Para Ter – MAIS – Orgulho de Nossas Mulheres

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Dia de lembrar que temos problemas. De lembrar que precisamos ainda de muito trabalho para criar um mundo melhor para todos e mais seguro para as mulheres. O dia 8 de março não é para dar parabéns, nem para gritar vivas. Flores serão bem-vindas, mas atitudes vão valer mais.

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Para ajudar um pouco, hoje damos um tempo nas viagens para falar de mulheres brasileiras de todas as épocas e de todas as partes do Brasil. Modelos e ícones são essenciais para criar o sentimento de orgulho e nós brasileiros precisamos. E além do orgulho pátrio, orgulho de ser a mulher que precisa de condições iguais, respeito e esperança. Os desafios, elas já têm.

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Anita Garibaldi

Nascida em Santa Catarina, foi uma mulher habituada a batalhas. Mãe de 5 filhos, chamada de “heroína de dois mundos”, casou com o revolucionário Giuseppe Garibaldi e lutou na revolução Farroupilha, no Sul do Brasil. Também lutou na Itália contra a invasão do Exército austro-húngaro. No Brasil, sua luta foi pela independência dos Pampas. E na Itália, pela unificação do país.

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Carmen Miranda – A portuguesa de alma brasileira

Entre suas alcunhas, estaca a de “pequena notável. Nascida em Portugal e falecida nos Estados Unidos, soube incorporar o tom tropical da alma brasileira cantando alguns dos maiores sucessos da música nacional. Hoje clássicos eternizados para o mundo todo ouvir e admirar.

Entre suas conquistas, foi, em sua época, a mulher mais bem paga dos Estados Unidos.

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Chiquinha Gonzaga

Compôs mais de duas mil músicas sozinha. E numa época em que ter o próprio dinheiro e uma carreira eram raros para as mulheres, Chiquinha Gonzaga foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Era abolicionista, criou dois filhos sozinha e era contra a monarquia. A data de seu nascimento, 17 de outubro, é hoje o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, em homenagem a ela.

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Dandara

Se já é difícil ser mulher e negra, o que seria nos tempos em que a escravidão era lei e estava de acordo com a moral?

Lutadora de artes marciais como capoeira e hábil com armas de combate, foi esposa de Zumbi e uma das fundadoras de Palmares. Foi lá que se suicidou para não voltar a ser escrava, quando o quilombo foi derrubado pelas tropas escravocratas. Preferindo a morte do que ser novamente escravizada.

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Elza Soares

Hoje ela é considerada uma das maiores lendas da MPB e ainda está na ativa. Não parece haver descanso para a mulher que começou a carreira aos 12 anos, por acreditar em um sonho. Mãe aos 13 anos, viúva aos 21, julgada e condenada por uma sociedade que a recriminava por seu romance com Garrincha. As acusações ficaram para trás, os acusadores morreram e foram esquecidos. A estrela de Elza Soares ainda brilha.

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Elza Soares foi homenageada no Aniversário de São Paulo na voz e na batida das mulheres do Ilú Obá de Min.

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Tinha que ser ‘Maria’

Maria deve ser o nome mais representativo do que é ser mulher. A vida dura de muitas marias, as tristezas e dificuldades, a associação à pobreza e o quase adjetivo, especialmente para julgar alguém. Maria continua de pé, acorda cedo, batalha o dia e a noite para ver um futuro melhor, ou apenas para viver mais um dia. Maria nunca para, não desiste, não se entrega. 

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Maria da Penha

Farmacêutica por formação, nascida em Fortaleza, Ceará, hoje coordena uma ONG para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica. Seu nome se tornou histórico após ser seguidas vezes agredida pelo marido, escapar de duas tentativas de assassinato, ficar paraplégica pelas agressões e processar o marido e Estado Brasileiro por ser omisso com mulheres que sofrem violência conjugal. 

A Lei Maria da Penha existe desde 2006 e é, ainda hoje, uma das poucas salvaguardas para as mulheres contra maridos abusadores.

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Maria Lenk

Los Angeles, 1936. Os jogos olímpicos pela primeira vez tiveram uma mulher sul-americana numa competição. A este feito de Maria Lenk, somam-se o estabelecimento do recorde mundial na natação e única nadadora no International Swimming Hall of Fame, na Flórida.

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Maria Quitéria

Lembro de ter lido sobre ela ainda na infância.
Vestida como homem, alistou-se nas forças armadas brasileiras para defender o Brasil na ocasião da independência, contra tropas portuguesas. Desmascarada pelo pai, que era contra sua participação na guerra, foi defendida por seu comandante.

Ao final dos combates, Maria Quitéria de Jesus, que se apresentava como ‘soldado Medeiros’, foi recebida de volta em sua casa e perdoada pelo pai, com a intervenção do próprio Imperador Dom Pedro I.

Por seus feitos, é também conhecida como a Joana D’Arc brasileira.

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Marta

Por 5 anos seguidos eleita como a melhor jogadora de futebol do mundo, é a maior artilheira da seleção de futebol brasileira. Sim, da feminina E da masculina! Ninguém fez mais gols que a Marta. 

Marta Vieira da Silva, de Dois Riachos, Alagoas, é a inspiração para todas as meninas que querem seguir uma carreira esportiva. E motivação para todas as mulheres de origem humilde.

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Tarsila do Amaral

Uma de minhas favoritas, a arte de Tarsila do Amaral já apareceu em várias ocasiões aqui em A Bússola Quebrada

O ‘Abaporu’, ou ‘O home que come’ é a mais cara pintura brasileira. Seu valor passa os dois milhões e meio de dólares. Um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, estava presente à Semana de Arte Moderna de 1922. Entre suas obras, Tarsila também retratou as grandes metrópoles brasileiras e europeias, temas modernos e a Rússia pós revolução.

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Zuzu Angel

Assassinada pela crueldade e covardia da ditadura militar brasileira, Zuzu Angel era estilista e empreendedora. Usou as passarelas para fazer protestos políticos contra as torturas sofridas pelo filho, Stuart Angel Jones, que lutava contra a ditadura e foi considerado terrorista e assassinado. Seu maior pedido era de encontrar o corpo do filho para poder enterrá-lo. 

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Tornou-se um problema para os ditadores por chamar a atenção da imprensa internacional. A causa de sua morte foi atribuída oficialmente como sendo causada por um acidente de carro. 

Uma boa aula de história para os que defendem a volta da ditadura.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre Zuzu Angel, pode ver o filme de 2014. Recomendado!

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