Ansiedades e expectativas no aeroporto

Chegadas e partidas. Viagens e despedidas. Saudades e expectativas. Não é à toa que aeroportos me causam sentimentos dos mais variados. Às vezes penso que poderia viver saindo e entrando de aeroportos. Por outro lado, odeio o clima e a burocracia. Deixa eu te contar um pouco das minhas histórias de aeroporto.

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Aeroportos têm sempre esse mesmo clima de solidão compartilhada.

Semana passada estava eu no aeroporto. Era uma viagem rápida para São Paulo. Como já contei em outro post, normalmente vou de ônibus porque sempre decido em cima da hora. Mas como tinha um evento importante programado – casamento de uma amiga – organizei-me com antecedência… E olha, não quero outra vida!

Então, estava eu lá, sozinha – mais ou menos, porque eu tava enchendo o Fabiano de mensagens – e olhando para os aviões na sala de embarque. Passeei um pouco para ver o que tinha de lojinhas (tudo cara e com pouca variedade) e fiquei esperando mais uma vez a hora de entrar no avião. E fiquei lá sentindo um monte de coisas diferentes. Sentimentos muitos bons, apesar de odiar o lugar.  E lembrei das minhas experiências em aeroportos.

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Esperar sem fazer nada faz a gente pensar na vida.

Já passei muitas horas dentro de aeroportos. Tanto menos quanto mais do que eu gostaria. Menos porque estar no aeroporto significa viajar. Mais porque já tive que ficar dentro deles por motivos bem chatos, como atrasos de viagem, perda de voo, meu pai me deixando no aeroporto várias horas antes do meu voo porque ele tinha que ir trabalhar e até para dormir.

Eu já perdi meu voo duas vezes, sempre com a mesma amiga. Sempre na volta para casa. E digo: é uma chatice. Cada aeroporto tem um critério diferente, e isso é insuportável. Imagina a raiva de não te deixarem fazer check-in mesmo você não tendo que despachar mala, sendo que você chegou 40 minutos antes. Agora imagina a raiva de passar por isso e, em outra situação, uma amiga sua conseguir pegar o voo mesmo chegando no aeroporto depois do horário do embarque!

E aí é correr atrás de outra passagem, em outras companhias, porque se tentar comprar na mesma tem que pagar no-show e pode sair até mais caro que uma passagem nova. É um estresse para quem não tem nem dinheiro para esbanjar e nem tempo para ficar horas esperando outro voo mais barato.

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Correria, desespero, fila… Detesto essa parte.

Dormir no aeroporto é outra coisa bem desagradável. Fiz isso no Porto, porque eu chegaria de Basel oito da noite e pegaria o voo para o Rio de Janeiro às oito da manhã. Claro que não foi só por isso, eu não tinha muito dinheiro e escolhi gastar os meus trocados comprando vinho do que pagando hotel.

Meu grande companheiro foi o Kindle. Li dois livros nessa noite. E gastei um dinheirinho com o wifi do aeroporto. Pois é, nos aeroportos por aí não tem internet de graça, ou quando tem é por poucos minutos… e quem vai passar a noite precisa de um pouquinho mais.

O pior nem foi dormir encolhida num banco gelado segurando a mochila e ignorando os olhares de estranhamento das pessoas que passavam. O pior foi ficar rodando um tempão para tentar encontrar uma tomada para carregar o celular. Nem lembro se consegui.  

Em Barcelona meu voo atrasou horas. Tive tempo de comer bastante – ao menos lá a comida do aeroporto é carinha, mas não tanto quando aqui no Brasil – e passear pelo aeroporto inteiro. Tédio! Ah, antes disso pude, forçadamente, ajudar uma italiana que não falava uma palavra de nenhuma outra língua (e eu só falo italiano de novela) a ligar o wifi porque o voo dela também estava superatrasado e ela, desesperada, precisava se comunicar com a família.

As pessoas, no mundo inteiro, gostam de me pedir ajuda e informações.

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A cara dos voos nacionais.

Felizmente no final teve algo de engraçado. O voo de Barcelona ia para o aeroporto de Basel-Mulhouse-Freiburg, que tem esse nome porque atende uma cidade da Suíça, outra da Alemanha e uma da França, e nos voos as informações devem ser dadas na língua do país/cidade de origem, na língua do país/cidade de destino e em inglês. Resultado: catalão, espanhol, inglês, francês, alemão e italiano. Quando eles terminaram de dar as informações de segurança, já tiveram que começar a dar os agradecimentos de final de viagem.

Eu sou uma pessoa muito perdida. Já me perco em shopping Center, imagine em aeroportos! Alguns são bem informativos. Já Congonhas é um horror com as placas. Mas pelos menos ele é pequeno. Em Madri, o aeroporto é grande, e sabendo disso, as placas não apenas são muitas, como também dizem quanto tempo demora para chegar até o terminal. E isso é fundamental quando você tem cerca de 30 minutos para fazer sua escala, e tem que pegar escadas rolantes, elevadores, trem (sério), passar pela alfândega internacional e mais escadas e ônibus para chegar até seu avião.

Sempre que eu viajo sinto uma certa melancolia. Sair de um lugar, ir para outro. Ao mesmo tempo em que é muito bom, fica sempre a sensação que faltou tempo para fazer um monte de coisas. Viagens começando e viagens terminando… Tão bom estar em casa. Tanta vontade de sair pelo mundo.

vista noturna voo- a bussola quebrada

Ai gente, eu queria ter feito várias fotos lindas do voo noturno, mas meu celular é um horror!!!

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