Festival de Inverno de Paranapiacaba

Trens assombrados, histórias assustadoras, cemitério fantasmagórico, estrada para pedalar muito, museus e história da ferrovia. A vila de Paranapiacaba é toda em estilo inglês e perfeita para agradar os visitantes da Grande São Paulo. E se você correr, ainda pega nevoeiro no Festival de Inverno de Paranapiacaba.

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A ponte está coberta de nevoeiro. Poucos metros, mas você não enxerga do outro lado. Para trás, acaba de ficar o cemitério e a igreja que pode assustar os corações menos determinados. Em dias de inverno, o clima lembra um filme de terror. E não são poucas as histórias do local que envolvem fantasmas, bruxas, e até avistamentos de OVNIs, os populares discos voadores.

A vila de Paranapiacaba está bem no começo da serra do mar, no caminho para Cubatão e sua arquitetura e histórias atraem pessoas de todos os tipos e localidades ao redor, da Grande São Paulo, do ABC e até de mais adiante, como o interior e o litoral paulistas.

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A vila inglesa de Paranapiacaba

Nós já estivemos na vila de Paranapiacaba. Toda feita em estilo inglês, mas mudando aos poucos, seja pela infraestrutura que chega e melhora as condições de vida dos moradores, seja pelo forte apelo turístico que o local tem. Os moradores, ansiosos por ganhar mais dinheiro, reclamam que não se pode fazer alterações na vila e aumentar o tamanho das casas. Mas é exatamente este o charme da vila. Manter sua aparência original, vista principalmente na parte baixa de Paranapiacaba.

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O lado alto está ao fim da estrada. O visitante que chega de ônibus, van ou de carro particular, vai ver o estacionamento para turistas, o cemitério, a igreja, fundada em 1889 e as casas de estilos variados, umas de alvenaria, outras de madeira. Ao descer as ladeiras da vila, o visitante vai descobrir a via férrea, que antes foi a Santos-Jundiaí e a vila preservada de Paranapiacaba, com suas casas de madeira, em estilo inglês, pintadas de vermelho. Obra da São Paulo Railway, a estrada de ferro que ligava o litoral de São Paulo e o porto de Santos ao interior do estado, às fazendas e aos produtores de café.

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As histórias são muitas. Seja os fatos trágicos de tragédias na via férrea, seja pessoas que entraram na serra e se perderam. Há ainda os fatos curiosos, as lendas locais de assombrações e discos voadores, nunca efetivamente filmados. Há as trilhas perigosas e as cachoeiras no meio da serra. Toda essa mística faz da vila de Paranapiacaba ponto de encontro obrigatório para adolescentes curiosos e jovens de todas as idades que gostam de um bom passeio.

Recentemente, estivemos em uma convenção de bruxas em Paranapiacaba. E o povo vai vestido de acordo com o evento.

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Festivais de Cosplayers também são bem comuns e têm data para acontecer. Você pode acompanhar e nossas Dicas de Viagem, as páginas oficiais do calendário de eventos de Paranapiacaba.

Nesta ida, fomos saber mais sobre o festival de inverno. E levar um bom grupo para conhecer a vila ou redescobrir, dependendo do caso. Já estivemos em Paranapiacaba no carnaval. Ironicamente, o clima estava úmido e cheio de neblina. As fotos ficaram ótimas. E desta vez, para o Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece em tempo frio e seco, o sol resolveu aparecer e brilhar intensamente. Claro que ninguém se decepcionou e as fotos ficaram ótimas também. A vila é mesmo bonita até em dia de chuva.

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Nosso passeio foi de trem. Com a companhia da Hirlei Gonçalves, da Mix Aventuras e mais um seleto grupo de felizes aventureiros. Crianças, adultos, pessoal mais maduro, todos se divertiram tomando sorvete de cambuci ou experimentando a cachaça e o licor da fruta. Em Paranapiacaba tem atrativo para todos os gostos.

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Festival de Inverno de Paranapiacaba

Nessa época do ano, a vila tem a presença de músicos, artistas, cantores e cantoras, dançarinas, gente de todas as artes, para o Festival de Inverno. E pudemos ver um pouco da agitação do evento, que começa durante o dia e se estende noite a dentro. A festa começou este ano no dia 21 de julho. E à medida que o clima foi virando, o sol deu lugar ao nevoeiro, que dá à cidade um clima sombrio, misterioso e até assustador. Os visitantes adoram!

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Mas se você só ficou sabendo agora, não se preocupe. O Festival de Inverno de Paranapiacaba continua no próximo final de semana, 28 e 29 de julho, com mais som do bom, rock, MPB, e muitos estilos musicais. E tem festa por lá.

