Cafezal e Museu do Instituto Biológico de São Paulo

Um cafezal dentro de São Paulo, aula de história e ciência para ajudar na economia. Tudo isso no Instituto Biológico, que tem até museu e as atrações curiosas do Planeta Inseto. Tem que visitar!

Entrada do Instituto Biológico de São Paulo.

Entrada do Instituto Biológico de São Paulo.

Este mês o Instituto Biológico de São Paulo completa 90 anos e A Bússola Quebrada foi lá para cantar parabéns. E o que vimos foi de encontro às expectativas.

O prédio, em arquitetura vintage, com características de Art Decor é de 1927, construído em uma época em que ao invés da enorme avenida 23 de maio, um rio passava na baixada entre a Vila Mariana e o Parque do Ibirapuera. 

Fachada do Instituto Biológico de São Paulo.

Fachada do Instituto Biológico de São Paulo.

Talvez você vá lembrar que já viu este prédio antes. E foi em nossa visita ao MAC-USP, ali pertinho.

O Instituto Biológico de São Paulo foi criado numa época em que o café era nosso principal produto de exportação e a cafeicultura era nossa maior riqueza. Quem acompanha as viagens de A Bússola Quebrada vai lembrar que estivemos em Jundiaí, para ver as vias férreas que transportavam o café das fazendas do interior de São Paulo e de Minas Gerais para a capital paulista, segundo pela Serra do Mar, passando por Paranapiacaba e de lá até o Porto de Santos.

Acontece que faltavam estudos sobre como melhorar a colheita, gerar grãos melhores, defender o café das pragas e dos insetos que destroem a plantação e causa prejuízos. Foi com essa intenção que o Instituto Biológico de São Paulo foi criado em 1927. 

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Cafezal do Instituto Biológico

A festa estava muito bacana. Contação de histórias, food trucks de comida italiana, doces e um passeio turístico pelo cafezal da plantação própria do Instituto Biológico de São Paulo.

Grãos de café ficando vermelhos. A colheita costume ser no outono, de março a maio.

Grãos de café ficando vermelhos. A colheita costume ser no outono, de março a maio.

Fomos recebidos pelos administradores do Instituto Biológico. E queremos muito agradecer aos doutores que dedicaram seu tempo a nos ajudar com nossas pesquisas para escrever o post. Os funcionários também foram muito solícitos e como nossa guia, destacaram a Amanda, que também está tratando de seu doutorado. Faltam palavras para agradecer a recepção, mas podemos dizer que foi instrutiva e hoje somos mais ricos graças a esta calorosa maneira de informar o visitante.

A área para cultivo de café do Instituto Biológico é de 10 mil metros quadrados. E a Amanda nos informou o número exato de mudas plantadas: 1536 pés de café!

Exemplar de árvore de Pau Brasil no cafezal do Instituto Biológico

Exemplar de árvore de Pau Brasil no cafezal do Instituto Biológico

O café do Instituto Biológico, que é de excelente qualidade, não é vendido, o que é uma pena. É entregue no Palácio do Governo de São Paulo, para o governador do estado e funcionários.

Uma parte do passeio turístico pelo Instituto Biológico é justamente fazer a colheita e enriquecimento do café. Quem vai a um tour, pode se tornar um agricultor de café por um pequeno período e ver todo o processo que vamos mostrar agora.

Os pés de café da variedade arábica, mais comum no Brasil.

Os pés de café da variedade arábica, mais comum no Brasil.

O Tour pelo cafezal do Instituto Biológico

Em uma área verde, cheias de pequenos pés de café, os(as) visitantes são convidados a ver como é dura a vida de quem colhe o seu cafezinho de todas as manhãs. Primeiro, a ida ao cafezal. Colhe-se o grão. Em seguida, os grãos são peneirados, separados, descascados e colocados para secar. Depois, outra etapa do processo é retirar o mesocarpo, uma proteção extra da semente, limpar o grão e novamente, colocar para secar.

A Amanda, nossa guia, com a descaroçadeira doada ao Instituto Biológico.

