Uma Canção para São Paulo

Falar de São Paulo sem pensar em tantas maravilhas é negar a grandeza de uma cidade que tem mais que prédios, tem almas, histórias pessoais e história de lutas e crescimento. Com todas as dificuldades, parabéns, São Paulo, pelos seus 464 anos!

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O Centro velho de São Paulo.

O Centro velho de São Paulo.

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Minha terra tem Palmeiras, 

Onde canta o sabiá, o anum branco, o melro, a calopsita, os pombos que gorjeiam, a pomba rola e até garças e flamingos.

Minha terra tem Palmeiras,  Corinthians, São Paulo, Lusa, Juventus, tem até muito estádio, que preciso vistar.

Em cismar sozinho à noite, é difícil alguém me sentir só. Tem vizinhos pra todo lado, tocando rock, funk e até forró.

Minha terra tem primores de país continental. Tem do sul e do norte, de país frio e tropical.

Minha terra tem muitas cores, tem branco, amarelo, negro, mulato, mouro, e toda a sorte de cor de couro.

Minha terra tem muitas flores, ipê amarelo, e ipé roxo, tem rosas e margaridas, avencas, lírios e cerejeiras do oriente.

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As cerejeiras são símbolo da comunidade japonesa em São Paulo.

As cerejeiras são símbolo da comunidade japonesa em São Paulo.

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Ao olhar nossa bandeira, lembro toda a nação brasileira. E lembro terras mais distantes, além do mar, que daqui não vejo. 

Mas vejo plumas reluzentes, roupas brilhantes, copos e cocos gelados, palmeiras de neon e letreiro incandescente.

Em minha terra vejo luzes, de um sol claro e escaldante como em nenhum verão há, e de luzes brilhantes à noite, em semáforos por todo lugar.

Minha terra tem primores, aves, animais e floresta tropical.

Dizem que tem febre amarela, que nos tira de nosso sonhar.

Mas minha terra tem problemas, e tristezas sem igual.

Tanta gente que aqui chega, a custa de muito andar, para quem sabe no futuro, ter um futuro de que se orgulhar.

E tantas terras vêm à minha terra, trazendo sonhos e esperanças, e todos se misturam, em músicas, folclore e danças.

Minha terra tem pessoas. Ricas, pobres e as demais.

Tem até comida típica, artes e recitais.

Minha terra tem quadros, cinema, teatros e exposições

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Biblioteca de São Paulo e Parque da Juventude.

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Tem até bibliotecas e parques onde antes só haviam prisões.

Minha terra está crescendo, quer espaço para se esticar,

Mas está presa pela Cantareira, por rios e outros rincões.

Se cresceu para todos os cantos, só lhe resta uma saída:

Minha terra cresce é para cima, numa vertiginosa subida.

E constrói altos edifícios, de nomes singulares:

Edifício Itália, Altino Arantes, Martinelli e Copan.

Cada um com sua história e gentes aos milhares.

Minha terra deu espaço a artes nunca antes vistas ou ouvidas em terras de cá dos mares.

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Lateral do edifício Martinelli. O "Bolo de Noiva". Apelido dado por Carlos Drummond de Andrade.

Lateral do edifício Martinelli. O “Bolo de Noiva”. Apelido dado por Carlos Drummond de Andrade.

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É uma terra de histórias, lutas, conquistas, índios, padres, medos, fantasmas e ônibus negreiros.

Cresceu desordenada para ser a filha mais alta. Abriga deuses de vários altares

Em suas igrejas e terreiros, com incensários ou candeeiros.

Minha terra tem transporte que bate asas como o sabiá, terrão para peladas e calçadas esburacadas.

Aqui temos problemas, tristezas e dificuldades. Se chove, há perigo. Minha terra não é perfeita.

E quem vive em terra só de prazeres? Há que vencer os desafios para fazer minha terra cada dia mais bem feita.

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Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo.

Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo.

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Minha terra imperfeita, odiada e muito amada, é um exílio para quem ama as matas e o canto dos bem-te-vis.

Minha terra perfeita, de calçada esburacada, tem circo, árvores e muitas ladeiras e escadas onde vive gente simples, gente boa e até gentes vis.

Minha terra é rica e tem tudo ao mesmo tempo. Há que amar e respeitar, é mãe, é madrasta, é dura, é cinzenta com verde. E cabe todas as cores.

É uma terra fértil. Em si plantando, dá prédio e até dinheiro. Dá sentimentos diferentes, depressão, ódio, e até fortes amores.

São Paulo é terra de famosos: Carlos Drummond de Andrade, Victor Brecheret, Anita Malfati, Lina Bo Bardi, um Calixto, chamado Benedito, que gostava da República.

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MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

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É cidade que dorme pouco, faz muito barulho, tem tudo o que é bom, e tudo o que não presta. É difícil, mas é a terra que tenho como minha. É minha, é de todos, é pública.

É uma terra de sotaques, de falas, de gritos do Ipiranga, de gritos de dor pelo MMDC, de monumentos, de Bandeiras, de estátuas e videiras.

Minha terra é de rios e lagos, e sempre, é uma terra de morros e ladeiras.

Minha terra é joia rara na coroa de pedras preciosas e ouro da Senador Queiróz.

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Obelisco do MMDC - Aos mártires da Revolução Constitucionalista de 1932.

Obelisco do MMDC – Aos mártires da Revolução Constitucionalista de 1932.

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É terra de mercados estrangeiros, na 25 de março ou no Mercado Municipal, com tâmara, maça argentina e noz.

Minha terra tem tanta história e tanta riqueza industrial que é maior que muita terra, mais rica que muita nação.

E se hoje São Paulo festeja mais um dia, é pedido e oração:

Deem a esta terra minha, um futuro de redenção.

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Licença poética pedindo emprestada a inspiração da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.

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