Força, Chape!

Uma singela homenagem ao time da Chapecoense, que fez história por vencer desafios. Fica a saudade e o desejo de ver o Brasil se unir de novo, para também crescer e superar os obstáculos.

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Não queria escrever este texto. Nunca quis escrever este texto. Um ano atrás, eu já não queria escrever este texto. Ontem eu não queria escrever este texto. Mas este é um daqueles gritos que a gente guarda no peito e fica esperando a hora de botar pra fora. Não o grito de dor ou de tristeza, não o grito quem vem com a saudade, mas o grito que toda a torcida da Chapecoense queria gritar ano passado e não pôde.

Aquele grito alegre, vivo, cheio de realizações e esperanças em dias melhores.

A equipe da Chapecoense era o time da vitória em 2016. Era o time que dias atrás estava na série C do campeonato. Era o time que subiu mais que qualquer outro, era o time que começou sem franzino, pequenininho, e de repente já estava disputando um campeonato internacional.

Nas nossas divisões de temas por assunto, o que houve com a Chapecoense cabe em viagens, para dizer ao viajante que não tenha medo de viajar de avião. São raros os acidentes e isso não deve acontecer com você. Confie, viva, viaje. Não deixe esta tragédia te abalar.

Também cabe falar da Chapecoense em nosso ombudsman, porque apesar do que os meios de comunicação disseram, aquela tragédia poderia ter sido evitada, não foi acidente. Foi canalhice de um piloto mau-caráter, que para ter mais lucro, abriu uma companhia low cost e voava com menos combustível do que era exigido pela lei da aviação. Um monstro que brincava com a vida de seus passageiros. 

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Companhias aéreas de baixo custo ainda são proibidas no Brasil e essa tragédia, espero, jamais se repetirá. Ao menos disso nossa lei parece nos proteger.

Cabe falar da Chapecoense em esporte, ou viajar por causa de eventos esportivos, afinal, a Chapecoense era o time do milagre. uniu o Brasil por ter subido tão rápido e crescido tanto como equipe, e desafiado todos os grandes. E ainda tem muito o que crescer, tenho certeza. Já em outubro de 2016, quem não nasceu Chapecoense já tinha o time como segunda equipe no coração. Podia ser alvi-verde, alvi-negro, rubro-negro, tricolor, o segundo time era Chapecoense.

Cabe falar da Chape em qualquer momento, mas hoje vou falar da minha opinião pessoal. 

Sempre que falo aqui, em A Bússola Quebrada, falo em plural, falo por mim, falo pela Karina, somos um dupla. Mas hoje, passada a data mais difícil, falo por desabafo e por querer justiça.

Estivemos em várias cidades do Sul do Brasil em nossas viagens, a Karina e eu, mas uma pena, não fomos a Chapecó. Quem me dera ter visto aquele pessoal jogar! 

No dia da tragédia, acho que para todo o Brasil, faltou chão, faltaram palavras, faltou ar.

A equipe que representava a esperança, a equipe que conquistou e uniu o país, a Chapecoense que mantinha vivos os sonhos de todo o brasileiro que acorda cedo, que vai trabalhar, que estuda até tarde e se esforça. O sonho de vencer, de reconhecimento, de ter o esforço recompensado.

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E segundos antes de ver tanto empenho dando retorno, tudo o que a gente viu foi uma decepção cruel mais do que todas as outras. O sonho desfeito, as luzes sumindo, o grito de campeão engolido pelo choro.

Deixei passar um ano para falar. Deixei passar do dia, deixei pra lá, tentei esquecer. Queria agradecer o povo colombiano por tanto apoio, queria a cabeça de algum responsável. Queria berrar de tristeza de ver tamanha injustiça acontecer.

A vida segue, a gente sabe. Quem está vivo tem que fazer a sua parte. A gente faz uma doação e acha que resolveu. Quem está longe até pode mudar de assunto, mas quem viveu o tragédia, não tem essa bênção de esquecer nem por um instante.

Se para mim, que estou longe, que não tenho parentes em Chapecó, que não conhecia ninguém do time, já é doído de lembrar, nem quero pensar nas pessoas, nas famílias, nos amigos, na torcida.

Este texto nem era para ser uma homenagem. Era para ser um desabafo de uma tristeza que estava presa aqui no peito já tinha um ano. Era um grito contra uma injustiça tão grande, mas tão grande, que não pode nem ser punida, nem ser compensada.

Este é um texto que a gente não quer escrever, mas que se escreve sozinho. E que precisa sair, aparecer, dizer que dói, dizer que a gente também sente. Dizer que a gente também tinha esperança de ver a Chapecoense, aquela equipe vencedora, aquele grupo que não se deixou abater, virar campeão da Copa Sulamericana, este texto quer dizer que mesmo quem não conhecia a Chapecoense direito estava torcendo para ver o pequeno, o batalhador, o operário, o funcionário o esforçado, virar campeão, crescer, fazer um feito para ser lembrado para sempre como uma coisa boa.

E vai ser!

A Chapecoense vai ser um símbolo! Deve ser um símbolo. O time uniu o Brasil como nunca nenhum outro time foi capaz de fazer. Aquelas pessoas mostraram para todo o país que podemos sim falar a mesma língua, trabalhar em conjunto, fazer um bom trabalho com nossos vizinhos da Colômbia, do Paraguai, do Chile, da Argentina, da Venezuela, e juntos, podemos sim, fazer um país melhor, um povo melhor, um mundo melhor.

A dor do outro é a nossa dor. O sofrimento do outro é o nosso sofrimento. Ver o amigo crescer nos enche de orgulho. Ver o amigo com problemas nos preocupa muito. Podemos ser solidários na dor. Podemos ser unidos nas dificuldades. 

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Um ano e um dia depois, se é possível tirar alguma coisa de bom de uma tragédia, só posso pedir, por mim, que o povo brasileiro se lembre sempre da Chapecoense, e veja uma equipe que acreditou na vitória, em dias melhores, em reconhecimento, e fez um excelente trabalho de equipe. Se posso desejar uma coisa, desejo muito, de todo o coração, que o povo brasileiro aprenda que é só essa união, essa capacidade de sentir a dor do outro, essa solidariedade, junto com a indignação, que poderão fazer este país um terra melhor.

Na Arena Condá agora tem um painel em tributo aos atletas, e a gente vai lembrar dos jornalistas também. Essa dor vai demorar para passar. Para as famílias, não vai passar nunca. Mas posso pedir que sirva de exemplo de união e solidariedade que o Brasil tanto precisa?

Força, Chape! Força, sempre! 
#PraSempreChape

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Dicas de Viagem:

Para saber mais sobre a Chapecoense, visite o site oficial da equipe. Você vai virar torcedor também! – https://chapecoense.com/pt/

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