Dia Mundial do Rock

Hoje é 13 de julho, dia Mundial do Rock. É o dia de tocar som alto e lembrar das bandas que fizeram sucesso, dos sons que a gente gosta, daquela música que tocou na sua adolescência, nas letras de protesto e nas canções de amor meloso ou gritado. Vamos viajar o mundo no Dia Mundial do Rock!

Os diferentes estilos dentro do Rock, o mais mundial de todos os ritmos.

Os diferentes estilos dentro do Rock, o mais mundial de todos os ritmos.

Era 1985, no dia 13 de julho e o mundo via a fome na Etiópia ceifando milhares de vidas. Para arrecadar fundos para combater essa tragédia humana, Bob Geldof, famoso por, entre outros trabalhos, ter sido o protagonista do filme The Wall, do Pink Floyd, organizou o Live Aid, show humanitário simultâneo na Filadélfia, Estados Unidos e em Londres, Inglaterra.

A data tem o nome de Dia Mundial do Rock mas é criação bem brasileira, de São Paulo, onde apenas duas rádios, na época a 89FM e a 97FM, ambas de conteúdo Rock, montaram a comemoração a partir de 1990. Então, não estranhe se nem os cariocas, nossos vizinhos, souberem o que é este Dia Mundial do Rock.

Documentário Live Aid sobre Bob Geldof.

Mas falar de rock é falar de um som marginal, que tem muita história, não apenas de música, mas tem mudanças sociais. A mudança de uma época branca, que odiava negros deu lugar a um som que misturava o blues e o R&B do sul dos Estados Unidos, para criar um som mais pesado, com nomes de negros fazendo sucesso, como Little Richard e Chuck Berry, abrindo espaço para que negros também fossem vistos como pessoas, como cidadãos. Anos mais tarde, bandas de mulheres, como The Runaways, mudaria ainda mais a sociedade, dando espaço e destaque ao sexo feminino, sempre deixado para trás na história. O Rock veio mudar o mundo.

A viagem começa com o nascimento do Rock nos Estados Unidos. O ódio da mídia e dos conservadores fez com que nomes como Elvis Presley e Bill Halley fossem vistos como degenerados. E porque o som vinha originalmente dos negros, era marginalizado.

Elvis Presley e seu “obsceno” jogo de quadris em Jailhouse Rock

Se o rock nasceu nos EUA e lá era odiado, atravessou o oceano e foi parar na Inglaterra, onde foi abraçado por uma legião de jovens desesperada para sair da sonolência europeia e criar algo novo. O rock abalou a estrutura do velho mundo, entregando nomes como Beatles, falando de rir e se divertir, e amor, canções sem medo falando de viver a vida, Rolling Stones, cantando sua simpatia pelo demônio e “vamos passar a noite juntos” numa época ainda de casamentos arranjados e formalidades, The Who – a banda mais barulhenta do planeta, em 1972.

The Who – My Generation

E o rock saiu da Inglaterra para voltar aos Estados Unidos, onde foi novamente transformado. Nomes de cantores que falavam de amor livre, como David Bowie se somaram ao The New York Dolls – as bonecas de Nova Iorque – homens que se maquiavam e vestiam de mulher, um escândalo, ou The Kinks – algo como “As Vagabundas”, destruindo os antigos padrões.

E o rock girou o mundo. Da ensolarada Califórnia, com os Beach Boys falando de diversão, festas e surf ao rock de protesto do frio de Dublin, com o U2 e seu ativismo político, e as canções nada convencionais de bandas celtas como Eurythmics e mais recentemente Cranberries.

Eurythmics – Sweet Dreams (Are Made Of This)

O Rock foi até a França, onde dizem, morreu Jim Morrison, vocalista e alma do The Doors. Ou talvez não tenha morrido e hoje seja vinicultor na França. Lendas e teorias da conspiração de que Elvis Estaria vivo, e Jim Morrison também. Mas Paul MacCartney morreu. Muitas lendas.

O rock atravessou o mundo e viajou para o Japão, Filipinas, onde os Beatles quase foram linchados pelos católicos, chegou à Austrália para trazer nomes de peso como AC/DC, Hoo doo Gurus, Silver Chair, Midnight Oil.

