Congonhas: a Cidade dos Profetas

Com um conjunto de obras tombadas pela Unesco e transformadas em patrimônio cultural da humanidade, Congonhas é um dos principais roteiros históricos do Brasil. Nós visitamos Congonhas e se você quer mais dicas e fotos, é só seguir a gente!

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Vá a Congonhas do Campo e veja os 12 Profetas Menores.

Vá a Congonhas do Campo e veja os 12 Profetas Menores, trabalhos de Mestre Aleijadinho.

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O Barroco Mineiro é um fenômeno excepcional no qual uma arte grandiosa, teatral, alcançou seu apogeu em Congonhas, localizada a apenas 70 quilômetros da capital mineira. Famosa por integrar o circuito do ouro, a cidade é um lugar que desperta a curiosidade, especialmente por abrigar um dos mais belos conjuntos arquitetônicos do Brasil.

A cidade é considerada perfeita para o turismo e lazer porque reúne arte, história, culinária e beleza num só lugar. Os principais atrativos do município são a Basílica Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário, Museu de Congonhas, Museu da Imagem e Memória e o Parque da Cachoeira.

Para quem vai fazer uma visita mais detalhada, Congonhas integra o roteiro das cidades históricas de Minas Gerais, ou seja, está em todos os roteiros que mostram a história de Minas Gerais e da época do Brasil colônia. Tudo lá está preservado apenas esperando o turista.

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Igreja de Bom Jesus dos Matosinhos, obra e decoração com os 12 profetas menores de Mestre Aleijadinho.

Igreja de Bom Jesus dos Matosinhos, obra e decoração com os 12 profetas menores de Mestre Aleijadinho.

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Foi em Congonhas que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, esculpiu, em pedra sabão, as famosas imagens dos 12 profetas em tamanho real, visitadas anualmente por milhares de turistas de toda parte do mundo. As belas imagens ficam no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Além dos profetas, num percurso de apenas duzentos metros, no cedro dos Passos da Paixão, estão concentradas outras 66 imagens que também compõem o mais esplêndido conjunto de arte barroca do mundo. Entre elas contam-se, no mínimo, 40 peças consideradas obras-primas. 

Seis capelas que compõem o Jardim dos Passos, em frente à basílica, representam a via Sacra, com belíssimas imagens esculpidas em cedro também por Mestre Aleijadinho, grande artista barroco. Em 1985, todo este conjunto foi tombado pela Unesco e transformado em patrimônio cultural da humanidade.

O nome Congonhas vem do tipo de vegetação encontrada nos campos, uma planta que os índios chamavam Congõi, que, em tupi, significa “o que sustenta”, “o que alimenta”. Situada em um vale e rodeada de montanhas, a cidade alimenta a alma dos que desejam reviver uma época dourada. Pepitas de ouro do tamanho de batatas, fizeram a fama do lugar, na era do Ciclo de Ouro.

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As festas e tradições religiosas são uma atração à parte. Todos os anos, o município reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições. São aproximadamente 5 milhões de peregrinos que visitam Congonhas entre 7 e 14 de setembro, período em que é comemorado no município o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matozinhos. Outra atração de Congonhas do Campo são os hotéis fazenda, que oferecem várias opções de passeio e a famosa culinária típica.

Transição econômica

O município, que tem como maior fonte de renda a extração mineral – com destaque para a mina de Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Mina da Fábrica, da antiga Ferteco Mineração S/A, hoje incorporada à Vale, a Mina Viga, que atualmente pertence à Ferrous e à Gerdau Açominas – tem investido na transição de seu modelo econômico.

Segundo Sergio Rodrigo Reis, presidente diretor da Fundação Municipal de Cultura de Congonhas (FUMCULT), os investimentos têm sido guiados pelo conceito de economia circular, baseada no crescimento e desenvolvimento compatíveis com a sobrevivência do planeta. “Não pretendemos acabar com a mineração, mas, sim, criar novos caminhos para o estabelecimento de um modelo econômico sustentável, que agregue mais do que valor material. Nesse sentido, demos os primeiros passos ao investirmos em diversas ações voltadas para o desenvolvimento do Turismo, como a construção do Museu de Congonhas e diversas outras ações de revitalização de pontos turísticos na cidade”, afirma.

Museu de Congonhas

Construído para potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, sítio histórico que, desde 1985, detém o título de patrimônio mundial, o Museu de Congonhas abriga importantes acervos que tratam das manifestações da fé no passado e no presente, como a coleção Márcia de Moura Castro, formada por ex-votos e santos de devoção; a coleção de livros do Fábio França, que é referência no Brasil sobre o barroco, a arte e a fé; além das réplicas e cópias de segurança dos profetas de Aleijadinho.

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Museu de Congonhas

Museu de Congonhas.

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O espaço, inaugurado em 2015, fruto da parceria entre a Prefeitura de Congonhas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco no Brasil) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tem, ainda, forte atuação cultural. Em sua programação constam apresentações artísticas, como espetáculos musicais, de dança, teatrais.

Também se tornou um espaço para a produção de conhecimento, com a realização de conferências, seminários, oficinas e cursos diversos. Estudantes da região de Congonhas e de instituições de todo o país têm visitado o espaço diariamente para desenvolver projetos de extensão da sala de aula. Também se qualificou como um roteiro imperdível para os turistas que visitam Minas Gerais.

 Circuito Cultural dos Museus de Congonhas

O Circuito Cultural dos Museus de Congonhas abrange todo o eixo histórico de Congonhas, sendo ele a Romaria, o Museu de Congonhas, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, o Museu da Imagem e Memória, a Igreja de São José, a Estação Ferroviária, o Cine Teatro Leon, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

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Lançado em março deste ano, o circuito deu vida nova a museus, centros culturais e igrejas de Congonhas localizadas nesse percurso histórico de devoção e fé. Foram e serão promovidos na ladeira histórica da cidade – onde os equipamentos estão instalados -, shows, concertos, bate-papos, seminários, lançamentos de livros, CDs, oficinas, workshops, exposições, especiais de televisão e um amplo programa educativo.

Os eventos foram divididos em eixos programáticos que pretendem ampliar e fomentar as atividades da economia criativa de Congonhas, potencializar a agenda dos espaços culturais e estabelecer um amplo programa local de educação patrimonial. A proposta vai ao encontro de um momento histórico no município quando se celebra, em 2017, a origem das suas principais devoções religiosas: 260 anos da peregrinação a Bom Jesus de Matosinhos e 200 anos da fé a São José Operário.

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O diretor do Museu de Congonhas, Sergio Rodrigo Reis, destaca que o Circuito serve para potencializar o cenário cultural e artístico da cidade. “Já temos, naturalmente, um percurso de devoção e fé, recheado por turismo e cultura. Estamos utilizando esse percurso para ativar cultura, arte e entretenimento. Temos ideias semelhantes a essa sendo empregadas com muito sucesso em algumas partes do mundo, como nos Estados Unidos e na França. No Brasil, uma experiência como essa foi adotada na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte“, completa.

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