Masp 70 Anos

Outubro será mês de festa no MASP – O Museu de Arte de São Paulo, ou Museu Assis Chateaubriand, completa 70 anos e o MASP terá programação gratuita o mês inteiro. Quem ainda não conhece, tem uma boa razão para conhecer. Quem já foi, vai ter mais para ver. Vem com a gente passear pelo MASP.

 

MASP visto por quem vem da Consolação.

MASP visto por quem vem da Consolação.

 

Falar dos 70 anos do MASP precisa de uma pequena explicação. A sede do Museu de Arte de São Paulo original de 1947 não é este que está na Avenida Paulista em frente ao Parque Trianon e que tem feirinha de antiguidades no domingo. A primeira sede do Museu fundado por Assis Chateaubriand foi na rua Sete de Abril no centro velho de São Paulo, no segundo andar do prédio. Uma sala de 1000 metros quadrados. A ideia de museu na época era bem diferente da de hoje.

O prédio original do MASP, modernista e bonitão, é de 1968, projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, com linhas firmes, mas vão livre, para deixar circular o ar. Aliás, o maior charme do Museu de Arte de São Paulo está justamente neste espaço que permite ver a avenida 9 de Julho, os prédios do lado central de São Paulo, e que oferece espaço para vários eventos e um local para tomar um pouquinho de sol na hora do almoço.

 

MASP visto pelo lado do Metrô Paraíso.

MASP visto pelo lado do Metrô Paraíso.

O Vão Livre do MASP

Além das barracas de antiguidades, é no vão livre do MASP que o povo se reúne para passeatas, reuniões, apresentações, e lá estão ocorrendo a maioria das atrações que comemoram os 70 anos do museu.

Com música e DJ ao vivo, instalações com oficina sonora, artes, brincadeiras e diferentes estímulos para crianças e adultos, o Museu de Arte de São Paulo vai oferecer atividades durante todo o mês de outubro.

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O Acervo do MASP

Museu de Arte de São Paulo tem o acerto permanente, que fica no segundo andar. Lá o visitante vai ver arte sacra, clássicos, arte africana, nomes conhecidos do Brasil e do exterior, Van Gogh, Renoir, Di Cavalcanti, Modigliani, Velázquez, só para citar alguns.

No primeiro andar, exposições temporárias. Como a que encerrou no domingo, sobre Toulouse Lautrec. Mas foi ali que vi Caravaggio, Monet, e provavelmente lá é onde vai acontecer dia 20 uma exposição sobre sexualidade humana que vai dar mais barulho que aquela do Santander no Sul do Brasil. Está todo mundo no maior alvoroço com medo do que os fanáticos religiosos e os vigilantes da moral alheia vão ser capazes de fazer.

 

Segundo andar: Acervo permanente.

Segundo andar: Acervo permanente.

 

Mas vamos falar de coisas boas!

No subsolo, além de uma unidade do Café Suplicy, há também um restaurante que funciona das 12h às 15h e a lojinha, onde você vai encontrar, livros de arte, fotografia, pintura, clássicos, e alguns presentes para as crianças.

 

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E claro, foi no subsolo do MASP que vimos o quadro mais fantástico de Cândido Portinari que pode existir. Isso, na opinião deste que vos fala. Era uma mulher negra, elegante, em cores do sertão que Portinari pintava com tanta ênfase emocional, andando no rincão isolado, sem temer o mundo e enfrentando as agruras da vida dura. A luz do dia desaparecendo atrás dela e sua pouca vestimenta branca balançava ao vento do agreste. O gradiente de despedida do dia e a pele negra como uma sombra sem rosto, que deixa a sensação de que poderia ter sido qualquer um naquela situação. Uma obra maravilhosa, trazida a quem aprecia arte na mostra Portinari Popular, de 2016.

 

A arte faz isso de emocionar a gente e fazer o espectador se sentir na pele do retratado.

A arte faz isso de emocionar a gente e fazer o espectador se sentir na pele do retratado.

 

São estas alegrias que o Museu de Arte de São Paulo traz aos visitantes.

Ainda me lembro bem de minha primeira visita ao elegante museu criado por Assis Chateaubriand. Monet era o astro. Quase uma centena de trabalhos de diferentes fases do impressionista francês estava espalhados por todos os cantos do Museu. E claro, o MASP estava lotado como só um pop star é capaz de encher uma casa de espetáculos.

Pouco depois, outra exposição gigantesca sacudira novamente a cidade de São Paulo com todos os espaços preenchidos por Salvador Dalí. O impressionista espanhol que sempre foi meu favorito, novamente fez o museu parecer pequeno, mesmo com tanto espaço, tantos andares, subsolo, e uma multidão enfrentando filas enormes para ver mais obras maravilhosas de um astro de grandeza maior.

 

O MASP visto por quem vem do fim da Avenida Paulista.

O MASP visto por quem vem do fim da Avenida Paulista.

 

Nesta visita, além de ver as pessoas visitando o museu com um sorriso nos lábios e olhos atentos, pude ver o quanto a arte vem tendo mais espaço na vida dos brasileiros. Nosso povo, que teve pouco acesso a cultura e não compreende arte como lazer, vem, aos poucos, pegando gosto e descobrindo o encantamento das artes. É domingo, faz sol, mas o MASP está cheio de visitantes e fervilhando em vida no Vão Livre. O brasileiro quer ver arte.

Durante as fotos para esta matéria, impossível não me deixar seduzir pelo forte aroma do café preparado num quiosque novo, ainda nas escadas para os dois andares altos do museu. Que perfume delicioso de café feito na hora! E que alegria poder saborear este café, olhando para um Matisse, um El Greco, um Goya. E ainda acompanhar o movimento colorido da Avenida Paulista. Gente, é mesmo um privilégio!

 

O MASP visto por quem vem do começo da Avenida Paulista.

O MASP visto por quem vem do começo da Avenida Paulista.

 

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Dicas de Viagem:

Visite o site do MASPwww.masp.art.br
Veja a programação gratuita dos 70 anos do MASP na fanpage – https://www.facebook.com/maspmuseu/
E na wikipedia você descobre mais sobre o MASPhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_de_Arte_de_S%C3%A3o_Paulo

Aproveita que a semana está começando e se programa – O MASP é gratuito às terças-feiras até 18h.

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