Visitamos a 32ª Bienal de Arte de São Paulo.

Visitamos mais uma Bienal. Desta vez, a 32ª Bienal de Arte de São Paulo, com suas incômodas instalações, que desafiam nossa compreensão e obrigam nossa mente a entender o mundo de um outro jeito. O tema desta Bienal é Incerteza Viva. Vem descobrir um pouco mais sobre isso.

bienal-incerteza-viva-a-bussola-quebrada

Cartaz oficial da 32ª Bienal de Arte de São Paulo

32ª Bienal de Arte de São Paulo – Incerteza Viva. Um título instigante e até incômodo.

Não queremos estar errados. Queremos estar sempre certos. Não queremos incertezas. Queremos todas as promessas e certezas de que tudo está bem e que tudo sempre ficará bem.

Será mesmo?

Clique nas imagens para ampliar:

Nosso mundo sempre foi feito de certezas. Sabíamos tudo. Tínhamos conhecimento de tudo. Tudo era fácil e conhecido. Ainda mais quando somos crianças, sabemos tudo. Não existem mistérios para crianças.

A dúvida, a incerteza, parece nos alcanças mais tarde, quando somos maiores e mais sabidos. Nessa hora começam nossas incertezas.

Clique nas imagens para ampliar:

Lembro-me do agora um pouco distante ano de 2012, quando levei três classes de alunos para ver uma Bienal. Eles voltaram novos, diferentes, com a cabeça explodindo de tanta informação. Eles entenderam. E mesmo que tenham compreendido pouco para uma primeira vez, e pouco ainda se comparando com a quantidade de coisas para ver e de mensagens para entender, os queridos alunos aprenderam muito. Suas vidas foram mudadas pela educação e sua visão de mundo foi ampliada.

A incerteza, a dúvida, o desconhecido e o mistério começaram para aqueles alunos naquele lugar. O mundo seguro e simples deles acabara de se tornar maior e mais incerto.

Clique nas imagens para ampliar:

Ali eu vi bem o trabalho da arte. Fazer com que nossa cabeça aprenda a entender o mundo de um jeito diferente ao que já estamos habituados, plantar em nossas cabeças, às vezes desertas da mesmice, uma semente de criatividade, de inquietação. Ver uma obra de arte é olhar o mundo com os olhos de outra pessoa. E como isso é estimulante!

Então, quando aparece uma oportunidade como uma exposição ou uma Bienal, claro que vou fazer tudo que puder para ver. Claro que vou separar um dia, espremer o tempo, fazer aparecer um dia a mais na semana só para conseguir ver mais este raro momento em que a arte, a cultura e o belo, mesclam-se ao estranho, ao inédito, ao complicado, para formar uma ilha de proteção contra a crua monotonia do cotidiano. Precisamos de mais eventos como estes. Precisamos de arte como quem precisa respirar. Arte é vida.

Clique nas imagens para ampliar:

E ao passear pelos corredores do conhecido prédio da Bienal, pude ver, entre a brancura da estrutura e as linhas curvas de Niemeyer, as grandes instalações que tanto desafiam a compreensão das pessoas. Achamos que arte é quadro, é estátua. Mas quando somos postos cara a cara com uma instalação como esta, o que devemos pensar?

E depois, temos filmes, curtas-metragens, documentários, bastidores da produção de uma obra ou instalação, explicações e motivos que levaram à realização daquele trabalho; os amistosos e reconhecíveis quadros, fotos, esculturas. Aos poucos vamos nos habituando com tanta novidade. Mas no começo dói!

Mesmo com tantas explicações, as incertezas da vida permanecem. Aumentam. E afinal, qual a vantagem de ir a um lugar cuja proposta é nos causar incertezas?

periferia-bienal-incerteza-viva-a-bussola-quebrada

A cultura que nasce com o ser humano. Sua necessidade de criar a própria cultura.

Incerteza Viva – Isso lá é nome de se colocar em algo que deveria, por pressuposto, ser educativo?

Então, para entender bem. Alguns temas sobre essa incerteza são simples. A vida como estamos vivendo, está esgotando e destruindo o planeta. Logo, uma incerteza: Sem respeitar o meio-ambiente, sobreviveremos?

Se estamos destruindo o mundo e o nosso futuro, estamos fazendo a coisa certa? Por que fazemos isso?

Por que ter incertezas?

Porque quando soubermos de tudo, aí sim teremos chegado ao fim.

colagem-critica-social-bienal-incerteza-viva-a-bussola-quebrada

A crítica social dura utilizando imagens coloridas e alegres.

Ocas, construções antigas e modernas, estruturas que lembram vagamente uma habitação de seres humanos, lixo, escombros, o fim da humanidade. A finitude da vida e o mercado de consumo. O infinito e o consumismo. Questões morais, religiões, o papel da arte e a descontextualização de objetos comuns, que são apropriados para se tornarem artigos de adoração quando transformados em obras de arte, tudo isso eu vi na 32ª Bienal de Arte de São Paulo. Eu entendi um pouquinho. Quer entender mais? Vá até lá e depois me conte o que viu.

torres-construcao-bienal-incerteza-viva-a-bussola-quebrada

Cada um constrói a sua verdade.


Dicas de Viagem:

32ª Bienal de Arte de São Paulo – Incerteza Viva
7 de setembro – 11 de dezembro 2016
Ter, qua, sex, dom e feriados: 9h – 19h (entrada até 18h)
Quinta, sábado: 9h – 22h (entrada até 21h)
Fechado às segundas
Entrada Gratuita

Veja aqui informações sobre 32ª Bienal de Arte de São Paulo
http://www.bienal.org.br/

Durante a 32ª Bienal de Arte de São Paulo, acontecem eventos, encontros e palestras. Veja aqui as datas – http://www.bienal.org.br/agenda.php

Para saber chegar, o Prédio da Bienal é no Parque do Ibirapuera. Saiba mais aqui – http://www.parqueibirapuera.org/

Anúncios