Escalando o Pico das Agulhas Negras

Continuamos nosso caminho até o Pico das Agulhas Negras. Após breve descanso no Abrigo Rebouças, retomamos nossa jornada cheios de entusiasmo para alcançar o topo da formação geológica mais famosa do Parque Nacional do Itatiaia, o Pico das Agulhas Negras. Vem com a gente ver a vista e os caminhos do Pico das Agulhas Negras.

E aqui estamos nós, quase no cume do Pico das Agulhas Negras.

 

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O Pico das Agulhas Negras parece perto. Mas ainda há muito o que andar.

Por que alguém escalaria uma montanha? 
Porque ela está lá!

A resposta pode ser insensata, mas quem tem uma boa resposta para dar a alguém que faz uma pergunta como essa? Não há uma resposta lógica ou suficiente para fazer com que uma pessoa que não gosta deste tipo de aventura, levante do sofá e se ponha a sentir suor, frio, cansaço, dores nas pernas e braços, machucar o pé, correr riscos. E quem gosta de sentir o vento batendo forte no rosto, ver do alto a imensidão deste mundo, enxergar de perto as belezas naturais deste país, não precisa de explicação.

Quem precisa perguntar, jamais vai entender. Quem entende, não precisa perguntar. Então, por isso subimos uma montanha.

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O Pico das Agulhas Negras, cada vez mais próximo, agora, tomando todo o horizonte.

A manhã fria e o vento implacável continuavam nossas companhias constantes no Parque Nacional do Itatiaia.

Chegamos ao Abrigo Rebouças, que é apenas um ponto de referência. Neste local, o visitante pode passar a noite por apenas dez reais. Claro, precisa reservar com muita antecedência.

O local está bem na base do Pico das Agulhas Negras. Ao lado, o rio Campo Belo, que instantes antes passamos a nascente, agora se apresentava na forma de uma pequena represa, de águas escuras e azuis, deixando a paisagem ainda mais colorida.

 

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Chegada ao Abrigo Rebouças. O Pico das Agulhas Negras é o cinzento lá do fundo.

 

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Represa no Abrigo Rebouças, na base do Pico das Agulhas Negras.

A passagem é na lateral. Se a represa não encher demais, você passa sem se molhar. Mas cuidado mesmo assim. Com o frio que está, você não vai querer cair na água.

Nossa caminhada de quase quatro quilômetros foi o aquecimento. à frente, todo o tamanho e beleza do Pico das Agulhas Negras. Sua lateral esculpida pela erosão causada por ventos, chuvas e uma plantinha rasteira que acelera o processo de erosão causaram um efeito único ao relevo do pico. A cor e os sulcos na lateral chamam muito a atenção.

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Face Sul do Pico das Agulhas Negras.

Nossa caminhada agora seria usando mãos e pés na maioria das vezes. E todo o caminho de agora em diante seria de subida. Em alguns pontos, com muita dificuldade, em pé, sem precisar das mãos, em outros, em pé, mas vencendo obstáculos com a ajuda das mãos, como uma escadaria de gigantes. E nós, talvez pequenas crianças, tentando, degrau por degrau, conquistar o Pico das Agulhas Negras.

A Escalada do Pico das Agulhas Negras

O caminho até o topo do Pico das Agulhas Negras é muito bem sinalizado. A ideia é não deixar ninguém se perder. Mesmo assim, já aconteceram alguns casos. Além de placas de plástico resistente indicando o caminho, pedras colocadas umas sobre as outras apontam o sentido a seguir e ajudam o caminhante a se encontrar. A trilha é calçada com pedras, o que ajuda bastante a não se perder e ainda facilita em épocas de chuva. Mas não se engane. Após o Abrigo Rebouças, todo o caminho será de elevação e mais elevação. Estaremos sempre subindo um pouco mais, até a encosta do Pico das Agulhas Negras, quando a subida fica mesmo íngreme.

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Ponte sobre o brejo. Se cair, você sai gelado e marrom-escuro. Fique firme.

Pedras para contornar, outras tantas para pular, caminhos longos no meio da mata, trilhas que parecem não ter fim. E um córrego e um brejo despontam na frente do caminhante. Aqui, uma ponte que não para sob seus pés é o único caminho para cruzar o atoleiro.

Cruzar uma ponte que balança já tem seu nível de dificuldade, fazer isso com uma ventania insistente já começa a dar motivo para as apostas de quem vai cair primeiro.

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As placas indicam sua distância, altura, nível de dificuldade e as direções a seguir. O Parque Nacional do Itatiaia é muito bem conservado e muito bem sinalizado.

Deste ponto, o Pico das Agulhas Negras já parece enorme. Mas cada passo que damos faz o pico aparecer mais, crescer, tomar o horizonte. Cada passo parece mostrar melhor as dificuldades que vamos ter. 

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Última parada antes da subida. E alguns Angry Birds vieram nos visitar.

Paramos num pequeno riacho para comer, beber água e olhar bem para o nosso objetivo. O Pico das Agulhas Negras agora tomava toda a vista. Era algo bonito de ver. Os cortes e vincos nas rochas, as plantas que sumiam repentinamente, e os poucos arbustos que insistiam em se prender à rocha e continuar crescendo.

