Selfies Cruéis com Animais da Amazônia

Amazônia: animais silvestres icônicos sofrem com a moda das selfies. Novo relatório divulgado pela Proteção Animal Mundial revela a cruel exploração de animais silvestres utilizados como adereços fotográficos para selfies de turistas em toda a América Latina.

.

.

O vício dos seres humanos pelas chamadas “fotos selfies” acabou impactando diretamente na vida dos animais silvestres: o uso desenfreado das mídias sociais tem provocado o aumento no sofrimento e na exploração de alguns dos animais da Amazônia mais icônicos do mundo, é o que diz o relatório “Foco na Crueldade: o impacto prejudicial das selfies com vida silvestre na Amazônia”, lançado pela ONG Proteção Animal Mundial (World Animal Protection). De 2014 até os dias atuais, o Instagram recebeu 292% a mais de fotos no formato selfie com a vida silvestre, e cerca de um quarto dessas fotos são as consideradas selfies “cruéis” que mostram pessoas abraçando ou interagindo inadequadamente com um animal silvestre.

.

.

Na tentativa de reverter esse cenário, a ONG promove a campanha mundial Silvestres. Não entretenimento” para acabar com a retirada forçada do ambiente natural e a crueldade aplicada à animais usados em atrações turísticas como passeios e shows. A Proteção Animal Mundial direciona o turismo para experiências positivas com a vida silvestre em que os visitantes possam observar os animais no seu hábitat natural, como reservas ou santuários. Essa campanha dá voz a mais de 550 mil bichos que atualmente vivem em cativeiro e são abusados ​​em nome desse suposto entretenimento turístico.

.

.

A ONG também atua junto aos Governos para que que eles passem a garantir que empresas de viagens e os indivíduos que exploram animais selvagens para o turismo na Amazônia respeitem as leis já existentes. Além disso, a organização acaba de lançar o Código da Selfie que instrui turistas a tirarem fotos com responsabilidade sem alimentar a indústria cruel do entretenimento com esses animais. Steve McIvor, CEO da Proteção Animal Mundial, comenta que “a mania das selfies com animais silvestres é um fenômeno mundial alimentado por turistas que, muitas vezes desconhecem as condições abomináveis ​​e os tratamentos terríveis aos quais os animais silvestres são sujeitados para fornecerem uma foto de lembrança especial”.

.

.

Na Amazônia, em cidades de entrada como Manaus (Brasil) e Puerto Alegria (Peru) os pesquisadores desvendaram que muitos animais são extraídos da natureza, em sua grande maioria ilegalmente, para serem utilizados irresponsavelmente como atrações turísticas que exploram e prejudicam a vida silvestre com a finalidade de entreter os turistas e oferecer oportunidades de fotos com esses bichos.

.

.

Durante o levantamento da pesquisa, os investigadores descobriram evidências de maus tratos em diversas situações:

  • Bichos-preguiça capturados da natureza amarrados às árvores com cordas;
  • Pássaros, como os tucanos, com abscessos graves nas patas;
  • Sucuris verdes com sinais de desidratação e feridas;
  • Jacarés presos ou imobilizados com elásticos de borracha em torno da mandíbula;
  • Uma jaguatirica mantida em uma pequena e árida gaiola;
  • Um peixe-boi preso em um pequeno tanque no pátio de um hotel local;
  • Um tamanduá gigante maltratado e espancado por seu dono.

.

.

Roberto Vieto, gerente de Vida Silvestre para a América Latina explica que “a utilização de animais silvestres para fins comerciais é ilegal em Manaus. No entanto, apesar das leis e sua aplicação ativa, outras ações complementares, como a redução da demanda turística, são necessárias para acabar com esse tipo de turismo silvestre prejudicial”. Usando como exemplo a preguiça, esses animais são usados como atração para fotos tipo selfie, causando um extremo impacto negativo em seu bem-estar por conta dessa indústria de turismo com a vida silvestre. Dada a sua biologia e comportamento, as preguiças são particularmente vulneráveis a esse tipo de interação humana e, provavelmente não sobrevivem até seis meses nesse ambiente hostil.

.

.

Steve ainda esclarece que, tanto em frente quanto por trás das câmeras, “os animais silvestres estão sendo tirados de suas mães enquanto filhotes e secretamente mantidos em condições imundas, ou atraídos com comida continuamente, causando graves traumas psicológicos”. A mensagem é endossada pelo Conselheiro Global de Vida Silvestre, Dr. Neil D’Cruze da Proteção Animal Mundial, “é extremamente angustiante ver os animais serem roubados da natureza e usados ​​como adereços para fotos para serem publicadas em mídias sociais. A realidade é que esses animais infelizes estão sofrendo terrivelmente o tempo todo enquanto longe do seu habitat natural”.

.

.

O Dr. Neil comenta números alarmantes sobre os animais em condições adversas. “Na revisão dos dados da pesquisa, fazendo um recorte sobre a América Latina, região com uma das vidas silvestres mais emblemáticas, descobrimos que mais de 20% das espécies envolvidas nessas atrações estão ameaçadas pela extinção e, mais de 60% estão protegidas pelo direito internacional. Além de um problema de bem-estar animal, trata-se de um problema de conservação”.

.

.

Muito provavelmente, as pessoas vão passar a compreender a situação e começarão a postar as “selfies responsáveis” a partir do momento que forem educadas sobre abuso de animais ou expostas à crueldade dos bastidores dessas atrações. Para aumentar a proteção desses animais e mantê-los na natureza, a ONG Proteção Animal Mundial convida a todos a assinar o Código da Selfie https://www.worldanimalprotection.org.br/selfie.

..

.

Informação de estudo de caso

Manaus, Brasil: Manaus é a capital do Amazonas, o maior estado do Brasil, com uma massa terrestre de 1,6 milhão de quilômetros quadrados.
77% da floresta tropical do estado permanece intacta.
10% da biodiversidade do planeta pode ser encontrada na região amazônica.
É o lar de mais de 18 mil espécies de plantas, mais de 400 espécies de mamíferos e mais de 200 espécies de répteis, muitas das quais são encontradas apenas na região.
O turismo representa cerca de 1% do PIB da Amazônia brasileira.
O contato direto com animais silvestres para oportunidades de fotos foi oferecido em 94% das excursões, em seis locais diferentes.
Os guias turísticos oficiais encorajaram ativamente esse tipo de atividade durante 77% das excursões.

.

.

Puerto Alegria, Peru: Um total de 40 animais foram identificados, representando 24 espécies diferentes (7 pássaros, 12 mamíferos e 5 répteis).

Cinco dessas espécies estão classificadas como “ameaçadas” pela IUCN e 75% aparecem na lista de CITES.

.

.

Informações extras

Em toda a América Latina, um 61% das espécies identificadas são classificadas como necessitando de proteção jurídica internacional segundo a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). E 21% delas são classificadas como “ameaçadas” de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

.

.

.

.

 

Anúncios