Dicas de Como Escolher Vinhos

Você é daqueles que ficam perdidos em meio à tamanha variedade de vinhos disponíveis hoje no mercado? Quando não temos à nossa disposição o auxílio de um profissional capacitado no momento da compra, é normal termos dúvidas sobre qual tipo de uva, nacionalidade, estilo de rolha ou vinícola escolher. Para te ajudar a levar para casa o rótulo ideal, a personal sommelière Joana Neuding – diretora da Vinho Seleto (www.vinhoseleto.com.br) – separou algumas dicas importantes.

“Nem todos os locais onde você compra vinho têm o serviço que oferecemos na Vinho Seleto, o de um profissional disponível para indicar o rótulo ideal. A escolha depende, entre outros fatores, da estação do ano em que ele será degustado, da ocasião – se é mais formal ou mais informal -, do gosto pessoal, claro, do orçamento, enfim. São diversas as questões que interferem no momento da decisão, mas alguns detalhes básicos podem ajudar quem é leigo no assunto a escolher adequadamente a bebida”, afirma Joana.

Veja abaixo algumas curiosidades que podem te ajudar a escolher o seu vinho ideal:

Escolha por tipos de Rolhas:

A rolha é uma das responsáveis por proteger o vinho de agentes externos, evitando que ele estrague, pegue mal cheiro, perca propriedades. Ela mal utilizada ou utilizada no vinho errado pode trazer contaminação ao líquido. Contudo, nenhuma é prejudicial ao vinho, desde que utilizada da maneira adequada. Veja abaixo algumas opções de vedação da garrafa:  

Rolha de cortiça

Geralmente elas são usadas em vinhos de guarda pois evitam que o oxigênio entre em contato com o vinho, possibilitando que a bebida dure por longos anos;

Rolha sintética

São confiáveis porque seu uso não provoca contaminação no vinho por TCA –  tricloroanisol, substância que pode causar mau cheiro. Contudo, como sua vedação completa não é comprovada, são utilizadas em vinhos jovens.

Rolha de aglomerado de cortiça

Como são mais frágeis, são geralmente usadas em vinhos mais jovens;

Tampa de rosca

Como sua eficiência a longo prazo também não é comprovada em vinhos de guarda, a “screw cap” – hoje é mais utilizada em vinhos do Brasil, EUA, Chile, Austrália, Nova Zelândia e Argentina – também em vinhos jovens. Ela é uma tampa metálica de rosquear e possui, na parte interna, um plástico que limita o contato do oxigênio com o vinho.

Rolha de vidro

Tendência crescente na utilização de vinhos jovens, rolhas de vidro evitam interferências no aroma do vinho pois possuem excelente vedação. Ela possui um anel de silicone que impede que o oxigênio e o vinho entrem em contato, evitando contaminação por TCA.

Escolha por tipos de uvas:

São muitos os tipos de uvas utilizados na produção de vinhos, o que torna a missão do apreciador ainda mais difícil no momento da escolha. Contudo, tem algumas que são ainda mais comumente encontrados no mercado brasileiro hoje, como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, entre outros.

“Uma curiosidade muito bacana, e que poucos sabem, é que a vinhos brancos, por exemplo, podem ser feitos tanto com uvas brancas como com tintas, porque a polpa de toda uva é branca, o que da cor ao vinho é a casca tinta”, conta Neuding.

Veja alguns tipos:

Pinot Noir

Bastante delicada, com essa uva francesa se produz intensos vinhos ácidos e marcantes, brancos ou rosés, que ficam cada vez melhores com o passar do tempo. Em grande  maioria os espumantes franceses são produzidos com essa espécie. O vinho feito com ela lembra morango, framboesa e cereja e possui aroma delicado que lembra flores. Mas tem variações dependendo de cada país e produtor. Por exemplo uma Pinot Noir da Borgonha é completamente diferente que o da Nova Zelândia.

Sauvignon Blanc

A uva também é francesa, de Bordeaux, e se deu muito bem no Chile e África do Sul. No sabor, o vinho branco tem bastante acidez , o que é positivo, normalmente se não estagia em barrica de carvalho é seco e bastante refrescante. O vinho produzido por essa uva lembra maracujá, manga e bastante hebraico (hortelã, grama). No aroma, remete ao frescor da grama recém-cortada.

Moscato Giallo

A Moscato Giallo é uma uva originária da bela Itália. Bastante carnuda e de coloração amarelo forte, ela produz vinhos brancos, mais amarelados e encorpados. Em sua maioria, vinhos de sobremesa são feitos com ela. É com a Moscato Giallo que também se produz o espumante tipo Moscatel. No paladar, maçã madura, pera,  e pêssego. Seu aroma é bastante doce e sedutor.

Tannat

A Tannat é uma uva francesa, mas tornou-se, hoje, muito importante na produção de vinhos no Uruguai. Ela é rica em taninos – substância que dá ao vinho tinto corpo e longevidade. No paladar, remete à frutas vermelhas maduras. No aroma, notas de chocolate e café. As bebidas produzidas com a Tannat são encorpadas e possuem coloração intensa.

