Nas alturas do Parque Nacional de Itatiaia

O Parque Nacional do Itatiaia é o primeiro parque nacional do Brasil. Criado em 1937 na Serra da Mantiqueira, está metade no estado do Rio de Janeiro e a outra metade no estado de Minas Gerais. É lá que está o Pico das Agulhas negras, sexto ponto mais alto do Brasil. Muito frio, ventania e as vistas mais lindas! Venha conhecer este lugar incrível!

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Estamos do lado de fora do Parque Nacional do Itatiaia esperando o portão abrir às sete da manhã.

Saímos de São Paulo numa noite fria de julho. O clima, antes quente a abafado, incomum e incoerente no inverno, agora estava gélido e ainda mais seco. Ausência de chuvas e uma combinação de poluição e sucessivas frentes-frias estavam deixando os dias e noites dos paulistanos com aquele ar permanente de geladeira aberta, só que sem umidade no ar. Respirar ficava difícil, andar era cansativo pela secura do clima. Sair da cidade seria um carinho para o corpo como nenhum outro. Veja porque o paulistano ama tirar férias!

 

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Aqui você vê o morro e as rochas que vão para Couto e Cristais. Parabéns, você apenas entrou no parque e passou pelo estacionamento.

 

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Mapa do Parque Nacional de Itatiaia. Há outro maior nos links das Dicas de Viagem. Fonte: Site do Parque Nacional do Itatiaia.

Nossa partida se deu às 23h da sexta-feira. No caminho, a Dutra, sentido Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa ficaria longe desta vez. Nossa parada seria próxima de Resende, logo após a divisa entre os estados de Rio de Janeiro e São Paulo. Saímos da Dutra em Itatiaia, município fluminense. Estrada acima, parte boa, parte acidentada, até alcançar, às quatro da manhã, a entrada do Parque Nacional de Itatiaia. Aliás, o nome confunde. Estamos bem na tríplice fronteira. O parque tem o nome de Itatiaia, foi fundado por Getúlio Vargas em 1937, é o primeiro parque nacional do Brasil, mas sua área pertence ao município de Itamonte, em Minas Gerais. Porém, parte do parque está no estado do Rio de Janeiro. Confundiu? Nas Dicas de Viagem deixei um link para um mapa. Você vai tirar a dúvida e entender com mais facilidade do que apenas contando. Mas acontece que quarenta por cento do Parque Nacional de Itatiaia está no Rio de Janeiro, sessenta por cento fica em Minas Gerais. E as belezas naturais são de deixar qualquer um com de boca aberta e aquele sorriso involuntário de espanto e alegria.

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A entrada do Parque Nacional de Itatiaia. Mulheres, crianças, meninas com frio. O caminho é difícil mas pode ser feito. Só fique de olho no seu limite e suas condições físicas.

 

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Preços e informações nas placas na entrada do Parque Nacional de Itatiaia.

 

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Muitas atrações para ver e muito chão para andar.

O Parque Nacional de Itatiaia tem várias atrações naturais, como o Pico das Agulhas Negras, com 2.790 metros de altura, o Couto, com 2.792 metros de altura e ponto mais alto do Parque Nacional de Itatiaia, a formação rochosa de Prateleiras, com 2.789 de altura, Cristais, muito bonita mas não tão alta, a Pedra do Altar, nascentes de rios, cachoeiras, trilhas e vegetação de serrado, acima dos dois mil metros de altura.

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Vegetação típica de serrado. Estamos a 2.450 metros acima do nível do mar.

Os portões do Parque Nacional de Itatiaia abrem às 7 da manhã, mas o número de visitantes por dia no parque é limitado. Você pode escolher qual atividade fazer, mas tem que chegar cedo, guardar lugar, ter guia, escolher a atração a que vai e pagar as taxas. Mas tem que chegar cedo. Bem cedo.

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O pequeno caminho das águas na nascente do Rio Campo Belo.

Como chegamos às 4 da manhã, dormimos um pouco no carro. Pense nisso: Após horas seguindo pela Dutra, dormir de mal jeito dentro de um carro para no dia seguinte ter um enorme esforço físico. Desta vez a Karina não pôde me acompanhar. O esforço era demais em trilhas e escalada, especialmente para os joelhos.

Nosso objetivo do sábado – O Pico das Agulhas Negras – Sexto acidente geográfico mais alto do Brasil.

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Mais para a frente vamos ver a cachoeira no Rio Campo Belo. Aqui é só o começo.

Naquele fim de noite, dormir foi um desafio extra. Ainda com roupas, calçados, sem cobertor, sem poder mover, sem travesseiro ou qualquer conforto de uma cama, nos arranjamos como pudemos. Durante a madrugada, a mudança no clima e a chegada de uma nova frente-fria vinda do sul complicariam ainda mais nossa jornada. Estávamos numa TR4, carro pesado, próprio para trilhas, e mesmo assim, o vento que soprava balançava o carro como se fosse uma barraca de camping. Quer ouvir o vento uivar como um lobo faminto? Viva a experiência que tivemos naquela noite!

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Aqui está a placa indicando o ponto turístico e lá atrás você vê uma formação rochosa que marca o caminho para outras atrações, como Couto, Cristais e Prateleiras.

Às seis da manhã, o Heber, meu cinegrafista amador, voluntário na marra, trata de nos acordar com sua característica gentileza. Tínhamos que trocar de roupas, subir para o portão e garantir acesso ao Pico das Agulhas Negras, sob pena de perder a viagem. Tente trocar de roupa com o vento diminuindo a temperatura para abaixo dos três graus.

