Dia Mundial do Refugiado

A gente adora viajar. Adoramos ser turistas e viajantes.  Mas hoje é o dia de um tipo de viajante que ninguém deveria ser. O dia 20 de junho é o Dia Mundial do Refugiado e nós temos que falar sobre isso.

Ser refugiado não é uma opção, é uma necessidade. Em outro post, já tínhamos falando sobre a viagem como uma necessidade que impulsionou milhões de pessoas a migrarem em busca de uma vida melhor.  

Quanto mais distante dos transportes modernos, menos prazeroso é o ato de viajar. Só viajaria dias em cima de cavalos, a pé ou em charretes desconfortáveis correndo diversos tipos de perigos quem tinha algum tipo de necessidade muito forte de fazer isso.

Navios, carros, trens, aviões, tudo isso fez o viajar ser algo mais fácil, mais prático e até agradável. E hoje, encaramos viagem como algo bom.

Muita gente ainda migra em busca de melhores condições de vida. Alguns até ilegalmente. Mas ainda assim, existe uma diferença entre migrante e refugiado. Refugiadas são pessoas que foram forçadas a deixar seu país ou cidade por causa de guerras, fome, sede, perseguições políticas ou religiosas e outros tipos de violações de direitos humanos.

A situação de insegurança em seu território é tão grande que essas pessoas abandonam suas casas e suas raízes para fazerem viagens arriscadas, e muitas vezes clandestinas, em busca de sobrevivência em um lugar de cultura e costumes desconhecidos.

Uma diferença (tristemente) marcante entre migrantes e refugiados é que os migrantes são em sua maioria jovens adultos, enquanto que os refugiados são crianças. Ou seja, ao invés de serem pessoas que estão indo em busca de trabalho e crescimento econômico, são crianças cujos pais estão tão desesperados para garantir sua sobrevivência que as mandam em viagens com alto risco de morte.

 

Números tristes

No final de 2015 o número de refugiados no mundo superou 65 milhões de pessoas – só tenha em mente que esse número é maior que a população da Argentina no mesmo ano. E as perspectivas são de que esse número só aumente nos próximos anos.

Os principais países de origem dos refugiados são a Síria, o Afeganistão e a Somália. Os países com maior número de deslocados internos são a Colômbia, a Síria e o Iraque. No último ano, o Sudão do Sul foi o país que mais se destacou por ser origem de refugiados. Já o Iêmen foi o que mais cresceu em deslocamentos internos.

A República Democrática do Congo é o país que mais recebe refugiados de seus vizinhos africanos, embora tenha um grande número de deslocados internos e refugiados. Os países que mais abrigam refugiados são Turquia, Paquistão e Líbano.

A grande maioria dos refugiados vai para campos de refugiados dentro de seus próprios países ou em países vizinhos, e vivem em situação de extrema miséria, sem acesso a condições básicas de higiene, saúde, alimentação, educação e segurança. A perspectiva para essas pessoas não é boa. A maioria delas nunca vai sair do campo e ter uma vida normal novamente.

Uma pequena parcela dos refugiados consegue abrigo em países europeus ou americanos. Mas ainda assim, vivem em situação de exclusão social. A grande maioria não consegue emprego ou quando consegue são subempregos, mesmo para aqueles com formação acadêmica – por conta de terem abandonado tudo, em muitos casos, sua formação não é reconhecida no país de destino.  

O Brasil tem recebido um grande número de refugiados e diversas organizações sociais têm promovido projetos para que essas pessoas possam ter autonomia econômica e dignidade.

Trabalhos envolvendo gastronomia e arte são os mais comuns, com workshops, feiras gastronômicas e artesanato. Mas também há projetos educacionais, onde os refugiados podem ensinar sua língua e sua cultura (links nas dicas). E projetos musicais, com crianças ou adultos, com coral e orquestra compostas por migrantes e refugiados.

 

#ComOsRefugiados

A ACNUR, agência da ONU para os refugiados, lançou uma petição mundial de apoio à campanha para que os governos façam um pacto global que garanta acesso à educação para todas as crianças refugiadas em seus países; garanta um lar seguro para todas as famílias refugiadas; e garanta acesso a trabalho para que os refugiados possam contribuir com a comunidade que os acolhe.

A hashtag escolhida é para mostrar que as pessoas são solidárias aos refugiados. Esse é o link para a petição: http://www.acnur.org/diadorefugiado/

 

Agenda Cultural

Separamos dois eventos que estarão acontecendo essa semana para celebrar a data.

MAM SP

O Museu de Arte Moderna de São Paulo, em parceria com o Adus promove uma série de atividades em celebração ao Dia Mundial do Refugiado na terça-feira, 20, e sábado, 24 de junho.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/311625659278676

 

Olhares sobre o Refúgio

O ACNUR e seus parceiros inauguram a mostra de cinema “Olhares sobre o Refúgio”, que percorrerá cinco capitais brasileiras durante todo o mês de junho, com diferentes visões sobre o tema. A mostra já passou por Curitiba, Porto Alegre e Brasília.

Dias 20 e 27 de junho no Rio de Janeiro, e de 22 a 27 de junho em São Paulo.

Mais informações: http://www.acnur.org/portugues/noticias/noticia/mostra-internacional-de-cinema-inaugura-celebracoes-do-dia-mundial-do-refugiado-no-brasil/

 


Dicas de Viagem:

Fonte:

Aulas de línguas:

Workshops culturais com migrantes e refugiados: http://www.migraflix.com.br/

O Cáritas, assim como a Adus e a BibliAspa, é uma instituição que dá apoio para refugiados que chegam no Brasil: http://www.caritas-rj.org.br/

 

Se você conhecer outra instituição ou projeto, pode colocar nos comentários!!

 

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