Ex África no CCBB-SP

Corra porque está acabando! A exposição Ex África está no fim e você precisa ver! Arte, música, cores, esperança. São 8 países participantes da mostra, que começou em 28/04 e vai até 16/07. Tem que correr!

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Depois de muitos e muitos finais de semana dentro do escritório, cheio de trabalho ou tarefas comendo os dias de folga, finalmente um dia de descanso! E foi no feriado de 9 de julho em São Paulo que pude finalmente visitar o CCBB-SP para ver a exposição Ex África. Que está cheia de informações, arte, fotografia, cultura, contexto histórico e o ponto de vista de povos africanos sobre o que se tornou o mundo atual. Boa hora para testar a empatia.

Ex África e sua importância.

Temas como racismo, xenofobia, escravidão, mitos de descobrimento, tudo isso pode ser revisto e tem outra análise se pensarmos do ponto de vista do povo que não pôde contar sua própria história. Estes são apenas alguns dos motivos que justificam criar um trabalho tão bem feito sobre a cultura que nasceu e se desenvolveu na África, em 8 países, com suas diferenças de arte, cultura, escrita, dialetos, história.

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Apenas falar em cultura e história parece algo distante do nosso dia a dia, é como ir à escola. Mas logo na primeira sala da Mostra Ex África, o visitante se depara com uma sala escura que tem videoclipes dos vários países participantes da mostra. Música pop pan africana, atual, cheia de informações sobre costumes, situações diárias. As letras são uma mistura do que é o caldeirão de diferentes povos e tribos vivendo em espaços reduzidos, que podem ser cidades tão comuns quanto as maiores metrópoles das Américas, em que parece que tudo está bem e nada falta, ou regiões mais afastadas dos oásis de prosperidade e boa convivência.

Saber o que é antigo e o que é atual. Ver de perto o que não vemos na TV, perceber melhor o que se passa em terras distantes e tentar entender os motivos de porque uma raça, e não um inimigo vencido em batalha foram escravizados por mais de 2 séculos.

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Essa é uma das maiores dificuldades de entender o ciclo de escravidão que aconteceu após os grandes descobrimentos. A África já existia. Já se sabia que havia o continente. Os povos da Europa e da África já haviam feito comércio por séculos, viagens de um continente para outro eram comuns. Barcos e frotas tinham tráfego livre de um continente para outro via Mediterrâneo. Mas, subitamente, existia um novo continente, e os povos negros abaixo do Saara já não eram povos autônomos ou culturas distantes e ancestrais, algumas, muito mais velhas que as nações europeias, mas eram matéria-prima abundante ou mão de obra gratuita, precisando apenas que aventureiros fossem até as distantes e conhecidas terras fazer acordos comerciais para trazer essa mão de obra que foi desumanizada.

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A Escravidão Acabou?

Um dos pontos mais importantes da mostra Ex África é entender melhor o que foi a desumanização não de uma nação apenas, mas de uma raça. O uso da força, as abduções, o tráfico de pessoas, a violência extrema e gratuita. Os povos de África foram dizimados, destituídos de sua cultura, suas religiões foram demonizadas e o que deveria ser o berço da humanidade, da escrita e o maior centro de biodiversidade do planeta foi reduzido a algo como uma selva, cheia de nativos incultos e pagãos.

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Os efeitos ainda são sentidos e discutidos atualmente. Mas a exposição Ex África não fala apenas sobre os crimes do passado. Fala também de uma África invisível, que cresce, prospera, cria. Fotografia que retrata a apropriação da cultura, que faz pensar. Que critica ao mesmo tempo em que explica uma situação insustentável de eugenia, de querer fazer parecer que o povo da África negra não produz, não cria, não movimenta a cultura e a economia. 

Essa negação da África permanece até hoje. Casos do jogador de futebol que é chamado de belga quando joga bem, mas que se torna “descendente de africanos”, “congolês naturalizado” ou “imigrante”, quando disputa uma partida com menos brilhantismo. O acerto é europeu. O erro é africano.

