só então a catraca vai liberar sua saída. E assim o cartão terá o histórico da estação em que você entrou e a que saiu. E o cálculo de preço será feito.

Não tente dar uma de esperto. A multa é cara e tem fiscalização. E você não quer passar o carão de ser detido pelo serviço de transporte de Sua Majestade, quer?

Se não estou enganado, a Karina usou o mesmo sistema na viagem que ela fez a Paris, viajando de trem e Metrô.

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Vi muitos músicos e musicistas de todas as idades nas estações de Metrô. Tem os locais e horários certos. Deve haver um agendamento bem organizado. Ainda não vi o mesmo músico duas vezes.

As estações do Metrô de Londres

Algumas estações do Metrô de Londres são verdadeiras obras de arte. Algumas com mais de cem anos, outras com estruturas pesadas e gigantescas, em geral todas bem abaixo do solo porque inclusive forma usadas como abrigos anti-bomba durante as guerras. Então, se você sofrer de vertigens, cuidado nas longas escadas rolantes.

Outro ponto é a publicidade. Cansado dos cartazes estáticos? Aqui eles têm telões nas paredes, cartazes que se movem como numa capa dos livros mágicos de Harry Potter, e as longas e profundas escadas rolantes têm as paredes repletas de telas de TV para propagandas. Poucos cartazes, apenas para os gigantes, do tamanho de outdoors, mas nas paredes da linha de Metrô. E mais propaganda dentro dos vagões.

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Cada estação com sua personalidade, cada plataforma com seu clima.

E mais uma diferença: Dentro das estações, em locais combinados, a partir da tarde, há sempre um músico ou uma musicista tocando uma diversidade de instrumentos. Parece que há um rodízio, porque ainda não vi a mesma pessoa duas vezes. Mas é bem comum você estar andando com aquele barulho de marcha-soldado que as pessoas fazem, apressadas, e de repente um som melodioso alcança seus ouvidos. E lá está uma música instrumental que pode vir de qualquer canto do mundo.

Eu estou indo para todos os lados apreciando a estrutura e a arquitetura das estações. E claro, com o Oyster sempre no bolso. Vem viajar de Metrô em Londres com a gente!!

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Uma bomba da Segunda Guerra Mundial foi recuperada para ser um cofre de donativos numa estação central. Detalhes assim chamam muito minha atenção.

Dicas de Viagem:

Para saber mais sobre o cartão Oyster – https://oyster.tfl.gov.uk/oyster/link/0005.do

Tem um Oyster específico para visitantes, também – https://tfl.gov.uk/travel-information/visiting-london/visitor-oyster-card

Aqui você encontra um mapa gigante do Metrô de Londres. Aliás, o Metrô de Londres é gigante e é o mais antigo do mundo. E o maior em número de estações – https://tfl.gov.uk/maps/

Quer mais informações sobre o Aeroporto de Heathrow? Veja aqui – http://www.heathrow.com

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