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Nós, tão pequenos, querendo vencer o gigante.

A Escalada do Pico das Agulhas Negras

Muita dificuldade, muita dor. As pernas doem, o peito arde. Parece não haver ar o bastante para refrescar os pulmões. Cada passo é mais difícil. No começo, o Pico das Agulhas Negras faz uma inclinação diagonal fácil. Mas esta aparente facilidade rapidamente se torna uma enorme parede. Alta e impenetrável.

Os guias vão te levar pelo melhor caminho. Que não conhece, olha e não vê diferença, mas acredite, há pontos mais fáceis e outros bem mais difíceis para subir. Há os pontos mais firmes e aderentes e há os locais mais escorregadios. Siga os guias. E cuidado o tempo todo.

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A vista é bonita tanto de longe quanto de perto. Aqui, uma olhada na escarpa do Pico das Agulhas Negras.

 

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Formação conhecida como A Pedra da Panela, no Pico das Agulhas Negras.

Um dos pontos turísticos do Pico das Agulhas Negras: A Pedra da Panela. A impressão é que se tem um grande fogão industrial e se pode cozinhar nos buracos redondos da pedra. Mais ao fundo, a formação rochosa conhecida como Pedra do Altar.

Outros nomes estranhos aparecem, como Cristais, Couto, Ovos de Dinossauros. Os guias dão nomes criativos aos locais para facilitar encontrar pessoas. Pontos de referência são importantes.

A vegetação começa a voltar, arbustos vão crescendo, começa um pouco de grama, árvores criam uma mata. Estamos apenas no meio do caminho. No meio desta mata, as pedras se tornam ainda mais íngremes.

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Agora a subida é com corda.

A ajuda das mãos será essencial daqui para a frente. Aqui, subimos com cordas. O plural é porque você vai ser amarrado em duas, vai ter uma outra para seguir e vai ter que se segurar firme a uma outra, e subir com suas próprias forças. Agradeça as horas na academia. Você vai dar valor.

A passagem pelo desfiladeiro

Depois de muitas dificuldades, chegamos a um trecho de desfiladeiro. O Pico das Agulhas Negras, que parece uma coisa só, aqui se divide, com duas enormes pedras formando algo que parecem duas montanhas separadas, mas que ainda é o mesmo Pico das Agulhas Negras. Subir aqui, só com muito empenho, ajuda de braços e pernas.

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De um lado do desfiladeiro, temos tudo o que já vimos. O Parque Nacional do Itatiaia visto de cada vez mais alto.

 

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Ao passar para o outro lado, a vista compensa. É uma visão para não esquecer.

 

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Depois de tanta subida, aproveitei e parei um pouquinho para recuperar o fôlego.

 

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Enquanto eu descanso, nosso valente guia, o Tarcísio, sobre mais uma escarpa para amarrar as cordas que vamos usar para subir até o cume do Pico das Agulhas Negras.

 

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Após o desfiladeiro, todos param. O guia precisa subir um trecho, passar mais cordas e ajudar o pessoal a subir.

 

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Estamos próximo do topo do Pico das Agulhas Negras.

 

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A grande Rosa de Pedra do Pico das Agulhas Negras.

Claro que eu aproveitei para olhar a paisagem. E lá no vale, do outro lado do desfiladeiro e no lado que não conhecíamos do Pico das Agulhas Negras, vi uma formação rochosa suspensa, mais fina na base, parecendo uma rosa em botão. Não sei se tem nome, mas apelidei de Rosa de Pedra. Deve ser maior que um ônibus.

O Topo do Pico das Agulhas Negras

Após horas de subida, dificuldades, ventania e frio, alcançamos o topo do Pico das Agulhas Negras. O ânimo estaca renovado. A vista enchia os olhos e o coração. A ventania quase me jogou para o precipício algumas vezes, mas o ar frio e puro era revigorante!

Do cume do Pico das Agulhas Negras é possível ver três estados. De um lado, Minas Gerais. Olhando em frente, Rio de Janeiro, com vista para Angra dos Reis. E num dia claro, é possível ver os morros distantes da região da Rodovia Dutra, do lado de São Paulo.

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O cume do Pico das Agulhas Negras. Rochas gastas com a erosão de ventos e chuva. Todo cuidado aqui.

 

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A Pedra do Frade, ponto culminante de Angra dos Reis.

Ficamos um bom tempo aproveitando a vista e recebendo mais e mais vento gelado na cara. Mas a sensação era de euforia. O lugar é lindo. E a vista compensa o esforço.

Descemos, com cuidado e alguma dificuldade, e fomos procurar um hotel nas cidades vizinhas para um bom banho, comida e cama. No dia seguinte, domingo, acordaríamos cedo para estar às sete da manhã de volta no Parque Nacional do Itatiaia para escalar a formação rochosa chamada de Prateleiras.

Acompanhe nossa aventura!!


Dicas de Viagem:

Leia mais sobre o Pico das Agulhas Negras – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pico_das_Agulhas_Negras

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