Midnight Oil – Beds are burning.

E finalmente o rock voltou ao Brasil, já na época Punk e pós-punk, no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980. E se espalhou como fogo na palha seca que era o Brasil de fins de regime militar.

 

O Rock de São Paulo

O Rock eclético de São Paulo, que misturava bandas como Casa das Máquinas e seu metal de liberdade e alegria a bandas de punk revoltadas como as das cidades ao redor de São Paulo, o famoso ABC: Cólera, Ira!, Restos de Nada, Inocentes, Garotos Podres – este com som pesado e letras bem-humoradas, mas ainda com o protesto, e anos mais tarde, Rita Lee, a primeira mulher a tocar rock com sua própria banda e suas próprias canções, dando mais voz às mulheres e quebrando o machismo, inclusive do próprio rock brasileiro!

O som vinha graças a discos trazidos pelos mais ricos, que podiam viajar para a Inglaterra, e traziam roupas, adesivos, pôsteres, novidades, fitas K7 e discos de vinil na mala. Tudo sempre muito improvisado.

Rita Lee Jardins da Babilônia

 

O Rock do Rio de Janeiro

E quem diria, o rock chegou ao Rio de Janeiro via Niterói. A Rádio Fluminense, ou Maldita FM, transmitia nos anos 1970 e 1980 com mulheres apresentando a programação. Quebrando o tabu. E com a potência limitada, os ouvintes da cidade do Rio de Janeiro ouviam a Maldita FM de manhã, aos finais de semana, indo com seus carros ao Aterro do Flamengo, único lugar da cidade onde os radinhos captavam a frequência daquela música esquisita que atravessava a Baía da Guanabara.

O rock do Rio de Janeiro, tocando tristezas e dificuldades ao mesmo tempo em que falava de amor e risadas, no som do Barão Vermelho e das letras que atacavam a burguesia e a hipocrisia da sociedade na voz de Cazuza.

Barão Vermelho, com Cazuza, sempre ‘Exagerado’.

 

O Rock de Brasília

O rock cresceu e ficou maduro em Brasília, reclamando de corrupção, falando das dores e dos medos da adolescência e dos protestos contra uma sociedade sem visão em letras tristes e acordes alegres de Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso.

Legião Urbana – Geração Coca-Cola

 

O Rock de Salvador

E sim, eu disse que o Rock voltou ao Brasil, porque quando o rock chegou, só havia neste país um maluco chamado Raul Seixas, que queria tocar rock, que ninguém entendia, em Salvador, Bahia. Onde já se viu?

E não tinha quem entendesse as letras, a dança, que mais parecia ataque epilético, o som, os gritos. O som que vinha das casas dos embaixadores de outros países, dos militares estrangeiros de quem o jovem Raul era vizinho, tocaram em rádios de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília. E o resto é história.

Raul Seixas – O dia em que a Terra parou

 

O Rock foi mudança social, viagem para o mundo inteiro, alegria para gerações, quebra de preconceitos e redemocratização. Por tudo isso, 13 de julho é o Dia Mundial do Rock. Ainda que apenas no Brasil, ou ainda que apenas para paulistas. Mas a festa é para todos os que quiserem vir.

Feliz Dia Mundial do Rock e “Long Live Rock n’ Roll!!

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Dicas de Viagem:

Para saber mais sobre Bob Geldof e o Live Aid – https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_mundial_do_rock

Quer ver história do rock? Assista à ficção This is Spinnal Tap – A pior banda de Rock do Planeta – O filme conta a história da banda ruim e decadente que se reencontra com o sucesso, mas dá dó dos caras. Tudo para eles dá errado. E curta muito o som. A canção Stonehenge feita para o filme é muito legal!

Quer saber mais? Labirynth, do David Bowie é um conto de fadas com bonecos do Jim Henson, criador do Muppet Show e talvez a mais sensacional trilha sonora de todos os tempos.

Raul Seixas, o Início, o Fim e o Meio – Documentário do Maluco Beleza do Rock brasileiro – https://www.youtube.com/watch?v=Nw7lombOTt0

E para ajudar você a achar o filme The Runaways, a primeira banda só de garotas que se tem notícia – https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Runaways_(filme)

 

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