Merlot

Essa uva é originária da região de Bordeaux, região do sudoeste da França, e é hoje produzida em outras regiões do mundo, mas não se adapta facilmente a qualquer tipo de clima. Vai melhor em lugares de menor altitude. Ela é produzida no Brasil, mas somente na região da serra gaúcha. O vinho tinto cor de rubi produzido por essa uva é seco, frutado, aveludado, e no paladar um sabor que remete ao mirtilo, à amora e à ameixa. No aroma, ele é floral. Quando envelhecido em barril de carvalho, traz toques de chocolate. O tempo faz bem para esse vinho: ele fica mais aveludado e delicado com o passar dos anos.

 

 

Cabernet Sauvignon

Essa uva também é originalmente de Bordeaux, mas se adapta com mais facilidade a outros climas. Por isso, hoje, é produzida em diversas regiões. No paladar, o vinho tinto produzido por ela é encorpado,  seco e deixa na boca a presença de café, chocolate, e de frutas como amora, ameixa, cereja madura. No aroma, traz toques de especiarias. Seu corpo é denso e sua cor é bastante escura.

Chardonnay

A Chardonnay é uma uva branca francesa originária da Borgonha. Facilmente adaptável em diversos tipos de solo, ela é hoje produzida em muitos países. O vinho branco pode variar muito dependendo de como o enólogo for produzi-lo. Com madeira fica bastante macio e amanteigado, de coloração amarelo escuro. Sem madeira é um vinho leve, refrescante e fácil de beber. Se envelhecido em barril de carvalho, deixa no nariz um cheiro de baunilha.

Como Harmonizar

Saladas e canapés: Sauvignon Blanc ou Espumante

Massas recheadas com queijos ao molho branco, risoto de queijo brie, peixes e aves (frango, peru, tender): Chardonnay, Viogner ou Espumante.

Massa ao molho vermelho (simples), carne suína ou de cordeiro,: Pinot Noir, Sangiovese ou um tinto que não passe por madeira.

Massa ao molho de funghi com calabresa, carne vermelha, carne de pato, feijoada, escondidinho de carne seca com abóbora, caldinho de feijão: Malbec, Carmenere, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, ou vinhos mais encorpados.

Se a estrela do cardápio for o camarão, o vinho rosé vai, sem dúvida, arrasar. Ou um Pinot Grigio;

Sobremesas e bolo: vinhos de sobremesa, como o Porto (tinto) ou Espumante.

Obs: Espumantes harmonizam com momentos de descontração, com festas e momentos animados;

Com queijos, prefira vinhos brancos ou espumantes. A não ser que eles sejam muito gordurosos;

Regra básica: Vinhos tintos combinam bem com carnes vermelhas e massas; brancos combinam com carnes brancas e peixes, mas tudo pode mudar com o molho e tipo de preparo de cada prato.

Como Servir

Se for um Cabernet Sauvignon, ou vinho encorpados use a taça Bordeaux;

Se for um Pinot Noir, ou um vinho mais leve use a taça Borgonha;

Para espumantes, use a taça Flauta;

Espumantes devem ser servidos sempre, e isso é uma regra muito importante, gelados (entre 4°C e 8°C). Brancos devem ser servidos idealmente entre 8°C e 12°C e tintos entre 14°C e 18°C;

​Estações do Ano

A tendência é que espumantes, rosés e brancos sejam mais procurados no verão, por serem, em geral, mais leves. No inverno, os tintos são os preferidos;

Orçamento

Se não é para harmonizar com o cardápio e o vinho for para um evento, apenas para servir durante a festa, escolha um tinto e um espumante. Caso não tenha orçamento para os dois, vá pela estação. Nos períodos mais frios do ano, opte pelo tinto um pouco mais encorpado. Conte uma garrafa para cada quatro pessoas. Caso esteja calor ou meia estação, escolha um espumante fresco, leve e frutado. Aqui também, uma garrafa para cada quatro pessoas.

“Se escolher o vinho tinto, apenas, é sempre importante ter uma quantidade de espumante reservada para o momento mais animada da festa. Ele é versátil e deixa o momento mais alegre e é importante para a celebração. O cálculo é de uma garrafa para cada 08 pessoas”, pontua a sommelière da Vinho Seleto.

Você não precisa escapar do seu orçamento para servir um vinho bom e agradável. Existem muitas opções de rótulos com excelente custo benefício no mercado. Experimente algumas opções antes da data do evento. “Tenho certeza de que achará um que seja conveniente. Sirva aos seus convidados o que mais te agradar. Procure, no momento da busca, por empresas que, assim como a Vinho Seleto, consigam te orientar, por meio de um profissional capacitado, sobre qual o melhor rótulo a ser escolhido – colocando à disposição para degustação uma variedade grande de estilos e rótulos -, e que, ainda, sejam capazes de fazer acordos de preços mais acessíveis pela quantidade”, ressalta Joana. 

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