Despachar Bagagem Ficou Mais Caro

Quase um ano e meio depois das novas regras para despachar a bagagem aérea, e com os preços liberados, o que deveria “ser mais justo” acaba se tornando mais uma fonte de renda para as empresas, aéreas, que já há tempos, vêm perdendo receita. Veja como sua viagem de avião está dicando mais cara.

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Serviços mais enxutos, nada de água gratuita, nada de amendoins no voo, o fim das barrinhas de cereal. Bem, dessas ninguém vai sentir falta mesmo. Mas as tarifas de bagagem despachada nas viagens aéreas, que, segundo um certo presidente impopular que está por estes dias sentando na poltrona do Palácio do Planalto, liberar preços iria reduzir as taxas.

– Gente, alguém já viu este país companhia perder verba abaixando preços?

Originalmente, a conversinha do impopular presidente era que a concorrência ajustaria os preços, e que sem ter que dividir os custos entre quem não leva muita bagagem, as empresas cobrariam o justo apenas de quem leva excesso de bagagem e toda aquela conversinha. O fato é que, depois das novas regras das passagens aéreas, os preços podem ter subido até próximo de 46%!

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Não parece muito em um país que pagou até R$ 10,00 o litro da gasolina durante a greve dos caminhoneiros. E como teve gente pagando feliz! Mas o valor atual está bem distante das promessinhas de preços mais baixos, mais competitivos, mais justos. 

Pegando as contas oficiais da Abear – Associação Brasileira de Empresas Aéreas, as tarifas de envio de bagagem de avião ficaram entre 7% e 30% mais baratas em companhias como Azul, Gol e Latam. Alguém viu os preços caírem isso tudo?

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Já se considerarmos os estudos do IBGE, teremos números que apontam que não houve queda, mas sim um aumento de 15,16%. E se usarmos o índice da Fundação Getúlio Vargas, a FGV, vamos ver aumentos de 2,07%. Ou seja, a diferença entre o que a associação que defende as companhias aéreas, e o que um órgão do governo e uma instituição renomada apontam é de valores que variam de no mínimo 9% até perto de 46%, arredondando.

Só para entender bem a conta, um dos lados, a associação das companhas aéreas, diz que os valores baixaram 7%, ou seja, menos 7. Só que a FGV disse que na verdade houve um aumento de mais 2. O que dá uma diferença de 9 pontos, mas um aumento real de apenas 2,07% nas contas da FGV. Já no caso do IBGE, os menos 7 se tornam mais 15,16%. E nem o IBGE, nem a FGV encontraram uma queda de 30% nos preços das tarifas para envio de bagagem.

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Quer ver ficar ainda pior?

Segundo os estudos da FGV, as taxas para viagens corporativas, como empresas, que compram na mesma semana, ou que comprar passagens aéreas para o dia seguinte, ou que usam voos mais corriqueiros, praticamente não sofreram aumentos. 

Porém, quem usa companhias aéreas para viajar a lazer, em temporada, pagou os maiores aumentos. Ou seja, quem menos viaja, mais paga.

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A lógica perversa destes preços fica ainda pior quando a gente pensa que quem viaja a lazer, costuma levar mais bagagem. Vai passar dias fora de casa, precisa de certos itens que só vai encontrar na cidade de origem, leva roupas e itens pessoais. Claro que a bagagem destas pessoas vai ser mais pesada. Funcionários de empresas levam pastas, bagagem de mão, mochila pequena. Fazem viagens para passar um dia ou dois. Vão precisar de camisa, terno, sapatos e escova de dentes. Bagagem de mão resolve. E quem leu nosso post da época da mudança das regras, sabe que até 10 quilos, o volume é considerado como bagagem de mão, sendo isento. E são raro os casos em que alguém vai precisar despachar.

Quer dizer, ficou mais caro para quem quer viajar para curtir feriados ou férias.

Até a ANAC concorda que houve aumento.

Depois de tantos dados conflitantes, claro que a ANAC foi lá meter o dedo na conversa. E no segundo semestre de 2017, constatou que houve sim aumento, que variou entre 0,1% e 0,3%. Período em que a Abear jurou que houve uma redução de 0,6% nas taxas. Só queremos saber: Onde aconteceu esse desconto?

As próprias companhias aéreas informaram que 2/3 das passagens aéreas são vendidas sem a compra de despacho de bagagens. O que quer dizer que quem viaja com mais frequência, fez as contas e adivinhou que sairia mais caro viajar com muita bagagem depois de aprovadas as novas regras. E tratou de deixar a mala em casa.

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Já quem não tem como fazer tudo caber dentro de uma mochila, e antes era beneficiado com as regras de gratuidade de até 23 quilos para viagens nacionais e de até 32 quilos para viagens internacionais, agora tem que se ajeitar para fazer tudo caber em apenas 10 quilos de bagagem, seja para onde for, ou pagar facilmente o preço de outra passagem, dependendo do lugar que a pessoa vá, só para levar, ou trazer, o peso extra.

Quem gostava de visitar a família e levar presentes, ou encher a mala comprando “lembrancinhas”, já deve ter notado que o passeio ficou bem mais caro.

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Agora fica a reclamação maior: Quem viaja, sabe que tudo tem um preço e que não existe essa conversa de grátis em absolutamente nada, mas as antigas regras eram boas para o consumidor, especialmente aquele que viaja menos, conta moedinhas, faz pacotes econômicos, e vez ou outra quer se dar ao luxo de viajar de avião, comprar coisas, trazer novidades para casa. Mas, com as novas regras, o que o consumidor ganhou? As passagens baixaram? Não. Os serviços melhoraram? Até onde foi possível perceber, não. Houve algum benefício para os viajantes? Se alguém notou alguma coisa, por favor nos conte. Não queremos parecer injustos e sabemos que toda empresa tem seus custos, mas isso de o consumidor sair sempre perdendo não tem nada de justo.

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Dicas de Viagem:

Veja as tabelas de preços para sua viagem de avião no site da Anac e evite surpresas desagradáveis – http://www.anac.gov.br/

Neste link você entende melhor seus direitos e sabe o que fazer em casos de bagam extraviada, furto de bagagem ou danos às suas malas – http://www.anac.gov.br/assuntos/passageiros/bagagens

E aqui neste link você tem uma lista bem completa sobre oque pode ser considerado bagagem de mão e quando é obrigatório despachar a bagagem – http://www.anac.gov.br/assuntos/passageiros/preparando-sua-bagagem-de-mao

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