Caminho das Águas de São Paulo

Água é uma riqueza que pertence a toda a humanidade. Mas se faltar, será o fim de toda a vida que conhecemos. Veja aqui pessoas preocupadas com o uso correto da água e a necessidade de preservar.

Em nossa Agenda Cultural de 25 de novembro de 2016, indicamos uma exposição sobre os cursos de rios da cidade de São Paulo. Em cartaz no Sesc Vila Mariana, a exposição Rios Des.Cobertos – O Resgate das Águas da Cidade – teve participação de vários grupos de preservação ambiental, como o Rios e Ruas, e serviu para alertar sobre o mau uso das águas em nossa cidade.

Vídeo sobre a exposição Rios Des.Cobertos – O Resgate das Águas da Cidade – em Cartaz no SESC Vila Mariana

São Paulo é uma cidade fantástica. A mais desenvolvida do Brasil, a mais rica, a maior, a mais populosa. Tudo em São Paulo é escrito em números astronômicos e com adjetivos generosos e superlativos. Tudo é muito, tudo é grande, tudo é em grande quantidade e tudo custa caro. Como é caro, por exemplo, desperdiçar água, ou não respeitar a natureza.

A ONU declarou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. Em 2015 tivemos a maior crise hídrica da história de São Paulo. O estado inteiro, não apenas a cidade. Nossas represas baixaram a níveis alarmantes e superlativos. Começou-se a falar de um tal “volume morto”, ou, o “cheque especial” das reservas hídricas. Parece que não ouvimos o conselho da ONU.

Mas São Paulo é uma cidade cinza-esverdeada que tem muito concreto e pouca água, certo? Errado. A cidade foi construída numa região rica em águas. Por isso foi vista como ponto bom para um entreposto, que atendia quem subia a serra, vindo do litoral. Tropas, monges, viajantes. Recebia mercadorias e abria caminho para Minas Gerais, para ida de mantimentos e recebimento de ouro, pedras preciosas, minérios, vindos das várias minas.

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Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais

A cidade é cortada pelos enormes rios Pinheiros e Tietê, os córregos Aricanduva e Águas Espraiadas, Tamanduateí; tem bairros com nomes sugestivos, como Cachoeirinha, é cercada de nascentes e cursos d’água, mais de 300, canalizadas ou subterrâneas, o Riacho do Ipiranga é famoso no país inteiro por causa da Proclamação da Independência; o centro da cidade recebia o curso do riacho do Anhangabaú, a fundação da cidade foi ao lado da cabana do chefe Tibiriçá, por onde corria o córrego Piratininga, que deu o primeiro nome à então São Paulo de Piratininga.

Apenas de rios e córregos, sem contar lagoas e formações lacustres, estima-se em 287 o número de cursos de água na cidade. Os ambientalistas discordam e dizem que o número pode ser bem maior.

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Espaço preservado no Parque Ecológico do Tietê.

Para corrigir os dados oficiais sobre a quantidade dos cursos d’água, basta pensar em dias de chuva quando algumas dezenas de áreas em São Paulo alagam e formam novos rios onde antes haviam ruas e casas. O motivo é simples. O planalto cercado por serras onde foi construída a gigantesca São Paulo era rico em rios e propriedade das águas. E a cada chuva, a natureza parece querer retomar o que lhe pertence. E um dia vai conseguir.

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Mapa hidrográfico de São Paulo – Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH). REPRODUÇÃO

Grupos ambientais como o Ocupe e Abrace, o Rios e Ruas, o (SE)Cura Humana e o Existe Água em São Paulo, vêm trabalhando com a conscientização, mapeamento e preservação de bens naturais como rios e cursos de água na cidade de São Paulo. E a exposição Rios Des.Cobertos no SESC Vila Mariana acaba por ser inquietante, por mostrar que o progresso descuidado resolveu que rios são um problema para o desenvolvimento e impedem que o futuro chegue. Parece que uma cidade com um rio não é desenvolvida e moderna.

Porém, quem viaja um pouco sabe que a ideia é bem diferente.

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Veja mais sobre o Rio Tâmisa em nossos posts sobre Londres e a Inglaterra.

Em Londres, na Inglaterra, o Rio Tâmisa foi despoluído e tem peixes e já houve até avistamentos de baleias.

Estivemos lá para ver que o Rio Tâmisa, que divide a cidade, é navegável. E há canais por toda a cidade, oferecendo um clima mais saudável e embelezando a paisagem.

Você pode navegar por quase toda a Londres seguindo por rios, locomovendo-se por barcas, como quem vai ao trabalho de ônibus diariamente.

O famoso exemplo de Veneza, na Itália, que cedeu espaço ao mar em seus canais, assim como os canais de Amsterdã, na Holanda e de tantas outras cidades da Europa, que se desenvolveram construindo pontes e usando os rios como meio de transporte e recebendo navios de carga e descarga, ou seja, desenvolvimento econômico e preservação das riquezas naturais.

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Canal das Taxas, Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Os problemas de São Paulo se repetem por todo o Brasil.

E que tal falar da construção do Canal de Suez, ligando oriente e ocidente, ou o Canal do Panamá, unindo dois oceanos. O caminho das águas deve ser respeitado. E precisamos aprender nas cidades brasileiras a modernizar e desenvolver respeitando nosso meio ambiente.

Em 2018, Brasília vai sediar o Fórum Mundial da Água, onde será discutida a preservação de rios e corpos d’água, o uso desses recursos, a modernização e a economia que dependem do uso racional da água.

Será mais um esforço no sentido de preservar a natureza e por consequência, salvar a humanidade da extinção. Vai bem manter-se atento, afinal, uma coisa que os paulistanos vêm aprendendo é economizar água. Claro, não todos, mas o que parece ser gratuito, que cai do céu, se faltar, vai ter seu preço. E não haverá quem possa pagar o preço da falta de água.

E em sua cidade, também há rios que precisam ser preservados? Você teve problemas com enchentes ou falta d’água? Conte para nós sua história, envie fotos. Queremos conhecer você e sua cidade.


Dicas de Viagem:

Saiba mais sobre a exposição Rios Des.Cobertos – O Resgate das Águas da Cidade – em Cartaz no SESC Vila Mariana, em São Paulo – http://www.sescsp.org.br/programacao/102020_RIOS+DESCOBERTOS#/content=na-midia

Para saber mais sobre os Rios de São Paulo, há uma matéria muito boa do Jornal El País, em português, disponível aqui – http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/22/politica/1479840613_351185.html

E você pode clicar nos nomes dos grupos de preservação e saber mais sobre o trabalho de arte, cultura, urbanismo e ativismo para preservar rios e o meio ambiente.

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