Aproximando das Prateleiras do Itatiaia

Existe uma pilha de rochas enormes no Parque Nacional do Itatiaia chamada de Prateleiras. A altura supera muitos prédios. Tudo lá é enorme, arriscado, perigoso e emocionante. E para quem chega ao topo, o “Pulo do Gato” e o direito de colocar sua assinatura no livro dos aventureiros que se atrevem a chegar até o topo. Vem com a gente e siga o caminho para as rochas de Prateleiras, no Parque Nacional do Itatiaia.

Uma vista sobre Prateleiras no ponto de descanso.

Depois de um sábado refrescante (gelado pra caramba) e com ventos de mais de 70km/h, fomos contentes e cheirosinhos procurar um local para comer. Quem sabe tomar banho, e até, talvez, dormir um pouco.

Saindo do Parque Nacional do Itatiaia, muitos exploradores vão para Penedo. Outros, para a própria cidade de Itatiaia. Mas aqui fica uma curiosidade. O parque leva o nome de Itatiaia, cidade do estado do Rio de Janeiro, mas pertence ao território do município de Itamonte, em Minas Gerais.

E para quem vai ao Pico das Agulhas Negras, o ideal é procurar uma cidade bem equipada para passar a noite, caso vá fazer duas ou três trilhas diferentes.

O visitante vai precisar de mais de um dia. Como nós, que fomos ao Pico das Agulhas Negras no Sábado e fomos a Prateleiras no domingo. E o Parque Nacional do Itatiaia tem muito mais atrações. Precisa de força e tempo para ver tudo. E claro, escolhemos um final de semana inteiro para o passeio.

Voltamos do Pico das Agulhas Negras e nosso destino agora era um banho quente, comida quente, sem areia, pó ou terra, e uma cama macia. Seguimos pela lateral do Parque Nacional do Itatiaia até uma localidade chamada Garganta do Registro, que pertence ao município de Itamonte.

parada garganta do registro a bussola quebrada

Garganta do Registro – O Lugar é tão alto que nem pega wi-fi. Você vai ter que conversar.

 

comida minas gerais garganta do registro a bussola quebrada

O almoço vai ser mais tarde hoje. Estamos em Garganta do Registro e este é o bar do Miguelzinho – Comida caseira servida com jeitinho mineiro.

Em Garganta do Registro, encontramos meia dúzia de lojas de produtos mineiros, como queijos, vinhos, doce de leite, carnes, salgados, comida feita na hora do jeito mineiro e algumas lojas de presentes e móveis rústicos. Lugar legal, exceto por um problema: Se você quer gastar, leve cheque ou dinheiro em espécie. No local não tem linha telefônica fixa e pela altitude, celular não pega. Esqueça a maquininha de cartão de crédito, débito ou outras parecidas. Não tem sinal de wi-fi nenhum.

garganta do registro minas gerais a bussola quebrada

Garganta do Registro separa Minas Gerais para um lado, Rio de Janeiro para outro e São Paulo está logo ali.

 

pastel garganta do registro a bussola quebrada

Pastel, doce de leite, arroz e feijão, cachaça, cerveja e histórias para contar!

Com dinheiro no bolso, fizemos algumas compras, comemos pastel, ou qualquer outro lanche rápido, cerveja, que a gente merece, e seguimos para Itamonte. Um de nossos amigos, que estava quase que guiando o grupo, deixou claro que conhecia tudo por ali. E que em Itamonte havia se hospedado em um hotelzinho bem legal e barato. Seguimos para Itamonte.

bar mercado mercearia migulezinho a bussola quebrada

Um bar, restaurante, padaria, venda, etc, em Garganta do Registro.

 

loja garganta do registro miguelzinho a bussola quebrada

Coma. Você vai precisar de forças.

A chegada em Itamonte

O caminho todo era bem cheio de hotéis, sítios, fazendas, chácaras de fim de semana e locais de hospedagem. Poderíamos ter parado em qualquer destes lugares. Mas nosso amigão disse pra esperar um pouquinho mais porque ia valer à pena. Seguimos até Itamonte.

placa garganta do registro a bussola quebrada

Itamonte, São Lourenço, Garganta do Registro. Só esqueceram de Santana do Capivari.

Ao chegar na cidade, perguntamos sobre o tal hotel que foi anunciado por nosso amigo horas antes como o melhor da região. Bom, barato, boa comida, confortável. – Estava lotado. – Uma convenção de motociclistas chegou à cidade e tomou conta dos hotéis e pousadas de Itamonte. E nós, que estávamos cheios de pó, tingidos de preto e vermelho, parecendo o sapo flamenguinho, tivemos que seguir adiante para Santana do Capivari.

Santana do Capivari

Nem fiz fotos.

A estrada de um lado era de lojas e fábricas de móveis rústicos. Especialidade mineira. Do outro, achamos um hotel do tipo chalés, bem bonitinho, com três ou quatro casinhas disponíveis. Alugamos três e depois de um banho, era hora de procurar o que comer.

A parte do banho foi complicada. O chuveiro mal esquentava. Foi o banho que deu pra tomar naquelas condições.

itatiaia prateleiras a bussola quebrada

Agora é trilha pesada. Prateleiras ainda está longe.

Trocar de roupa e seguir para procurar o que comer.

