As lições do Futebol.

Duas equipes se encontram na arena para uma batalha de vida ou morte. Alegrias e desesperos em momentos que serão inesquecíveis. Hoje vamos visitar um estádio de futebol e falar dessa paixão nacional. Bem-vindo ao estádio do Corinthians!

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Arena Corinthians. Perdoem as fotos de celular.

Arena Corinthians. Perdoem as fotos de celular.

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Sim, eu sou corintiano. Tem gente que diz que é doença. E a Karina é vascaína. E como a gente faz tudo por nossos amores e paixões, ela não se importa que eu seja corintiano e eu já ganhei um boné do Vasco. E no domingo tem jogo e eu sou vascaíno!

Claro que eu poderia falar do campeonato. Da posição de cada time na tabela, das campanhas, dos lances duvidosos, da arbitragem, do fair play ou das trapaças. Mas hoje prefiro falar sobre as emoções. As alegrias, os medos, os sufocos.

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O manto e a Fiel torcida Corintiana.

O manto e a Fiel torcida Corintiana.

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De um lado, o Corinthians, lutando pelo título em um campeonato histórico. Do outro, o visitante Avaí chega à Arena Corinthians, em Itaquera, São Paulo, precisando manter ao menos um empate, garantir um ponto e fugir do rebaixamento. Duas equipes motivadas. As duas precisando vencer. As duas prontas para mostrar um espetáculo em campo. 

E mesmo que muita gente odeie futebol, há em todas as pessoas um pouco do espírito competitivo do esporte, da necessidade de vencer, de ser bom em algo, de receber aplausos pelos feitos, de ganhar a admiração dos semelhantes. Este é o espírito por trás de todo o esporte e é esta competição, que é saudável, que faz o Campeonato Brasileiro ser tão disputado. Mais do que rivalidade, a festa une todos os brasileiros em torno de um mesmo assunto. As lições que podemos aprender com o futebol.

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Azul e branco - A torcida do Avaí foi bem representada.

Azul e branco – A torcida do Avaí foi bem representada.

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E acho mesmo que futebol tem tudo a ver com viagens. O Avaí veio lá de Santa Catarina para defender seu brasão. O Corinthians, desta vez jogando em casa, já visitou o adversário em uma viagem de dois mil quilômetros. E durante o Campeonato Brasileiro descobrimos lugares novos, ou redescobrimos destinos que de outra forma, nem saberíamos que existem. 

É viajar pelo futebol saber que há estádios lindos em Belo Horizonte, o Mineirão e o Mineirinho; É viajar para descobrir que em Paranaguá tem um estádio enorme e muito bonito bem ao lado do rio que corta a cidade.

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Sábado frio, noite caindo, mas a torcida estava animada.

Sábado frio, noite caindo, mas a torcida estava animada.

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É por causa do futebol que o menino pobre do interior de São Paulo vai para o litoral ver o mar pela primeira vez para se tornar ídolo de uma nação. É o futebol e o amor pelo Corinthians que faz o desconhecido nordestino na praia de Copacabana querer tanto visitar a cidade de São Paulo

E durante a Copa do Mundo, teve quem viajou a Brasília só para ver um jogo no Estádio Mané Garrincha e voltar, sonhando com os dribles, os gols, a partida, os heróis de cada jogo.

E o futebol está por toda parte. Visitamos Porto Alegre e estávamos do lado do estádio do Grêmio. Fomos à Inglaterra e passamos em frente ao estádio do Liverpool e em Londres estávamos bem do lado do estádio do Arsenal.

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Escurece e acendem as luzes. E o campo tem suas cores ainda mais vivas.

Escurece e acendem as luzes. E o campo tem suas cores ainda mais vivas.

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Claro que há quem perca o bom senso, claro que tem os sujeitos de cabeça fraca que acham que quem torce para o outro time é o inimigo. Claro que em toda a torcida existem as maçãs podres que não sabem o que é comemorar com alegria. Estes indivíduos devem ser extirpados do convívio social. Mas sempre vi o futebol como algo muito bom. O trabalho inspirador que faz as crianças sonharem e se esforçarem. O esporte que tira as crianças da favela, o trabalho nas equipes técnicas gerando empregos, e as mil viagens que um jogador de futebol das primeiras divisões fazem e o quanto o Brasil seria beneficiado se tivéssemos as 8 divisões de times, como acontece no futebol inglês.

O futebol é uma forma de arte. O jogo começa, as pessoas chegam aos montes, as roupas, as camisas, os uniformes, as torcidas entrando nas arquibancadas com as cores, os mascotes e os brasões de cada time. O espetáculo começa e o clima é de cordialidade, de alegria, de euforia.

No estádio, apesar do barulho da arquibancada, a menina no colo do pai sorri e ao lado, a mãe, com o filho menor no colo, assiste o que consegue do jogo enquanto o caçula dorme entre gritos, vaias e urros de incentivo ao time. A paixão une e não incomoda quem descansa.

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A torcida tem gente de toda parte e de todas as idades.

A torcida tem gente de toda parte e de todas as idades.

