Final do 9º Cinefoot no Rio de Janeiro

O 9º Cinefoot acabou sua temporada no Rio de Janeiro, e parte para São Paulo com sua seleção de filmes incríveis. Veja o que teve e conheça os vencedores.

 

Você pode não me ver, mas eu estou lá trás. Créditos: Clarissa Pivetta.

 

De 20 a 25 de setembro a nona edição do Cinefoot, festival que une futebol e cinema, esteve no Rio de Janeiro apresentando filmes que têm em comum o futebol como pano de fundo para a discussão sobre sociais. O Cinefoot apresenta curtas e longas metragens, documentários e ficções, brasileiros e, esse ano, estrangeiros. Na abertura, assistimos dois documentários que mostram como o futebol é paixão, fé e superação.

O diretor Sylvio Lanna estava lá para comentar sobre seu curta-metragem “Superstição e Futebol“, filme realizado em 1968, que burlou a censura da ditadura militar  e ganhou o Festival Internacional de Oberhausen em 1970 mostrando para o mundo o sincretismo que use religião e futebol.

 

Cenografia inspirada nas superstições que fazem parte do futebol.

 

A película tirou algumas risadas e me fez lembrar aquela máxima que diz que se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiana terminaria sempre empatado. Uma das personagens principais do filme, pai Santana – eu vou ter que dar uma de clubista aqui – que, apesar ser apresentado como massagista do Fluminense, na época ela já trabalhava no Vasco da Gama onde virou uma figura histórica. Inclusive para mim, que me lembro das mandigas feitas antes do início dos jogos em São Januário.

 

O diretor Sylvio Lanna e os mascotes do clubes cariocas.

 

Representando as superstições estavam presentes os mascotes dos do Fluminense, Botafogo e Flamengo (o do Vasco da Gama não pode ir, e juro que não foi clubismo não ter o anjinho flamenguista, mas ele sumiu quando eu ia tirar foto).

 

O segundo filme, o longa “Para sempre Chape” do uruguaio Luis Ara, conta a história da Associação Chapecoense de Futebol, com sua história de superação como um clube pequeno do interior para chegar aos grandes do Brasil e da tragédia que deixou de luto todo povo brasileiro no final de 2016. Pela quantidade de fungadas que ouvi,  não fui a única que se emocionou. Um filme muito bem feito, que eu não sei nem o que dizer além de falar para você assistir.

 

 

Os Campeões

Foi com uma sessão de cadeiras totalmente ocupadas que o público presente pode conferir os filmes “Linhas tortas: Nando, o jogador anistiado“, de João Wainer, e “As Copas por um clique“, de Douglas Lima e Jefferson Rodrigues, conquistarem a Taça Cinefoot. Os filmes venceram nas categorias de curta e de longa-metragem, respectivamente. O festival premia anualmente os melhores filmes exclusivamente através do voto popular.

 

Da esquerda para a direita: Douglas Lima, Marcelo Pizzi, João Wainer e Jefferson Rodrigues. Crédito: Clarissa Pivetta.

 

Para ver todos os filmes que estavam competindo: https://abussolaquebrada.com/2018/09/20/9%cb%9acinefoot-no-rio-de-janeiro/

 

Criado em 2017, o Troféu João Saldanha desse ano foi concedido ao longa-metragem “Triunfo” (Estados Unidos, 2017), dos diretores Kreshhik Jonuzi, Von Rama e Charlie Askew. O Troféu é destinado a filmes que expressam as faces humanas, democráticas e libertárias no futebol.

A noite contou também com a torcida animada presente, que escolheu a narração de Gomes Faria e Ibernon Monteiro, da rádio Jovem Pan News, durante a partida de Ceará 2 x 0 Vitória, no Campeonato Brasileiro para a levar o Troféu Redação AM, concurso promovido pelo terceiro ano pela SPORTV.

 

O documentário ‘A copa dos trabalhadores’ mostra a triste realidade daqueles que estão construindo os estádios da Copa do Mundo do Catar.

 

Após as entregas dos troféus, o Cinefoot exibiu o longa-metragem “A Copa dos Trabalhadores“, que traz um olhar próximo e pessoal dentro dos campos de trabalho do Catar, onde a Copa do Mundo 2022 está sendo construída contando com o esforço de mais de um milhão de trabalhadores migrantes. O filme segue uma equipe de trabalhadores. De dia eles suam para construir a Copa do Mundo em condições adversas, enquanto à noite competem em um torneio de futebol dos trabalhadores, jogando nos mesmos estádios que um dia receberão os maiores jogadores do mundo. Cada partida disputada oferece uma fuga momentânea da saudade e do isolamento com que lutam como a classe mais baixa do país mais rico do mundo e as brutais condições de trabalho oferecidas.

 

Prorrogação

Tradicionalmente realizada logo após o encerramento das competições do Cinefoot, o festival apresenta no dia 1º de outubro, às 19h30, a Prorrogação Cinefoot, no Cinemaison. A prorrogação exibirá de forma gratuita a estreia do filme ficcional francês que tem o futebol como eixo da sua trama, “A Grande Área” (La Surface de Réparation), do diretor Christophe Régin.

 

 

Cinefoot em São Paulo

De 29 de setembro a 03 de outubro o Cinefoot estará no auditório de Museu do Futebol com entrada franca em todas as sessões.

A programação completa  do Cinefoot em São Paulo você encontra aqui: http://www.cinefoot.org/programacao-cinefoot-sao-paulo-2018/

 


Agradecimentos: RoMa in Press