A Amanda, nossa guia, com a descaroçadeira doada ao Instituto Biológico.

Nesta parte acabei lembrando da infância e de viagens ao Paraná, onde no sítio de um parente distante, vi o chão de cimento onde trabalhadores colocavam o café para secar ao sol. Como ferramenta, usavam uma espécie de rodo de cabo bem longo, sem a borracha, só a madeira, e o café era remexido no terreiro para secar por igual.

Terreiro para a secagem do café e um terreiro suspenso, com cobertura, para observação de amostras.

Terreiro para a secagem do café e um terreiro suspenso, com cobertura, para observação de amostras.

Durante o processo de secagem, limpeza das cascas, moagem e torra, que é o beneficiamento do café, o produto colhido acaba se reduzindo a apenas 11% do peso total. E o pó que chega para você é apenas a décima parte de tudo o que foi produzido pelo pé de café.

Claro que a Amanda, nossa guia, explicou em detalhes a anatomia do grão de café. Acompanhe na imagem:

A legenda está logo abaixo.

A legenda está logo abaixo.

1 – Grão de café in natura. Este ainda está verde. Para ser colhido, tem que estar vermelhinho;

2 – Grão seco protegido pelo mesocarpo. O grão fica secando. E parece que já temos o café. Mas o que vemos é uma proteção que precisa ser retirada. O café vem a seguir;

3 – Mesocarpo e grão de café antes da torra;

4 – O grão de café limpo, que será torrado e moído.

Soube que esta estufa será reformada e reutilizada em breve.

Soube que esta estufa será reformada e reutilizada em breve.

As etapas seguintes de nosso tour foram a máquina de descascar café, que foi uma doação da Pinhalense, que salvou as mãos de muita gente do Instituto Biológico. Acontece que há homens e mulheres trabalhando lá, mas colher e beneficiar o café é um trabalho muito duro, acaba com as mãos do trabalhador, as sacas são pesadas, as dificuldades são muitas.

Esta face do Instituto Biológico você consegue ver do MAC-USP.

Esta face do Instituto Biológico você consegue ver do MAC-USP.

Planeta Inseto

Nossa parada seguinte foi a um quarteirão de distância do Instituto Biológico. Uma casinha pequena, também antiga e muito charmosa servia de Museu do Instituto Biológico de São Paulo. E sua função é estudar insetos, pragas, micro-organismos, fungos e insetos em geral. A ideia é conhecer mais este micromundo e ter informação à disposição de a agricultores e uma atração de entretenimento e aprendizado à população.

Entrada do Museu do Instituto Biológico de São Paulo. o Planeta Inseto fica aqui.

Entrada do Museu do Instituto Biológico de São Paulo. O Planeta Inseto fica aqui.

O Museu do Instituto Biológico exibe em uma de suas paredes a maquete aumentada de um formigueiro e uma enorme formiga quase no teto. Uma quantidade absurda de insetos, desde a fase de ovos, larvas, pupa, à fase adulta e viveiros de baratas encontradas no mundo todo.

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Uma curiosidade é que existe no mundo algo próximo de 4 mil espécies de baratas, mas destas, apenas umas 10 são nocivas ao ser humano.

Uma das curiosidades do Museu do Instituto Biológico, ou do Planeta Inseto, como quiserem chamar, é a corrida de baratas, feita nesta pista abaixo:

As pessoas morrem de nojo, mas se divertem com a corrida das baratas.

As pessoas morrem de nojo, mas se divertem com a corrida das baratas.

As visitas ao Instituto Biológico e ao Mundo Inseto são monitoradas. Lembre de ligar antes para agendar.

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Dicas de Viagem:

Aqui você visita o Instituto Biológico e até agenda uma visita – http://www.biologico.sp.gov.br/

Endereço do Instituto Biológico – Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252 – CEP 04014-900

Museu do Instituto Biológico – Av. Dr. Dante Pazzanese, 64 – Vila Mariana, São Paulo/SP.

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