Aliás, um passeio bom é conhecer o museu da Ferrovia, descendo pela ponte, até a casa de máquinas, bem no pé da serra, e ver as antigas instalações de mecânica e manutenção de locomotivas e vagões, as ferramentas, e um pouco mais da arquitetura importada pela empresa inglesa que construiu a vila, a linha de trem e todo o complexo operário da vila de Paranapiacaba.

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O que parece absurdo hoje, de uma empresa se preocupar com acomodações para funcionários, aconteceu em muitos locais do Brasil. E mesmo em São Paulo, foram muitas as vilas operárias construídas por fábricas inglesas ou estadunidenses.

Na região do Belém, às margens do Rio Tietê, está a vila inglesa de Maria Zélia, que visitamos, e que em breve vamos contar a vocês. E no estado do Amazonas está Fordlândia, que como o nome já diz, foi uma cidade inteira construída pela fábrica de carros Ford, no começo do século 20, para abrigar os trabalhadores que extraíam o látex para fazer a borracha dos pneus dos carros produzidos por Henry Ford.

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Mistério, OVNIs e um famoso Serial Killer

Com tantos atrativos visuais, a vila de Paranapiacaba acabou atraindo malucos de todos os tipos e acabou virando uma espécie de São Tomé das Letras nos arredores de São Paulo. Pessoas suficientemente bêbadas ou com a cabeça cheia de substâncias mais prosaicas, provavelmente influenciadas por outras estórias, juraram ter sido testemunhais de coisas sobrenaturais, como assombrações e avistamentos de discos voadores.

E para somar algum mistério a Paranapiacaba, a dona de um dos restaurantes na parte baixa da vila nos contou que “Jack Estripador”, o serial killer misterioso mais famoso da história, está enterrado no cemitério da vila.

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Segundo a lenda, por ter sido um monstro terrível, ao ser morto, teve seu corpo enviado par ao Brasil, para evitar que parentes das mulheres mortas violassem a sepultura de Jack, o estripador, causando danos a cemitérios londrinos, ou, quem sabe mais o que algum sujeito mais irritado poderia fazer. Para evitar isso, o corpo foi colocado em um caixão lacrado e sem identificação, e enterrado na vila, com um nome falso. A ideia era enviar o problema para um local onde ninguém saberia quem era o finado e ninguém tentaria abrir a sepultura para tirar satisfações com o cadáver.

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Algumas considerações no entanto, se fazem necessárias.

Até hoje, a verdadeira identidade de “Jack Estripador”, é um mistério. Mas dentre dezenas de suspeitos, hoje, acredita-se que Aaron Kosminski, um imigrante polonês, barbeiro, de 23 anos, com desordens mentais foi o responsável por ao menos 5 mortes de mulheres na cidade de Londres em 1888. Mas até mesmo o médico da Rainha Elizabeth já foi um dos suspeitos.

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A vila de Paranapiacaba foi fundada em 1889. O que daria tempo de receber o corpo do assassino que mobilizou toda a capital inglesa no final do século 19.

Se este for mesmo o nome real de Jack, o Estripador, o homem que causou tanto alvoroço morreu em 1919, em Hertfordshire.

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E o que dificulta ainda mais acreditar nessa teoria da conspiração é que dificilmente um cadáver atravessaria o oceano Atlântico numa época em que não havia como congelar o corpo para transportar de navio. No terceiro dia o mal-cheiro já seria insuportável, e como a viagem não seria feita por navio cargueiro em menos de 2 meses, na metade do trajeto a tripulação sofreria de doenças e problemas de saúde causados pelo corpo. O mais provável é que se um corpo fosse colocado em um navio, o “sepultamento” teria sido no mar, como era comum na época.

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Mas mesmo sem mistérios ou assombrações, o Museu da Ferrovia é um ótimo passeio, Paranapiacaba ainda tem passeio de Maria Fumaça, vistas lindas, lugar para crianças correrem e acabou de inaugurar uma réplica de uma estação de trem inglesa do século 19. A visita vale muito à pena!

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Dicas de Viagem:

Quer chegar em Paranapiacaba via transporte público? É mais barato de trem. A linha que faz o percurso começa na estação Brás da CPTM e vai até Rio Grande da Serra. Você vai pegar o trem da linha Turquesa.

Na estação de Rio Grande da Serra, pegue o ônibus para Paranapiacaba. A passagem está custando R$ 4,20. Cuidado para não pegar o micro ônibus na volta. A passagem é de R$ 6,25.

Você também pode pegar o Expresso Turístico que sai aos finais de semana da Estação Luz, em São Paulo. O preço por pessoa é de R$ 34,00.

Quer saber mais sobre Paranapiacaba? Aqui está a fanpage da vila – https://www.facebook.com/Paranapiacaba-194441277258248/

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