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O jogo começa. O Avaí não quer atacar. Prende o campo para não ser alvejado. O Corinthians avança, quer os três pontos, precisa se manter na liderança. A torcida acompanha cada movimento. O incentivo aos jogadores, as reclamações contra a arbitragem. O dia cinzento do sábado vai cedendo espaço à noite fria, mas que fica quente pela agitação da torcida, que cobra o gol, e as luzes do estádio iluminam a noite que chega silenciosa. E toda a Arena Corinthians se ilumina e brilha, mostrando toda a sua vibrante modernidade. 

Fui pouco a estádios. Vi o jogo do Santo André, time da segunda divisão em São Paulo. Compromisso profissional na época. Para agradar o sogrão, fui ver o Vasco jogar, e vencer de 2×0 em pleno Maracanã, no Rio de Janeiro. E agora, inesperadamente, uma ida ao Estádio do Corinthians. E nova vitória. Só vi vitórias indo a estádios. Três times diferentes e estou quase me sentindo um pé-quente!

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Gritos iguais nos dribles, nos sustos, nas broncas ao juiz.

Gritos iguais nos dribles, nos sustos, nas broncas ao juiz.

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E o jogo segue, e as faltas acontecem, e os chutes a gol. E eu, na fileira “M”, achando que estava bem próximo ao campo e bem do lado da trave do Avaí, pedindo para ver um gol no primeiro tempo e ver a bola sacudindo as redes do adversário. Uma pena, o gol não viria no primeiro tempo.

Mas veio. Logo veio.

Intervalo. Mais uma boa hora de ver mais do estádio. Fazer um pouco de turismo e pensar no potencial desperdiçado de tantas lojas que poderiam gerar mais empregos e funcionar diariamente se pudéssemos aproveitar a estrutura para mais atrações. O Brasil não sabe aproveitar o potencial turístico que tem. 

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O esporte une as pessoas!

O esporte une as pessoas!

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Segundo tempo. Sorrateiramente, vou encontrar meu irmão que estava bem no meio do campo. Tudo muito organizado, as arquibancadas têm cadeiras numeradas, e o ingresso que peguei me deixou afastado dos outros amigos que estavam junto conosco. 

Agora estávamos juntos no meio do campo. E eu que pensei que estava perto, agora estou na fileira “E”. E UAU! Pensei que já estava perto antes, mas isso é melhor que telão 4K! 

E jogador que corre, e drible, e recuada, e bola invertida, e passe. E logo sai o gol. Gol! Goooooooooolllll!!! E toda a torcida grita junta, sem ensaio, sem combinar nada, apenas grita ao mesmo tempo, e pula, e a alegria toma conta do estádio! E os fogos, os pulos, o hino do time, e a torcida quer mais, aplaude os lances bonitos, cobra mais empenho, sofre com os erros e com o oponente atacando.

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Quem disse que mulher não gosta de futebol?

Quem disse que mulher não gosta de futebol?

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No fim do jogo, a alegria que toma conta da torcida da casa alegra a mais de 42 mil pessoas. São mulheres que pularam junto com amigos, amigas, namorados, maridos. Crianças que foram com as famílias, nada de problemas, nada de brigas, nenhum tumulto.

A torcida do Avaí, por recomendação da segurança, saiu um pouco antes. A torcida do Corinthians, pelo mesmo motivo, precisou aguardar um pouco antes de começar a sair.

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Famílias no estádio. Bonito de se ver!

Famílias no estádio. Bonito de se ver!

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O placar enxuto, mas o jogo bonito, bem disputado. E a alegria que ficou. E eu só pensando como deve ser bom viver de futebol e viajar pelo Brasil todo, e pelo mundo, fazendo um trabalho tão empolgante, que traz a tantos torcedores pelo mundo inteiro, uma quantidade enorme de emoções. 

E claro que, em final de partida, os agradecimentos são praxe. E preciso mesmo agradecer ao meu irmão pelo convite, ao time do Corinthians que fez bem o seu trabalho, ao time do Avaí, que veio de Santa Catarina, uma terra linda, para jogar com garra e vontade, e agradecer ao espetáculo da torcida, que une brancos e negros, idosos e jovens, homens e mulheres, famosos e desconhecidos, gente de toda a parte deste país, para, entre gritos e abraços empolgados provar que sim, podemos unir as pessoas em torno de um objetivo. Quanta coisa podemos aprender com o futebol!

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Eu canto por ti, Corinthians!

Eu canto por ti, Corinthians!

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Toda cidade brasileira tem seu próprio time de futebol. Toda cidade brasileira tem sua torcida. Todo time de futebol dá a seus torcedores muitas alegrias. E neste sábado, cinzento e frio, meu dia não poderia ter sido mais bonito.

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Aqui tem um bando de loucos!

Aqui tem um bando de loucos!

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Dicas de Viagem:

Para chegar ao Estádio do Corinthians – goo.gl/HuZvJm
Site do Corinthians – https://www.corinthians.com.br/home/

Para chegar ao Ressacada, estádio do Avaí – goo.gl/bgeVad
Site do Avaí – http://www.avai.com.br/novo/

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