Acontece que meus queridos companheiros, o Denis e o Heber, resolveram abrir as portas da frente da TR4 e sair. E um deles foi pegar as coisas no porta-malas. A TR4 virou um túnel de vento que dava para colocar avião para teste de voo. E adivinha quem estava dentro do carro tentando trocar de roupa? Valeu amigos!

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O caminho para as principais atrações do Parque Nacional de Itatiaia. Terra, areia, vento, frio e pedras.

Escovar os dentes de pé, no vento. Seguir para o portão, anotar nomes, pagar taxas, formar o grupo. Fomos em sete, adotamos um colega no meio do caminho, parece que o guia dele deu mancada. Fomos com o Tarcísio, nosso guia até o Pico das Agulhas Negras.

O trajeto era difícil. Três quilômetros de estrada acidentada. A maioria dos carros não segue por ali. Pick ups, jeeps, carros altos, tudo bem, mas colocar um carro comum naquela pirambeira é demonstração de ódio pelo veículo.

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Este trecho já foi asfaltado, mas soube-se que era área de reprodução do sapo flamenguinho.

O trecho um dia já recebeu asfalto, você vai ver pedaços de pavimentação no começo do percurso e em um pedaço ou outro, mas não tem mais estrada lá. O motivo é preservação. Acontece que bem aquele trajeto, único onde seria possível construir uma estrada, é a área de reprodução do sapo flamenguinho. Uma espécie de alguns centímetros e tamanho, mas que só existe no Parque Nacional de Itatiaia e em mais lugar nenhum do mundo. E é exatamente no trecho daquela estrada que ele se reproduz, no verão.

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Imagens do sapo flamenguinho. As fotos são de fontes desconhecidas, algumas estão no site do Parque Nacional do Itatiaia e são meramente ilustrativas.

Quando a administração do Parque Nacional de Itatiaia resolveu criar uma estrada ali, para os carros, as chuvas de verão formaram um rio na estrada. O que impossibilitava a passagem de carros e pior ainda, impedia a reprodução do sapo flamenguinho. A solução foi recuperar todo o trecho e deixar o sapinho reproduzir.

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Ainda tem muito o que andar.

 

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Chegamos ao Abrigo Rebouças. Daqui para a frente é só subida. Acabou a moleza!

O trecho que percorremos para o Pico das Agulhas Negras é de pouco mais de três quilômetros de estrada acidentada e depois mais dois quilômetros de terreno ruim e íngreme. Para só então começar os quase dois quilômetros de escalada. O percurso todo dá pouco mais de sete quilômetros, mais ou menos divididos como eu disse.

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As cabanas do Abrigo Rebouças. Você pode alugar estes chalés e passar o fim de semana aqui.

Naquele sábado, seguir para o Pico das Agulhas Negras estava até fácil. O vento era tão forte que nos empurrava para frente. A dificuldade foi ter que voltar no carro, pegar alguma comida, ou como um colega precisou, para pegar alguns documentos que o parque exigia. O vento levantava poeira, diminuía a visibilidade em cinquenta por cento, e impedia de ver mais que dez metros à frente. Isso e mais o frio. Tente andar contra este vento. Ganha um doce se sair do lugar.

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A pequena represa ao lado dos chalés, no Abrigo Rebouças.

 

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Todo o percurso é bem sinalizado e o caminho tem pedras grandes colocadas para servir de pavimento, o que ajuda um pouco na caminhada.

Areia e terra nos olhos, boca aberta come poeira, vento jogando contra, frio, longa caminhada e o sol que começa a sair demora a aquecer. E ainda havia três quilômetros de estrada de terra à frente antes de chegar ao Abrigo Rebouças, parada para o café da manhã da maioria, local de socorro para alguém que precise e espaço para resgate com helicóptero, nos casos mais graves. Espero que você não precise.

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O Pico das Agulhas Negras em tamanho e beleza. Ainda há muito para ver!

Chegamos no acampamento base do Abrigo Rebouças, local com uma pequena represa, de águas azuis, gelada, de beleza maravilhosa e de vista que compensa este primeiro esforço. Deste ponto temos uma visão bem clara da beleza do Pico das Agulhas Negras. E de lá seguimos para a parte de subida do Pico.

Durante todo o percurso, era possível ver o Pico das Agulhas Negras, mas aqui ele se mostra como uma enorme e fantástica visão. Esta é a primeira vez que pudemos ver bem seu tamanho com mais detalhes.

Contrastando com São Paulo, o ar aqui tinha mais unidade. Respirar era mais fácil. Os cheiros que senti encheram meus pulmões de ar limpo e uma sensação prazerosa.

Este post está ficando um pouco grande. Então vou dividir um pouco e logo mais continuo nossa aventura. Acompanhe a gente!

Gostou? Quer conhecer? Organizamos uma Excursão. Saiba mais:

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Dicas de Viagem:

  • Veja mais detalhes no site do Parque Nacional do Itatiaia  – http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/
    Aqui tem o endereço:
    Estrada Parque Nacional Km 8,5
    Cep. 27580-000 – Caixa Postal 83657
    Itatiaia-RJ
    Fones: (24) 3352-1292 / 3352-2288 / 3352-6894
  • O Parque Nacional do Itatiaia está próximo da Rodovia Presidente Dutra, perto da divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Veja um mapa para ajudar você a chegar – http://bit.ly/2aiKWL1

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