Kew Gardens – O Jardim da realeza

Fomos ao mais belo jardim que já vimos até agora, o Kew Gardens, um lindo espaço com arte, arquitetura, plantas do mundo todo, atrações inusitadas, uma estufa de flora tropical e aquário subterrâneo. O Kew Gardens é tão grande que tem até trenzinho para levar os visitantes.

Você já esteve com a gente em vários jardins botânicos no Brasil. Estivemos no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, construído nos tempos do Imperador Dom Pedro I, estivemos juntos no Jardim Botânico de São Paulo, da mesma época, e fomos visitar o Jardim Botânico de Curitiba. Todos belos à sua maneira. Mas agora, vamos ao Kew Gardens, o Jardim Botânico da Rainha da Inglaterra. E de tamanho, já dá para garantir que o Kew Gardens é maior que os outros três juntos.

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Victoria Gates – Entrada de Kew Gardens

Chegando a Kew Gardens

Kew Gardens fica a 16 quilômetros do centro de Londres. Dá para chegar de ônibus e de Tube, o Metrô. Deixamos um mapa e instruções nas Dicas de Viagem.

A estação de trem de Kew Gardens está realmente perto do portão Victoria. E no caminho, como era domingo, havia uma feira bem na saída da estação. Quadros, arte, decoração, frutas que para nós eram exóticas, tudo muito bonito, arrumado e limpo.

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Vai comprar umas sementes? Eu quase comprei.

Compramos as entradas por internet, então, só mostrar o comprovante impresso, retirar o ingresso e junto, um livro sobre Kew Gardens. Na entrada, restaurantes, lojas de decoração, loja de mudas e sementes, claro, é um jardim e mudas, flores, buquês.

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O “trenzinho” de Kew Gardens. Pague uma única vez, suba e desça quantas vezes quiser.

Ao lado da entrada, tem a parada do carro, ou trenzinho de Kew Gardens. O valor é pago à parte, mas você pode embarcar e desembarcar várias vezes.

Palm House

Palm House é uma estufa enorme que você vê de quase todos os locais de Kew Gardens. O parque tem mais de 7 milhões de espécies vegetais, e na estufa, uma enorme variedade de plantas dos trópicos. Sul da Ásia, África, Américas do Sul e Central, Oceania.

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A Palm House e lá atrás, a Waterlily House

 

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Palm House. A estufa dos tempos da Rainha Vitória.

A mudança de temperatura e umidade chega a ser chocante. Mais de quinze graus de diferença de um segundo para outro.

E embaixo da Palm House, um aquário, com peixes de várias partes do mundo. Novamente, uma brusca mudança de temperatura.

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A variedade de peixes é principalmente de água doce, mas há alguns de água salgada.

Logo atrás da Palm House, você verá a Waterlily House. Uma estufa menor exclusiva para Vitórias-Régias e Ninféias, e seu habitat. É um lago dentro de uma casa de vidro.

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Waterlily House, própria para Vitórias-Régias e Ninféias.

Kew Palace.

A casa foi moradia de verão para a Família Real no século 19. O monarca da vez o Rei George II, primeiro a se hospedar no casarão.

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Kew Palace é uma casa de 200 anos com todos os objetos de época.

A enorme casa de três andares conta com salão de jogos, sala de jantar, sala de estar, vários quartos, uma sala apenas para guardar uma enorme Casa de Bonecas, em proporções que fariam qualquer criança caber lá dentro, brinquedos de madeira para os meninos, arquitetura, materiais, móveis e objetos da época e funcionários caracterizados conforme era hábito há quase 200 anos, mas vi apenas um banheiro.

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Neste caso, um banheiro portátil, feito num pequeno cômodo da casa, todo decorado, com tapete, papel de parede, mas que tinha que ser esvaziado pelos serviçais. E você pensa que o seu trabalho é difícil!?

Shirley Sherwood Gallery e Marianne North Gallery

Por fora era uma casinha pequena. Por dentro, parecia uma galeria de arte, em que as obras todas eram de desenhos e pinturas de plantas e flores cobrindo todas as paredes, num trabalho cuidadoso de artistas botânicos que cuidaram de desenhar, pintar, e mais recentemente, fotografar plantas do mundo inteiro. E esta coleção de cores e formas está na Marianne North Gallery.

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Marianne North Gallery.

A parte mais legal é que quem vê a casa, pensa que é pequena, mas precisa de tempo para ver tudo que há lá. Descendo por uma escadaria, o visitante chega a um salão no subsolo, muito amplo e bem iluminado, com várias salas menores, com desenhos do mundo todo.

Entendendo melhor depois, pude perceber que o que eu tinha visto era uma passagem subterrânea que sai da Marianne North Gallery e vai para a Shirley Sherwood Gallery, bem ao lado uma da outra, e esta bem mais moderna, contém desenhos muito realistas de vários artistas botânicos brasileiros, como Malena Barretto, Alice de Rezende e Fatima Zagonel. E da britânica Margareth Mee, que você deve lembrar, era amiga de Burle Marx e ganhou um viveiro de plantas inteiro no Sítio Burle Marx.