Outro ponto difícil quando se está em uma cidade desconhecida é descobrir um lugar que sirva refeições, e que esteja aberto num sábado, às sete da noite. E fora os mercadinhos bem pequenos e postos de gasolina, parecia não haver mais nada aberto.

Com um pouco de insistência, achamos um lugar que mais parecia um lava-rápido. Comemos. Nada especial, mas a fome fez com que qualquer arroz e feijão com batatas fritas tivesse o gosto do manjar dos deuses. Estávamos em sete e todo mundo comeu até não caber mais.

minas gerais garganta do registro a bussola quebrada

Você vai passar por aqui.

Voltamos para os chalés. O dia seguinte seria novamente puxado. Iríamos escalas as Prateleiras!

Para dormir, outro problema. O colchão era bom, mas a noite foi fria e tudo que tinha no chalé era um cobertor bem mais ou menos para se cobrir. O sono foi mais forte que o frio. Dormimos.

Alvorada, antes das seis da manhã

Acordar com um dos amigos batendo com força na porta de vidro. Delicadeza ZERO! Coisa de macho!! Até a corneta do exército é mais gentil.

Só para atiçar um pouco sua curiosidade, na manhã do domingo, seguindo pela estrada até o Parque Nacional do Itatiaia recebemos as boas vindas da Mãe Natureza. O Vento do sábado trouxe umidade e ajuntou as nuvens em uma fofa capa branca que cobria os vales e fazia cortina em quase tudo que víamos. O céu estava abaixo de nós, e permaneceu assim por quase todo o dia. Acompanhe e veja mais fotos deste espetáculo!!

prateleiras alvorada itatiaia a bussola quebrada

A natureza estava inspirada. Subimos Prateleiras olhando por cima das nuvens. Gostou dessa foto? Tem outras logo mais.

Pegar as coisas, correr para o Parque Nacional do Itatiaia. O guia nos esperava no portão às sete da manhã. Perder o horário significava não entrar na cota do dia para Prateleiras. Desistir não era uma opção!

prateleiras placas a bussola quebrada

A base de Prateleiras. As placas ajudam na localização, mas saber que é alto não torna a subida mais fácil.

Chegamos em tempo. Nosso foco era passar por todas as dificuldades, subir Prateleiras, ultrapassar o mítico Pulo do Gato e chegar ao cume para assinar o nome no livro dos bravos que atingiram o topo de Prateleiras. Todos queriam assinar “O Livro“!

Começamos nossa trilha. A mesma do dia anterior. Dessa vez, um pouco mais longa. O Caminho para Prateleiras tem quase dois quilômetros a mais de estrada acidentada até chegar no trecho de trilha, ainda mais acidentada. Pelo caminho, precipícios, escarpas, rochas, muita poeira e a Cachoeira das Flores, no percurso do Rio Campo Belo.

itatiaia prateleiras placa cachoeira a bussola quebrada

A cachoeira é muito bonita, mas quando você vir a altura… Você tem vertigem?

 

cachoeira rio campo belo itatiaia a bussola quebrada

Cachoeira no Rio Campo Belo. O caminho guarda muitas surpresas.

Uma coisa para chamar a atenção nesse trecho é que num momento o Rio Campo Belo estava a um metro apenas abaixo do nível da estrada. E andando mais uns vinte metros, o barranco entre nós e o rio já ultrapassava os 50 metros de altura. Uma bela queda.

prateleiras placa a bussola quebrada

Ainda demora. Nem vou te falar que está perto poque não está! Sua aventura ainda nem começou.

Chegamos à trilha e começamos a subida. O que era caminho reto se tornava um quase paredão de terra, pedras e mato alto. Agora precisava de fôlego, de pernas fortes, de muita vontade. Novamente, as promessas de fazer o Pulo do Gato e assinar O Livro incentivavam nosso grupo. Seguimos.

Uma parada para retomar o fôlego e um pouco de água no ribeirão que passa ao lado da trilha e a vista de Prateleiras. Ainda havia mais caminho pela frente.

Acima de nossas cabeças, uma estrutura de rochas gigantescas desafiava nossas forças. 

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Leva metade do dia para escalar essas pedras. Você pode imaginar a altura. Chupa, Stonehenge!

Tem fôlego para subir este gigante? Acompanhe com a gente em nosso próximo post sobre o Parque Nacional do Itatiaia e sobre nossa escada em Prateleiras. No próximo post prometo contar com muitas fotos toda a nossa aventura.

Ainda vamos subir por rochas e paredões íngremes e ver o mar de nuvens abaixo de nós, subir mais de 400 metros, ver a vista de três estados e você vai ver as dificuldades do percurso vertical. Acompanhe nossa aventura!


Dicas de Viagem:

  • Use luvas. Você vai usar muito as mãos para a escalada.
  • Botas com aderência são essenciais. Tênis é confortável, mas para esta aventura você vai precisar de algo bem mais resistente e firme. 
  • Siga pela Rodovia Presidente Dutra até a SP-054. De lá, vá pela MG-354 até Garganta do Registro, em Minas Gerais. A estrada segue por Itamonte, Santana do Capivari, Pouso Alto e São Lourenço, esta última, já na MG-460. Em uma dessas cidades você vai achar um lugar para dormir.
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