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Livros, literatura, faculdades, artes. Tudo isso existe em Ex África. Mas quem já viu isso aqui no Brasil? Quem sabe disso nas Américas? Essa arte e cultura parecem não chegar a nós. As fronteiras políticas que separam tribos parecem cercar com altos muros de exclusão tudo aquilo de bom que é feito na África e só sabemos que existem leões, elefantes, tigres, Tarzan, nativos nus e atentados terroristas em um continente atrasado que ainda acredita em religiões bárbaras.

Nossa visão de mundo passa por um pesado crivo de autoridades que nos dizem em quê devemos acreditar quando o tema é a África.

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Parece que nem todo mundo entendeu o propósito da exposição Ex África.

Parece que nem todo mundo entendeu o propósito da exposição Ex África.

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Eu vi Beleza

A arte está em tudo na mostra Ex África. Capas de revista, com cores e desenhos, propaganda cheia de orgulho, arte em danças e comidas típicas, arranjos nos cabelos que creio, devem demorar horas para serem feitos e quem sabe, durar apenas uma noite, para um evento especial, uma ocasião festiva. 

Para muitos, pode parecer banal, mas a forma, o esmero, o cuidado, a criatividade e a técnica desenvolvida para fazer com que os cabelos de mulheres africanas tomem proporções de verdadeira escultura, só pode ser algo classificado como arte. Transcende a utilidade, muitas vezes estéril, para superar expectativas e ir além do óbvio. 

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Recentemente vimos a exposição dedicada da Basquiat no CCBB-SP. Um artista negro, de origens familiares que remontam ao Haiti, no Caribe. Mas a população do Caribe recebeu povos de toda a África Negra. O ponto de vista de Basquiat era bem diferente de seus contemporâneos. Sua arte era agressiva e incomum. Um pouco disso é fácil de notar no pouco que foi possível ver da cultura dos países presentes em Ex África. Outras cores, outro ponto de vista, imagens diferentes. Uma visão de mundo que não se confunde com a visão ocidental, nem com a oriental, e nem mesmo com as culturas médio-orientais tão próximas.

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O chocante, o inesperado, o novo, o ponto de vista de um estranho para nós. Ao mesmo tempo, o orgulho de ser quem é, presente na crítica e no convite à reflexão.

Seja rápido(a). Visite Ex África antes que a exposição acabe e aproveite para treinar sua empatia e ver o mundo com os olhos de um negro ou negra, nascidos e vividos no continente africano. A experiência vai enriquecer você e fazer pensar.

Clique nas Imagens para Ampliar:
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Uma Curiosa Coincidência

Você acredita em coincidências? Saindo do CCBB-SP, fui passear um pouco pelo Centro Velho de São Paulo. Quem sabe o que a tarde de inverno poderia ainda me dar em fotos? E vi pessoas felizes, aproveitando o feriado, outras, saindo do trabalho, afinal, São Paulo nunca para.

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Ouvi música em lugares que nem sabia que havia casas de show. Vi o sol descrevendo formas nas sombras e um Centro Velho sendo redesenhado aos poucos com um esforço de revitalização. E após ver tanto sobre a África, fui surpreendido por uma estátua de Zumbi dos Palmares, recente, nova. Não estava lá da última vez em que fui à Praça Antonio Prado.

Entre o coreto e as bancas de jornal e de engraxates, entre as mesinhas de botequim, a tarde de segunda-feira me presenteou com esta imagem:

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Dicas de Viagem:

Veja aqui no mapa onde encontrar a estátua de Zumbi – goo.gl/M5xBr2
A Praça Antonio Prado fica ao lado do Edifício Martinelli e próxima à estação São Bento do Metrô.

Veja aqui o site o CCBB-SP e saiba mais sobre a exposição Ex África – http://culturabancodobrasil.com.br/portal/ex-africa-4/

A entrada no CCBB-SP é grátis. Mas é bom reservar ingresso visitando o site ou com antecedência de uma hora.

Você chega fácil ao CCBB-SP de Metrô. As estações Sé e São Bento são as mais próximas.

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