Só até sábado! Basquiat no CCBB-SP

Em exibição desde janeiro deste ano, a exposição de Basquiat está nos últimos dias no CCBB de São Paulo. Ou você correr ou vai ficar sem saber o que é que tem para ver. Mas só para te dar um gostinho do que está perdendo, separamos algumas imagens de nossa visita. Corre que ainda dá tempo!

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Como será ser negro no ano em que Martin Luther King Jr. é assassinado a tiros? Como será viver uma época em que a lei ainda discrimina pessoas pela cor da pele? Como será ser um dos poucos negros, ou afro-descendentes, como prefira, vivendo na vanguarda artística numa época em que a Ku Klux Klan ainda queima cruzes com homens vivos amarrados a elas?

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A época de Jean Michel Basquiat era um momento conturbado da história. A guerra do Vietnã, a crise do petróleo, o fim do sonho americano, os hippies, Beatles e Rolling Stones, explosão demográfica, a mistura entre o grande sonho e as promessas da política e da nova tecnologia misturadas à decadência e a um momento de rebeldia e contracultura.

Em seu curto período de vida, Basquiat viveu a efervescência cultural, política, religiosa e econômica em intensidade e escala até então jamais vistas.

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Filho de pai haitiano com mãe descendente porto-riquenha, negro e sem grandes perspectivas, o jovem Basquiat acabou por ser apadrinhado pelo mais famoso artista da Pop Art, Andy Warhol.

O sucesso, no entanto, não foi amigo próximo do jovem. Apesar de ter seus momentos de glória e ter vivido um vida confortável por algum tempo, o talento e a promessa de um artista de grande escalão acabaram em 1988, quando Basquiat, aos 27 anos, morreu de overdose.

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O número 27 já é macabro entre a classe artística. Nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, e mais recentemente, Amy Winehouse, deixaram de ser mitos para se tornarem lendas ao lado de Basquiat. A causa da morte era sempre a mesma. E sempre a mesma idade.

O negro que foi desprezado pela grande imprensa branca, e devidamente achincalhado nas críticas mais conservadoras provou seu peso e mais de 30 anos após sua morte, sua arte é vista como atual, contemporânea. Gerações se identificam com a arte de Basquiat.

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Nascido nos subúrbios de uma Nova Iorque que ainda tentava se manter coesa, mas que passava por turbulentas mudanças, aprendendo com o grafite urbano, a arte de Basquiat era marginal. Era inferior. Era desqualificada pelos mesmos medalhões que queriam ditar o mundo e os costumes de acordo com seu conforto. O jovem negro Basquiat foi um duro golpe numa sociedade que não sabia o que fazer com os novos tempos.

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A verdadeira fama talvez tenha chegado tarde demais para Basquiat. Os museus jamais exibiram seus quadros enquanto estava vivo. As vendas que conseguiu em vida foram para amigos próximos ou compradores alternativos indicados dentro de rodas muito seletas de pessoas ligadas à arte. O vulto financeiro de uma de suas obras no entanto, ultrapassou o valor de 100 milhões de dólares em 2017. O que torna Basquiat um dos mais caros artistas estadunidenses.

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Considerado um neo-expressionista, é bem difícil ver Basquiat em museus. Quando começou a despontar, havia críticos que não aprovavam a forma de arte apresentada ao mundo por um artista negro, desconhecido e pobre dos guetos de Nova Iorque. Os museus não costumavam comprar nada de artistas desconhecidos e tão jovens. E os colecionadores que se aventuraram, hoje dão risadas altas.

Caso do colecionador e magnata israelense Jose Mugrabi, dono da coleção que está sendo exibida até sábado no CCBB-SP e que depois vai itinerar pelo Brasil. As negociações não devem ter sido fáceis. E o conteúdo desta exposição foi graças à lei Rouanet. Claro que os mais conservadores dirão que essa rabisqueira não é arte e que a lei Rouanet só serve para dar dinheiro a … vamos evitar repetir o mi mi mi dos idosos de pouca cultura. O fato é que visitar a exposição de Basquiat pode nos fazer pensar um pouco. 

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Acontece que a arte é um jeito pessoal de ver o mundo. E a demência da época de Basquiat está encontrando eco em nossa época. Impossível afirmar o que se passa em todo o Brasil, mas em São Paulo, um prefeito tolo resolveu que o mais importante é taxar toda arte como pichação, apagar grafites nos muros da cidade e achar que fez algum bem à população. 

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No Rio de Janeiro, negros são assassinados aos montes e agora estamos somando outras etnias a estes números já alarmantes. 

Crime, abandono, drogas, decadência do Estado enquanto os homens da política parecem viver dias de gastos infinitos e muitas festas com o dinheiro público. A mistura da desconfiança com as promessas de um país do futuro, a retomada do poder pelo povo, as participações populares e o ambiente explosivo que posso ver da minha janela combinam com o momento em que Basquiat chega ao país.

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Com tantos motivos para ver Basquiat, você ainda pode aproveitar, chegar cedo ao Centro de São Paulo e também visitar outras atrações da região. Como o Colégio Anchieta, a Catedral da Sé, o Edifício Altino Arantes, que agora também abre aos sábados, o elevado João Goulart, agora livre para pedestres aos sábados e domingos, o Edifício Martinelli e mais outros tantos locais cheios de arte, história e vida no Centrão. 

Programe-se e não perca esta exposição!

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Dicas de Viagem:

Para saber mais sobre a Mostra de Basquiat no CCBB-SP veja aqui – http://culturabancodobrasil.com.br/portal/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi/

Leia mais informações e programe-se – http://culturabancodobrasil.com.br/programacao/exposicoes/jean-michel-basquiat-obras-da-colecao-mugrabi

CCBB-SP – Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
CEP: 01012-000
São Paulo (SP)
(11) 3113-3651
ccbbsp@bb.com.br
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21 horas

E para saber mais sobre Basquiat – https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Michel_Basquiat

Agradecimentos: http://agenciagalo.com

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