Semana Farroupilha

Vivendo a história que aprendi na escola em Júlio de Castilhos. E aprendendo sobre o povo, os costumes e a Revolução Farroupilha. Viaje com a gente para o Sul do Brasil e viva um momento da história. Descubra os costumes de um povo maravilhoso na Semana Farroupilha.

.

Por Guilherme Litran – taken by Ricardo André Frantz (User:Tetraktys), Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2848347

.

Por causa do trabalho, acabei deixando para trás a movimentada São Paulo e agora posso ser encontrado na charmosa Júlio de Castilhos, cidade do Rio Grande do Sul, a 330km de Porto Alegre, 60km de Santa Maria e próxima de outras cidades como Tupanciretã e Cruz Alta, seguindo pela BR-158. Distante da fronteira com o Uruguai apenas uns 300km.

Nada que assuste, além é claro do frio que aqui fez durante todo o inverno, ou das chuvas, que acabam sendo muito frequentes. Um contraste com a terra que deixei para trás, que passava por mais um período de forte estiagem e com temperaturas que passavam dos 26 graus.

.

.

Até os moradores foram unânimes em dizer que o frio deste ano foi mais intenso e o inverno, o mais rigoroso em muitos anos. Região alta, hoje o dia amanheceu com nevoeiro espesso, clima úmido. O que me lembrou bem da estadia em Londres. Chuvas, neblina, nevoeiro, frio. E claro, comentei que o clima era londrino. Ao que um inocente morador perguntou:

– O clima em Londrina também é assim?

O senhorzinho, de vida toda vivida em Júlio de Castilhos, não sabia do clima da capital inglesa. Apenas lembrou da cidade do estado próximo do Paraná, terra boa, que está nos planos para visitarmos novamente.

.

.

Mas aqui no Sul do Brasil, há mais motivos que apenas o clima para fazer comparações com outros países. Eles têm uma cultura própria e uma unidade. Uma música que é deles, uma bebida que é daqui, o mate, o amargo, o chimarrão, fabricam a própria cerveja, condição para que se chame um país como tal, tem a língua própria e são orgulhosos de sua história, que é bem diferente da história do resto do Brasil. Junte-se a isso a mesa farta, o riso fácil, o choro gritado pela mágoa da pátria esquecida, a força das raízes e das tradições, e vestem roupas que só aqui se encontra. Os homens usam bombacha, botas, lenços, chapéus de abas largas. As mulheres, vestem-se tradicionalmente de prendas, valorizam essa maneira de ser. São bairristas, fazem sua própria carne crioula, ou seja, daqui da terra. São desconfiados com os de fora, mas ganhe a confiança de um gaúcho e descubra o que é ter um irmão que a vida lhe deu.

O gaúcho não é de meias palavras. Acostume-se à sinceridade. E na hora de festejar, a música é alta e a mesa é farta!

E eu pude visitar a mesa gaúcha, e saber como é a cultura a começar pela cozinha. O aipim, que é para outros a macaxeira ou a mandioca do paulistano, aqui pode ser cozida sem a panela de pressão. E o sabor fica ainda mais forte. Quem diria. E eu que preferia a mandioca frita.

.

.

Semana Farroupilha

Mas o tema de hoje ainda não é sobre minha estada ou minhas descobertas por aqui. É sobre o festejo importante que marca esta quinta-feira, 20 de setembro. Hoje comemoramos o feriado da Semana Farroupilha, data cheia de significado para o povo da região, que começa bem no dia 7 de setembro e tem no dia 20 o seu maior momento. Os mais puristas dizem que a semana começa mesmo é no dia 13, como homenagem aos líderes da Revolução Farroupilha, maior de todas as lutas internas do Brasil dos tempos do Império. Durou 10 anos, de 19 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845.

.

.

Foi na Revolução Farroupilha que nomes como Giuseppe e Anita Garibaldi surgiram. Temas como liberdade, igualdade e humanidade eram palavras de ordem no coração do povo. O sonho de um País do Pampa, livre das taxas do Império e rico em tradições, cultura e terras férteis impregnava o espírito dos gaúchos.

Estes ideais e esta história, não podem ser perdidos. Por isso temos feriados em todo  o mundo e por isso se comemora, de 13 a 20 de setembro, a Semana Farroupilha. Lembramos os heróis, a cultura, a necessidade de liberdade, por mais que custe, e por longe que vai, como em Minas Gerais, com Tiradentes e o Libertas Quae Sera Tamen – Liberdade, ainda que que tardia. E a comparação com os tempos atuais, em que a riqueza da nossa terra e do trabalho do povo vai para uma capital que engole toda a riqueza, mas que não devolve nunca, nada de bom ao povo. Precisamos de mais revoluções como a Farroupilha.

.

.

A Tradição da Guerra dos Farrapos

Lembro de ter estudado sobre a Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha no começo da vida. Crianças estudam sobre revoluções, reis e rainhas. Agora mesmo estou em uma cidade cujo nome deriva de um dos líderes do movimento farroupilha. E quem se lembra de nossos posts, vai saber que temos um visita ao Museu Júlio de Castilhos, cheio de curiosidades, história e arte.

É sempre curioso, tantos anos depois, ver, pessoalmente, as terras onde a história aconteceu. Mais ainda, viver os acontecimentos de novo, voltando a acontecer, o tempo se repetindo. A necessidade por liberdade, por melhorias, por igualdade, por justiça. Vimos tudo isso em nossas viagens pelo Brasil. E agora, é possível ver de novo os mesmos fatos ocorrendo. E a história, essa eu estou vivendo, no mesmo lugar de que apenas ouvia falar nas aulas de história.

.

.

A estátua do gaúcho, recentemente falecido, as terras de planícies verdejantes infinitas, o olhar sofrido e orgulhoso do gaúcho, a cantiga, a fogueira, a comida e a moça, que sempre exaltada, sofre as lutas e ri nas alegrias com o homem que ama. O solo gaúcho tem um romantismo poético que a gente sente logo que chega. E vê fácil nas tradições, no jeito, nas roupas dos mais insistentes. Pode ser no bigode, no chimarrão, na gaita, no cavalo. Coisas que você não tira do gaúcho. Assim como sua terra, seus costumes, sua história.

A data de 20 de setembro é a homenagem do povo não aos antigos heróis, mas à sua própria história, seu passado e sua herança. Aqui está um povo que se orgulha dos pais, da origem. E mesmo que se adapte aos novos costumes, não esquece de onde veio. E sabe bem para onde quer ir.

.

.

E pela primeira vez em minha vida, verei os gaúchos usando lenços, chapéus de abas longas, bombacha, andando a cavalo, carregando a tocha da liberdade pela entrada da cidade e pelas avenidas principais, marchando em desfiles e dizendo para que todos ouçam: “Temos origem, temos orgulho! Queremos nossa liberdade, amamos nossa pátria.”

O Rio Grande do Sul faz parte do Brasil. Não se tornou um país independente. Pôde escolher entre ser espanhol ou ser Brasil. E hoje. só enriquece a cultura de uma nação brasileira. Para todos. Assim esperamos e para isso lutamos.

.

.


Dicas de Viagem

Saiba mais sobre a Guerra dos Farrapos – https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos

E aqui você descobre mais sobre a Semana Farroupilha – https://pt.wikipedia.org/wiki/Semana_Farroupilha

Quer conhecer de perto? Faça as malas e venha – http://www.semanafarroupilha.com.br/

.

.

.

Anúncios