Brumadinho/MG Eu não queria falar sobre isso (De novo).

Um post que a gente faz com tristeza. Amamos Minas Gerais e lamentamos muito ver o mal que estão fazendo a este estado tão lindo. Este post é um lamento por Brumadinho, por Mariana, pelas pessoas e por Minas Gerais.

 

Quem acredita em algo divino, só posso dizer que se Deus não tiver piedade de nós, a gente não passa desse século.

Quem acredita em algo divino, só posso dizer que se Deus não tiver piedade de nós, a gente não passa desse século.

 

Não vou colocar vídeos ou imagens sobre Brumadinho. Não vou espalhar mais imagens que já estão rodando por aí com lágrimas e cenas fortes. Nem vou defender coxinhas ou mortadelas para dizer que este lado ou aquele lado tem culpa.

Todos sabemos o mal que faz uma região sem economia, sem empresas, sem emprego, onde falta desenvolvimento, em que faltem indústrias. A região empobrece, perde população, vícios como alcoolismo e drogas se proliferam, a população começa a desanimar e a não ver mais futuro.

 

Estátua de Tiradentes, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Estátua de Tiradentes, em Ouro Preto, Minas Gerais.

 

Mas acabamos de ver, pela segunda vez, o que acontece quando uma empresa não se importa com as leis. Paga funcionários, paga fornecedores, paga impostos, gera empregos, gera renda, aquece o comércio e a economia local e até em larga escala, mundial.

Mas na hora em que uma tragédia como a de Brumadinho, em Minas Gerais acontece, a gente lembra que isso já aconteceu, que já deu em vítimas, que aconteceu no município de Mariana, com a barragem da Samarco. E lembra que já causou prejuízo inestimável. E fica a dúvida: As contas estavam pagas, mas quem vai pagar a conta das vidas, destruição da natureza, e o eventual fim de um município?

Se a empresa tivesse cumprido as leis, se tivesse respeitado o meio ambiente, se fosse mais cuidadosa, nada disso teria acontecido.

 

Museu histórico de Ouro Preto

Museu histórico de Ouro Preto, em Minas Gerais.

 

E o que mais entristece, é que eu já viajei muito por Minas Gerais. Temos vários posts sobre cidades de Minas Gerais que  visitamos, que amamos, que realmente são lindas e fizeram bem. E mais que isso, que vontade de morar nas lindas cidades que visitamos em Minas Gerais.

Conteúdo histórico, riquezas minerais, comida, paisagens, arte barroca, a primeira cidade planejada do Brasil, escritores, poetas, revoluções e tantas coisas para conhecer. E aos poucos, o descaso, a cobiça, a ganância e a necessidade vão matando este estado tão lindo.

 

Arco-íris na pedra do salto de asa delta, em Extrema, Minas Gerais.

Arco-íris na pedra do salto de asa delta, em Extrema, Minas Gerais.

 

Nas estradas de Minas Gerais, pude ver os morros enormes sendo escavados por mineradoras, tenho fotos de celular de paredões coloridos, denotando os diferentes minérios e riquezas naturais do estado. Coisa fácil de ver em qualquer caminho de Minas Gerais.

Ferro, pedras preciosas, águas minerais, minérios variados, riqueza animal e vegetal. Tanta coisa para ajudar o povo a se desenvolver, mas continuamos apenas retirando da terra suas riquezas e deixando para trás, de maneira mal cuidada, os rejeitos, ou seja, nosso lixo, aquilo que desprezamos.

 

Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A primeira cidade planejada do Brasil.

Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A primeira cidade planejada do Brasil.

 

Minha pós-graduação é Gestão Ambiental. Sei bem que as regras brasileiras sobre preservação do meio-ambiente costumam sofrer alterações de acordo com a ideologia que está no poder. Isso acontece na Europa, nos Estados Unidos e também no Brasil. Mas a parte ruim de se governar com ideologias é que a natureza não tem ideologia nenhuma e nem se importa com nossas discussões políticas. Ou cuidamos bem da natureza, ou ela nos devolve o que rejeitamos. 

Brumadinho é só mais um caso, já visto, já sofrido, ali bem pertinho mesmo, que nos avisa para o que vai acontecer com o ser humano e com o planeta, se a gente não aprender a cuidar do nosso único mundo. Este nosso mundo pequenininho, que parece até bem grande, mas que cola Brumadinho a Mariana, que junta Minas Gerais a São Paulo, e que em momentos como este, mostra que a tragédia no brasil espirra na Europa, nos Estados Unidos e na China.

 

Igreja de São Francisco de Paula visto do pátio do Museu do Oratório, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Igreja de São Francisco de Paula visto do pátio do Museu do Oratório, em Ouro Preto, Minas Gerais.

 

Temos apenas um mundo para viver. E a necessidade de desenvolvimento é real. Mas o perigo de não respeitar a natureza nos leva a uma dúvida: Vamos desenvolver o quê se não tivermos futuro?

O perigo de uma barragem desmoronar e matar pessoas, causar prejuízos ao meio-ambiente, causar danos irreversíveis para seres humanos e para a vida no planeta, não é novidade. Vimos isso estes dias, há alguns quilômetros de Brumadinho. Sério mesmo que a gente precisava passar de novo por isso, em tão pouco tempo, com a mesma empresa envolvida, no mesmo estado, pelo mesmo motivo? Gente, qual a novidade? Mais pessoas mortas? Mais tragédia? Mais tristeza? Mais prejuízo material? Mais destruição da natureza? E a gente fica procurando colocar a culpa nesta ou naquela ideologia? Será possível que não aprendemos nada?

 

Profeta Daniel, esculpido por Mestre Aleijadinho, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.

Profeta Daniel, esculpido por Mestre Aleijadinho, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.

 

Investir em meio-ambiente é gerar empregos e renda. Criar formas sustentáveis de utilizar os bens naturais gera emprego e renda. Agora, esgotar recursos naturais finitos e correr sempre o risco de mais desastres é uma forma bem estúpida de cometer suicídio. É lento, dói mais, causa um sofrimento inigualável. E dizer que esta exploração descuidada gera empregos e renda, soa como dar um band-aid para um sujeito que foi condenado à morte por esquartejamento.

Vamos todos morrer aos poucos, apostando no progresso mal pensado, ou vamos trabalhar, gerar emprego e renda, cuidando do planeta?

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Entrada para o Parque do Itatiaia, onde está o Pico das Agulhas Negras, bem na tríplice fronteira, entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entrada para o Parque do Itatiaia, onde está o Pico das Agulhas Negras, bem na tríplice fronteira, entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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