Clique nas imagens para ampliar.

Mas o que me deixou mais contente foi ver o trabalho do artista Álvaro Nunes, que tinha uma sala enorme com seus trabalhos, inclusive pelo corredor do subsolo.

Jardim Japonês

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Um Jardim Japonês na Inglaterra.

Seguimos novamente com o trenzinho em direção a uma torre que dá para ver de vários lugares de Kew Gardens e antes de chegar lá, nos deparamos com um o pavilhão japonês.

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Porta do templo no Jardim Japonês.

Um jardim muito bonito, com plantas típicas japonesas e decoração de chão de areia branca, com pedras e pontes, um pequeno rio e muitas árvores. Especialmente cerejeiras. Cheias de flor.

Pagoda – A Torre Chinesa

Ainda falando de coisas bonitas vindas do oriente, nossa visita seguinte estava longe, mas pegamos de novo o trenzinho e seguimos para a Torre Chinesa, ou Pagoda. Uma enorme estrutura, feita em madeira, com 10 andares, com vista de 360 graus para todo o parque.

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O piso de areia do Jardim Japonês e ao fundo, o Pagoda.

 

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O Pagoda – Dez andares, 253 degraus, com oito paredes.

Além da arquitetura típica chinesa, o prédio é todo feito em uma base de oito lados. E decorado com estátuas de madeira. A cada andar que você sobe uma vista mais bonita de Kew Gardens te espera. E se você tiver fôlego, pode contar todos os 253 degraus até o alto da Pagoda.

Treetop Walkway

Imagine subir até a copa das árvores e ver a cidade de Londres por cima dos galhos e folhas, vencer toda a distância, ver os aviões riscando o azul do céu com suas linhas retas e brancas, saindo do aeroporto de Heathrow ali do lado do Kew Gardens e atravessando todo aquele azul.

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Achando estranho? Espere até se aproximar.

Foi isso que vimos após subir até a Treetop Walkway, o “Caminho no Topo das Árvores”. Balança um pouco, treme, é estreito e alto. Algumas pessoas podem sentir algum medinho, mas é bem seguro.

Clique nas imagens para ampliar.

Há um elevador para quem não quer se esforçar muito pelas escadas. E mais que isso, ao redor do Treetop Walkway há também um salão pequeno, para eventos, aulas, reuniões e apresentações, com programação o ano todo, esculturas em concreto armado e até uma árvore de aço.

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A Árvore de aço do Treetop Walkway.

As Ruínas de Kew Gardens

Depois de tanta tecnologia, continuamos nosso caminho, agora para sair do Jardim Botânico, mas o que vimos no caminho pediu mais algumas fotos. Uma ponte com forma de arco romano, com estátuas e pedestais enfeita o trajeto do visitante.

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Ponte em arco. O estilo antigo confere um ar sofisticado.

Pode até ser que seja uma antiga área de fortificação romana, mas também pode ser que seja apenas uma réplica de ruína, feita recentemente, para dar um ar de velho ao ambiente. Uma coisa bem tradicional.

Soube que é bem comum na Europa que jardins importantes e caros tenham uma estrutura que imite ruínas ancestrais. Pode ser o caso. Mas, como não vi placa nenhuma nem informações no livro que recebi, deixo para outro explorador mais intrépido ou exploradora mais competente que eu a solução desta dúvida. Quem souber que conte para a gente.

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Será que são antigas de verdade?

A Velhinha Favorita

O xodó de Kew Gardens é uma castanheira com mais de duzentos anos, que já estava de pé ali quando o Jardim Botânico foi criado, e que é chamada de Golden Oldie Chestnutt.

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Meu irmão fez esta foto. Pensa num cara que treme.

A árvore está toda velhinha, precisa de apoio, algumas madeiras para escorar, recebe podas constantes para tirar os galhos mais fracos ou doentes e assim aumentar a sua longevidade. Mas mesmo com a idade, a velhinha dourada e querida de Kew Gardens continua crescendo.

E já que estamos em um Jardim Botânico, nada melhor que me despedir de todos por hoje oferecendo flores.

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Que seu caminho tenha tantas flores e sol como o nosso em Kew Gardens!


Dicas de Viagem:

Saiba mais sobre Kew Gardens em http://www.kew.org/

Para chegar de Tube (Metrô):

  • Siga para a estação de Waterloo do underground. De lá, você vai pegar o trem, conhecido por overground e irá para a estação de trem de Kew Gardens. Fique atento, porque você vai ter que trocar de trem e seguir para a linha da estação de Richmond, parada final.
  • Ou siga pela Piccadilly Line até a estação de Tube de Kew Gardens.

Como a região de Kew tem poucas vagas para estacionar, vá de Tube ou ônibus. Olha aqui todas os modos de chegar

Mapa de Kew Gardens com o Google .

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